auto-conhecimento

40 dias | o simbolismo e o propósito

Após a loucura do Carnaval, onde cometemos excessos sem bem saber como nem porquê, somos convidados a entrar num período de profunda reflexão e interiorização que culmina no Domingo de Páscoa. Católicos ou não, a verdade é que este momento pode – e deve – ser aproveitado ao máximo para fazermos alterações na nossa forma de ver o mundo e de agir nele. São quarenta dias de oportunidade para nascermos de novo, a cada ano.
De acordo com as Escrituras Sagradas, o número quarenta surge associado a momentos de profundo crescimento pelas comunidades católicas e cristãs, como, por exemplo, os quarenta dias de dilúvio onde Noé navega a sua arca, os quarenta dias de jejum do profeta Elias, Moisés passa quarenta dias e quarenta noites no Monte, os quarenta anos de travessia do Egito e os quarenta dias de jejum de Jesus. O número quarenta simboliza o tempo necessária para a preparação para o que vem a seguir, um jejum não apenas alimentar que purifica a alma e nos prepara para um momento de crescimento.
Durante este período de quarenta dias até à Páscoa, é habitual ouvir-se falar de jejum e abstinência, isto é, o respeito por fazer refeições leves à sexta-feira e, em alguns dias específicos, abster-se de comer carne. Alguns católicos ainda seguem estas orientações, mas a verdadeira abstinência e o verdadeiro jejum pode ser feito de outra forma, mais profunda e pessoal, no sentido de um maior crescimento pessoal e, até mesmo, coletivo.

Tenho um desafio a propor-lhe, quer seja católica, quer não. Nos próximos quarenta dias, vamos experimentar fazer um jejum sério e uma abstinência profunda e sentida dos seguintes “alimentos” que nos fazem mal: os comentários sobre a vida dos outros, a gula por alimentos ricos (que nos entopem não apenas as artérias mas também a alma), um vício que nos corrompe (fumar, beber álcool, comer doces, abusar do uso da internet), as compras desnecessárias. Vamos aproveitar este tempo de transformação, que vem juntamente com a chegada da primavera, para abrir novas portas nas nossas vidas e para despejarmos as mochilas já velhas e gastas por estarem sempre tão cheias de coisas que apenas nos incomodam e não nos deixam crescer. Pode parecer difícil, é é-o, mas podemos fazer este caminho com um sorriso no rosto, para torná-lo mais agradável. E para que o verdadeiro crescimento surja sem dor, mas com a alegria de saber que estamos a caminhar, passo a passo, para a melhor versão de nós próprios. Bons 40 dias no deserto. Estarei lá consigo.

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