discriminação, esperança, nanismo

David num mundo de Golias

 

Decidi rescrever um post que já tinha publicado num outro blogue meu, há dez anos. Não porque não me sinta inspirada, mas porque gosto do que escrevi, é a mais pura verdade e dá para dar a conhecer um pouco mais do que é ser-se eu.

Nasci há 43 anos, quando ainda não havia ecografias pélvicas, com um problema genético que dá pelo nome vulgar de nanismo. Hoje meço 1,20m e, felizmente, vivo uma vida que me deixa amplamente satisfeita. Como costumo dizer, não me chateia nada ser anã; o que me aborrece é que não me deixem ser anã à vontade.

Algumas vantagens que existem são o facto de poder usar roupa de criança, que é bem mais em conta do que os tamanhos de adulto. Felizmente, há imensas marcas com roupa de muita qualidade sem ser “abebezadas”, como a Zara, a Zippy, a Vertbaudet, a Monsoon, entre outras. Para sapatos de salto alto, long live the Internet, com lojas estrangeiras (espanholas e inglesas) a garantir-me sapatos de qualidade e que me enchem os olhos.

A maior desvantagem é o preconceito. Ir na rua e ouvir comentários jocosos, desrespeitosos. Li uma vez que o nanismo é a única deficiência que provoca o riso nos outros. Pelo que tenho observado, é verdade. Não se ri de um invisual. Não se ri de um deficiente auditivo. Muita gente ri de um anão. Graças à forma como lido com a minha deficiência e com as pessoas que me cercam (alunos, amigos, conhecidos), não sinto preconceito diariamente, mas por vezes acontece. E, por vezes, de onde menos se espera.

Outra desvantagem são as caixas multibanco, que não estão preparadas para os portadores de deficiência. Já me disseram que não há muitos anões, por isso não foi tido em conta. Mas ao deixar de fora pessoas de baixa estatura, está-se a deixar de fora, igualmente, as pessoas que se deslocam em cadeiras de rodas, que também não conseguem aceder à maior parte dos ecrãs. Em Inglaterra, Irlanda, Suécia e Espanha, as caixas multibanco estão acessíveis a todas as pessoas.

Espero, e tenho andado a fazer o que me é possível, para que cada vez mais vivamos num mundo onde todos somos iguais: negros, brancos, deficientes, seguidores de religiões diferentes,… Sou professora, e com os meus alunos vivemos isso, dia a dia, em cada minuto. E que bom é ver que, para uma criança bem novinha, todos são iguais. É a partir do momento em que são “ensinados” a discriminar, tantas vezes através do exemplo, que elas começam, também, a discriminar. Isto leva-nos a pensar…

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