opinião, vida

(des)ilusão

A desilusão é uma das piores experiências que podemos viver. Dói, marca, faz ferida, sangra. É daquelas coisas que tentamos a todo o custo evitar, para não sofrermos. Mas, por vezes, é inevitável. E, mais do que inevitável, é saudável.
Viver uma desilusão implica que, antes, vivíamos numa ilusão. Ilusão é tudo aquilo que não é verdade, que pertence ao reino do que idealizamos ou sonhamos. Bom ou mau, não é a realidade.
Assim, aprendi que a desilusão, por mais que doa, é algo bom, muito bom. Através do processo da desilusão, saímos daquele estado que nos deixou adormecidos para a realidade, para o concreto, para o que nos rodeia e nos pode ajudar a crescer. A ilusão pode parecer boa, mas engana-nos e pode evitar que cresçamos.
Há quem prefira viver numa ilusão permanente. Fingir que todos somos felizes, ou que todos somos tristes. Que eu sou igual a ti e tu a mim. Que um está mais perto de Deus do que outro. 
Deixemo-nos desiludir: relativamente às pessoas, aos movimentos, às organizações, às instituições. Só assim podemos ver as coisas como elas realmente são e não como as idealizámos. E aí, sim, podemos finalmente ser verdadeiros também e crescer com toda a potencialidade que Deus nos deu.

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