Memórias de Natais Passados

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Nunca fomos muitos lá em casa. De três passámos a duas pessoas e sempre me lembro do Natal ser passado a ver algum programa na RTP1 – na altura era o que tínhamos de melhor – até às oito da noite, altura em que eu abria as prendas para que pudesse estar na cama no máximo às dez. Recebia muitos presentes, e havia muito amor, mas sentia a falta de algo que me enchesse, não apenas a casa, mas também o coração, de espírito natalício.

Felizmente havia a família Coelho, da minha amiga Sofia. Os Coelho celebravam em grande. E não era pelo facto da comida ser melhor, ou ser mais cara, mas pelo facto de ser mesmo em grande. Em noite de Natal deveriam ser perto de quinze lá em casa e eu adorava toda a azáfama da preparação da Consoada. Todas as vésperas de Natal eu fazia parte da preparação da Consoada deles. Havia rodopio de e para o supermercado, para comprar os ingredientes que a matriarca transformava na cozinha em belos bolos, sobremesas, trouxas de ovos, fatias douradas, bolo inglês,…

As minhas memórias de Natal de infância são pautadas por comida. Não pela comida em si, mas pelo movimento das pessoas ao redor da comida e pela forma como nos aproximava. Quem sabe é por isso que hoje o meu Natal continua a ser com poucas pessoas, mas a comida é um ponto central. A minha família mais próxima não é grande, mas arranjo forma de criar família com os vizinhos, os colegas e os amigos. Porque o Natal é mesmo isso: é a família, seja ela de que formato for. Sempre à volta da mesa.

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