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Aquilo que realmente importa

O que importa na vida não é o que te acontece mas aquilo que recordas e como o recordas

Há uns anos atrás estava numa formação em Integridade Emocional com um grupo de pessoas fantásticas e um formador que nos convidava a “come to the dark side: we have cookies!” e que nos levou, em cada módulo de formação, a aprender a ir além dos nossos limites, ao mesmo tempo que aprendíamos a respeitar os nossos limites. Num desses módulos, tivemos que imaginar que íamos – e atuar como se fossemos – morrer durante a noite. Antes de ir deitar, tivemos que pensar naquilo que realmente importava nas nossas vidas e tivemos, inclusivamente, de nos “despedir” da pessoa que mais amávamos.

Sabemos que no momento em que estamos prestes a partir deste mundo, há uma reflexão sobre o que realmente é importante para nós. Existem vários estudos e relatos sobre os remorsos e arrependimentos que as pessoas revelam no momento de morrer. O que é que importa, realmente, para cada um de nós? Será que é necessário esperar pelo momento da morte para sabermos?

Não o convido a fazer o exercício que fiz na formação – implica ter um apoio porque é bastante intenso e as pessoas a quem vai ligar não vão, com certeza, entender a sua “despedida” (pode acabar por ter a polícia ou o INEM à porta de casa se acharem que vai cometer uma desgraça!), mas convido-o a fazer um exercício mais simples. Eu vou fazê-lo, neste momento, consigo, e vou partilhá-lo aqui. Este exercício é baseado nas 5 coisas que as pessoas mais lamentam no leito de morte. Mas lembre-se: é um exercício de vida, para celebrar a vida, para que possa viver ao máximo, com coragem, a melhor versão da sua vida!

Tire um tempo para si. Merece, não? Desligue aparelhos eletrónicos, telemóveis e redes sociais. Pegue num caderno, no seu diário ou numa folha, e prepare-se para fazer uma viagem através do que realmente importa para si. E para mim. Escreva aquilo que sente como mais verdadeiro para cada uma das coragens que se apresentam abaixo.

1. Coragem de viver uma vida verdadeira, não apenas ser e fazer o que os outros pensam ser melhor.

De que é que eu gosto? O que é que eu quero? O que me apetece realmente fazer ou dizer? Quais são os sonhos que não me atrevo a realizar? Onde gostaria mesmo de ir? Em que área sonho trabalhar? O que quero muito experimentar? Há alguém que eu quero ter na minha vida? Há alguém que eu quero retirar da minha vida?

2. Coragem de não trabalhar tanto.

Quantas horas trabalho por dia? Porque é que trabalho tanto? Para quê? Sinto que preciso de trabalhar tanto para sentir que me dão valor? O meu valor vem das horas que trabalho? Eu sou o meu trabalho? De que forma posso reduzir as horas que passo a trabalhar, sem perder o emprego e sem prejudicar a empresa? O que é que eu ganho por trabalhar tantas horas? O que é que eu perco por trabalhar tantas horas? Atenção: não estou a advogar que se despeça, mas reflita nas horas que dedica ao trabalho – serão as necessárias, ou passa mais tempo envolvida com o trabalho do que necessita? Por exemplo, vai para a cama e passa horas a pensar no que vai fazer no dia seguinte, ou no email que tem para enviar, ou no relatório,… Faça uma promessa (e cumpra-a!) de dedicar apenas as horas que deve ao trabalho, nem mais uma. Vai ver que vai ganhar tanto tempo para si e para aquilo que realmente importa.

3. Coragem de dizer o que sinto.

Honestidade emocional é das coisas mais importantes para a nossa saúde emocional e física. Sentimentos não expressos – positivos e negativos – aglomeram-se no nosso corpo e causam bloqueios que podem transformar-se em problemas de saúde física. Já disse ao meu companheiro que gosto dele? Ou que já não gosto e preciso de espaço? Já disse à minha amiga X que tenho saudades de conversar com ela? Já afastei a pessoa Y da minha vida porque me faz mal e não me deixa crescer enquanto pessoa? Reflita sobre este ponto – tão difícil, por vezes – e faça este exercício de integridade emocional.

4. Coragem de estar em contato com os meus amigos.

O grupo de amigos e a família são quem mais importa quando estamos a morrer. E para nós, que estamos a fazer agora este exercício, é bem mais fácil, porque em princípio temos tempo de contactar as pessoas de quem realmente gostamos. Vamos experimentar. Faça uma lista de: 5 pessoas da sua infância que gostaria de reencontrar; 5 amigos (de quem realmente gosta) com quem não fala há mais de um ano; 5 pessoas que só viu uma vez mas que gostaria que fizessem parte da sua vida. Parece fácil, mas não é. Agora que já tem a lista feita, vamos operacionalizar esforços (efetivos!) para entrar em contato com estas pessoas. Escreva tudo: quando vai contatá-las, como o vai fazer (por telefone, Facebook, SMS,…), que tipo de encontro quer (virtual, presencial, viagem, almoço,…) Lembre-se que, mais do que escrever, há que FAZER!

5. Coragem de me atrever a ser mais feliz.

Ser feliz é uma escolha, já está provado por vários exemplos de várias pessoas, e por vários estudos. Muitas vezes optamos por não mudar, por deixar-nos enredar naquela vidinha que conhecemos e que nos é confortável. Deixamo-nos, muitas vezes, adormecer na vida. Há que combater esta tendência tão humana. Reflita. De 1 (muito infeliz) a 7 (extremamente feliz), quão feliz sou eu neste momento? O que me faz feliz agora? O que posso fazer para subir mais um ponto (e ser um pouco mais feliz)? Como posso fazer para trazer essas coisas/experiências para a minha vida? Reflita, escreva e depois faça um plano de ação para a felicidade. Está nas suas mãos.

Agora que já terminou o exercício, arrume tudo. É preciso, também, ter coragem para descansar depois de uma atividade que mexe tanto com o nosso âmago. Mas não esconda num sítio onde nunca mais possa encontrar esta reflexão. Porque daqui a alguns dias, estará na hora de pegar nas suas respostas e começar a agir em conformidade. Com coragem. E muito amor.

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