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Dos livros e das bibliotecas

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Desde muito nova que me lembro de frequentar bibliotecas. Nos anos setenta e oitenta (e também através dos noventa), na minha terra, existia uma grande biblioteca, que estava alojada nuns pavilhões imensos, misteriosos, que existiam no belo parque da cidade, pavilhões esses que ainda existem e que parece que vão ser transformados (e muito bem) num hotel de cinco estrelas. Sempre tive o hábito, incentivada pela minha mãe, a ir à biblioteca buscar livros para ler e lembro-me perfeitamente da dificuldade que tinha em escolher apenas três, pois era esse o limite de requisições. Lia-os a correr para daí a poucos dias ir buscar outros que também despertavam a minha curiosidade. Faz parte da minha vida esta biblioteca, assim como da minha formação enquanto pessoa.

Lembro-me, igualmente, das duas senhoras que estavam nas duas salas da biblioteca: uma mais “pública” e a outra mais recatada, por conter encciclopédias, dicionários e outros materiais de consulta mas que não podiam ser requisitados. Durante vários anos, da escola primária à faculdade, aquele espaço e aquelas senhoras fizeram parte das minhas semanas. A minha formação, enquanto professora, mulher e pessoa, fez-se também através das leituras e a biblioteca municipal tem um lugar especial no meu coração.

Isto tudo vem do facto de eu ter acabado de ler o livro de Salley Vickers, A Bibliotecária (The Librarian, na sua versão original, a que li – pelo que sei, ainda não foi traduzida para português). É um romance que se passa numa cidadezinha inglesa sobre a nova bibliotecária, que vem transformar a pequena cidade através… dos livros. O sonho dela é que todas as crianças da escola leiam, o que me faria também muito feliz, pois em cada turma que tenho apenas cerca de 5% dos alunos leram um livro durante a interrupção da Páscoa.

Ler este livro lembrou-me a importância das bibliotecas na vida de cada um de nós, a sua importância para aquilo que somos e para o que podemos ser. Lembrou-me, também, que um bibliotecário deve ser alguém que gosta de ler (tal como os empregados das livrarias deveriam ser questionados sobre isto), que ama os livros e que adora partilhar leituras com os outros. E que nós, membros das comunidades, não podemos deixar as bibliotecas ao abandono, apenas visitadas pelos idosos que lêem o jornal do dia ou pelos jovens que não têm internet em casa e que passam horas a ver vídeos ou a jogar.

Os livros foram, em tantos momentos, os meus melhores amigos. Tive (e tenho) a sorte de ter bons amigos que gostam de ler e que, como eu, partilham o amor pelos livros. Uns vão, outros vêm, mas os livros, esses… mesmo que os troque, ofereça ou vendam, esses estarão sempre comigo, fazendo já parte do meu ADN. E as bibliotecas, quer seja a da minha cidade de infância quer seja a da terra que me acolhe como sua, essas são as minhas segundas casas. Posso não visitar muito, mas gosto de sabê-la lá e sei que, quando entrar, serei sempre recebida por um sorriso bos bibliotecários e por um suspiro de saudade e alívio dos livros.

 

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