a importância de permitir-se flutuar em águas agitadas

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Este final de ano (escolar) tem sido um desafio constante à resiliência, à paciência, à mindfulness, à compreensão e à hunildade. Não é fácil. Num momento em que todos estão prestes a ferver como água para café, cada desafio, cada novo pedido, cada frase dita com um tom menos doce é suficiente para que a cafeteira ferva e deite por fora. É importante resistir a essa explosão, mas é necessário que este sentimento de explosaão eminente esteja bem claro em nós, para que possamos lidar com ele de forma saudável.

Há uns anos atrás, quando fazia um retiro, a pessoa que o dirigia disse algo detse género: quando estamos vivendo uma situação que se assemelha a um furacão, o melhor é entrar de cabeça para dentro dele, pois no meio do furacão – no olho do furacão – tudo está quieto. Esta imagem sempre me tocou, porque me sinto, muitas vezes revolta por furacões que a vida me coloca para eu crescer enquanto pessoa. Saber isto não evita os furacões, mas evita sofrimentos maiores.

Com o passar do tempo, a imagem do furacão foi-se transformando numa imagem mais relacionada com a água: os ventos desorientam-me e a água é o meu elemento quase natural, pois o meu signo solar é um signo de água. Quando as águas estão agitadas, e estamos a nadar, ou num barco, tentamos, furiosamente, escapar dali, lutar contra as marés e contra as correntes. Mas, por vezes, a vida convida-nos a fazer outra coisa. Flutuar. Deixar-se ir à deriva (será que é mesmo à deriva ou haverá um destino maior?).

Neste momento, em que tanta coisa na minha vida profissional me perturba, escolho ir flutuando. Calmamente, ou fervorosamente, ao sabor da corrente. Deixar de lutar, porque não posso evitar o que os outros fazem ou dizem. Mas posso decidir o que eu vou fazer e como o vou fazer. Essa decisão está nas minhas mãos e não abdico dela.

Assim, o meu convite esta semana é que flutuemos; sem raiva, com algum medo natural, mas com a certeza de que essa escolha é da nossa responsabilidade e pode alterar, completamente, o rumo que levávamos antes. E essa é uma aventura incrível!

 

 

Os meus livros também são teus

FM_os meus livros também são teus

Sempre gostei de ler, desde que aprendi as primeiras palavras. E aprendi que os livros são importantes, que são valiosos, que se devem estimar e que não se devem emprestar.

Durante vários anos da minha vida, cumpri esta regra quase religiosamente. Algumas vezes emprestei livros, que me foram devolvidos em bom estado; outras, devolveram-mos em estado de morte eminente, com as lombadas marcadas e a necessitar de uma intervenção cirúrgica; outros houve que nunca me foram devolvidos. A minna experiência com o empréstimo de livros foi, assim, multipolar.

No ano passado conheci uma amante de livros como eu. Onde quer que nos encontremos – Roma, Tonbridge, Londres – trocamos sugestões de locais onde encontrar livros em segunda mão a bom preço ou ideias para novas leituras, novos autores, novas experiências bibliográficas. A Monica inspirou-me a desapegar-me dos livros. Tenho tantos, e raramente releio um livro, que podem e devem ser partilhados com alguém que os aprecie da mesma forma. Acabámos por criar uma espécie de biblioteca partilhada, em que passamos os livros que lemos de uma mão para a outra e vamos partilhando as nossas experiências de leitura. É tão bom quando estamos juntas – apenas nos encontramos três vezes por ano – porque num espaço de meia hora conseguimos falar de tantos assuntos literários e pessoais que, por vezes, não sabemos quando terminam uns e começam os outros.

Aprendi, também, a disponibilizar livros nas feiras do sótão que se realizam na minha terra. Fazem um sucesso, porque acho que tenho bons livros e porque os passo em frente a um valor que é possível para a maioria das pessoas. Também já cheguei a oferecer livros na feira, a quem não pode pagá-los, só porque determinado livro o chamou. E eu sei muito bem que quando um livro nos chama é necessário lê-lo.

Os meus livros também são teus, porque o desapego é importante. Porque quero ler mais livros, quero comprar mais livros, e não tenho espaço nas prateleiras. Há alguns que nunca sairão das minhas estantes (nunca?), mas há tantos que podem fazer outros corações leitores felizes que não tenho o direito de os manter prisioneiros da minha biblioteca pessoal. Partilhar livros é melhor do que beber cerveja juntos numa qualquer esplanada, embora seja ainda melhor se estas duas atividades forem feitas em simultâneo. Partilhar livros é crescer juntos, é amar juntos, é viver juntos. Para sempre.

Dos conflitos, ou como lidar com eles

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A vida é feita de escolhas (um lugar comum). As nossas escolhas definem o nosso caminho e os resultados que alcançamos (outro lugar comum). Em situação de conflito, só posso escolher entre fugir ou lutar. As escolhas podem ser complicadas (serão sempre?).

Há uns dias, encontrei uma amiga que estava a enfrentar uma situação difícil. Tinha acabado de entrar numa situação de conflito com uma pessoa da família e isso deixava-a de rastos. Estava prestes a rebentar, pois achava que tinha feito algo de positivo pela família, mas afinal aquela pessoa achava que o que acontecera não era nada bom e punha em causa, inclusivamente, a estabilidade da família. Acabou por não levar a cabo a ação a que se tinha proposto, pois não quis passar por cima de ninguém (afinal, a prima era a responsável pelos filhos, não ela), sentindo, no entanto, que estava a prejudicar as crianças. Tinha já falado com a prima, pedido desculpa e prometendo que não passaria por cima dela em situações futuras.

Todo este conflito, esta dor, esta revolução, a consumiu durante dois dias. Acabou por me ligar, contando que, afinal, a prima tinha reagido assim porque tinha tido uma má experiência no passado e isso tinha influenciado a sua resposta à ação dela. Afinal havia uma razão. Há sempre uma razão; no entanto, no calor do momento, nenhuma das partes consegue ter clareza para ver para lá do conflito.

É natural que, na vida, haja conflitos. Afinal somos humanos. O que é necessário é que demos tempo para que os conflitos se esclareçam, se vão desabrochando, permitindo ver para além do que está em fervent ebulição no momento. É preciso dar tempo à prima para revelar o que realmente lhe vai na alma e que influenciou a sua reação. É preciso dar-nos tempo para que possamos ver para além da ebulição da prima. As coisas não são meras reações; as reações são apenas respostas a algo que nos acontece, baseadas em acontecimentos passados. Que nos marcaram. Que nos feriram.

Em situações de conflito, há, habitualmente, duas possíveis respostas: ou lutamos, ou fugimos. Que nos permitamos oferecer uma terceira resposta: que abracemos. Que nos permitamos abraçar a dúvida, o medo e a raiva e dançar com eles até que consigamos ver o que está para além do que mostramos e do que nos é mostrado. Para que possamos, verdadeiramente, ser e crescer juntos.

 

Dia da mãe (mesmo para quem não tem filhos)

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Hoje comemora-se, em Portugal, o dia da mãe. A minha mão recusa-se a celebrá-lo hoje; para ela, o dia da mãe continua a ser o dia oito de dezembro, feriado, dia de Nossa Senhora da Conceição (Nossa Senhora da Concepção). Eu celebro-o porque tenho a bênção de ainda a ter comigo, assim, acabo por celebrar as duas datas.

Lembro-me de celebrar esta data desde pequena. Na altura, na escola não fazíamos – como agora – presentes para o dia da mãe, por isso era o meu pai que me dava uma moeda de cem escudos (creio eu) para eu lhe comprar um presente. Invariavelmente, o presente era sempre o mesmo: um cato ou uma suculenta que eu comprava na praça da minha terra, a uma das floristas que aí passava o seu dia (também era mãe) para poder levar dinheiro para casa. Um dia a minha mãe fartou-se e disse que eu só lhe oferecia catos. Realmente, olhando para trás, não seria o melhor presente que eu lhe poderia dar, mas era o que eu achava que ela iria gostar – afinal era o que EU gostava! 😉

Dizem que ser mãe é a melhor coisa do mundo. É duro, é uma responsabilidade enorme, mas é, igualmente, fonte de extrema felicidade. Eu não sou mãe. Trabalho com (e para!) muitas mães, pois, como professora, passo a maior parte do meu dia com os filhos de outras mães. A maior parte do dia destes adolescentes é passada comigo. Partilhamos alegrias e tristezas, partilhamos sorrisos e lágrimas e partilhamos histórias de vida. Não sou mãe deles, nem ouso dizer que por passar mais tempo com eles do que os pais me sinto como mãe deles, por vezes. Sou mais a tia. Aquela tia que educa. Que ralha, mas abraça. Que ensina, mas brinca. Que ama, mas exige respeito. Que dá respeito e pede respeito. Eu sou, muitas vezes, a Alda Maria na vida dos meus alunos. Ou a Paula. Ou a Nã. Aquelas mulheres que, juntamente com a minha mãe, também foram minhas mães.

Eu não sou mãe. Mas acompanho os meus alunos ao longo das suas vidas, quer através de conversas com os pais ou, de uma forma mais moderna, através – literalmente – do Facebook. Preocupo-me com eles. Amo-os. Com eles, ultrapasso preconceitos que tinha. Aprendo a ser cuidadora. Aprendo que erro tantas vezes, como qualquer mãe erra. Que o faço por amor, porque quero sempre o melhor para eles. E que aprendo com os erros, os meus e os deles.

Eu não sou mãe. Mas sou tia. Agora sou tia a dobrar,  porque tenho dois sobrinhos lindos que, infelizmente, não vejo tanto quanto gostaria. Sinto que estou a perder oportunidades de criar laços mais fortes, mas isso será algo com que terei que lidar mais cedo ou mais tarde. Terei que fazer escolhas. Tecer prioridades.

Eu não sou mãe. Mas sinto-me um pouco mãe. Não mãe mãe, no sentido de ter gerado um filho biológico. Mas não minto quando digo que me sinto, por vezes, mãe adotiva daqueles que escolho para serem os meus filhos. Já tive alunos que senti como filhos, mesmo. Que quase cuidei como filhos. E que me chamam, ainda hoje, de mãe, sabendo , no entanto, que nunca tentei substituir as suas mães (eles também não o fizeram). E a sensação – o sentimento – é único.

Não sou mãe. Mas hoje celebro o dia da mãe. O dia da minha mãe, que me gerou, o dia das mães que, não podendo gerar biologicamente, tiveram a coragem de adotar e são tão felizes (conheço tantas!) e o dia daquelas mulheres que escolheram não serem mães. Porque na sociedade em que vivemos é muito difícil lidar com essa escolha, é muito difícil ver a sua escolha aceite pela maioria das mulheres (as que são mães). E celebro, igualmente, o meu dia enquanto “mãe” daqueles que me são colocados no caminho para eu acolher como filhos temporários. Não preciso que me ofereçam flores nem presentes; para eles, o meu amor é essencial e para mim, saber que cumpro a minha missão é o suficiente.

Feliz dia da mãe.

Dos livros e das bibliotecas

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Desde muito nova que me lembro de frequentar bibliotecas. Nos anos setenta e oitenta (e também através dos noventa), na minha terra, existia uma grande biblioteca, que estava alojada nuns pavilhões imensos, misteriosos, que existiam no belo parque da cidade, pavilhões esses que ainda existem e que parece que vão ser transformados (e muito bem) num hotel de cinco estrelas. Sempre tive o hábito, incentivada pela minha mãe, a ir à biblioteca buscar livros para ler e lembro-me perfeitamente da dificuldade que tinha em escolher apenas três, pois era esse o limite de requisições. Lia-os a correr para daí a poucos dias ir buscar outros que também despertavam a minha curiosidade. Faz parte da minha vida esta biblioteca, assim como da minha formação enquanto pessoa.

Lembro-me, igualmente, das duas senhoras que estavam nas duas salas da biblioteca: uma mais “pública” e a outra mais recatada, por conter encciclopédias, dicionários e outros materiais de consulta mas que não podiam ser requisitados. Durante vários anos, da escola primária à faculdade, aquele espaço e aquelas senhoras fizeram parte das minhas semanas. A minha formação, enquanto professora, mulher e pessoa, fez-se também através das leituras e a biblioteca municipal tem um lugar especial no meu coração.

Isto tudo vem do facto de eu ter acabado de ler o livro de Salley Vickers, A Bibliotecária (The Librarian, na sua versão original, a que li – pelo que sei, ainda não foi traduzida para português). É um romance que se passa numa cidadezinha inglesa sobre a nova bibliotecária, que vem transformar a pequena cidade através… dos livros. O sonho dela é que todas as crianças da escola leiam, o que me faria também muito feliz, pois em cada turma que tenho apenas cerca de 5% dos alunos leram um livro durante a interrupção da Páscoa.

Ler este livro lembrou-me a importância das bibliotecas na vida de cada um de nós, a sua importância para aquilo que somos e para o que podemos ser. Lembrou-me, também, que um bibliotecário deve ser alguém que gosta de ler (tal como os empregados das livrarias deveriam ser questionados sobre isto), que ama os livros e que adora partilhar leituras com os outros. E que nós, membros das comunidades, não podemos deixar as bibliotecas ao abandono, apenas visitadas pelos idosos que lêem o jornal do dia ou pelos jovens que não têm internet em casa e que passam horas a ver vídeos ou a jogar.

Os livros foram, em tantos momentos, os meus melhores amigos. Tive (e tenho) a sorte de ter bons amigos que gostam de ler e que, como eu, partilham o amor pelos livros. Uns vão, outros vêm, mas os livros, esses… mesmo que os troque, ofereça ou vendam, esses estarão sempre comigo, fazendo já parte do meu ADN. E as bibliotecas, quer seja a da minha cidade de infância quer seja a da terra que me acolhe como sua, essas são as minhas segundas casas. Posso não visitar muito, mas gosto de sabê-la lá e sei que, quando entrar, serei sempre recebida por um sorriso bos bibliotecários e por um suspiro de saudade e alívio dos livros.

 

BURN, BABY, BURN!

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Quem me conhece sabe que não gosto muito de fazer exercício físico. Sou aquilo que se chama preguiçosa. Mas, felizmente, tenho muita força de vontade (às vezes) e consigo arrastar-me até ao ginásio para treinar todas as semanas.

Por ter fibromialgia, pensei que seria impossível treinar a sério, que apenas poderia fazer um cardiozinho para manter-me funcional. Felizmente, há um ano e meio, conheci aquele que seria o meu PT durante seis meses, o Vasco, que me mostrou que se eu trabalhasse no duro ficaria mais saudável, teria menos dores e conseguiria mover-me melhor. Foi um trabalho de equipa maravilhoso que nunca esquecerei e que, graças a esse apoio mais personalizado, me trouxe alterações visíveis ao corpo (descobri – vi! – músculos que pensava não existirem).

Depois veio um período de impasse, pois o meu personal trainer regressou ao Brasil, e senti-me perdida. Como seria agora sem PT? Não tenho garra suficiente para fazer este trabalho sozinha, preciso de alguém que me impulsione.

Acredito no destino. Em Deus. E que Deus coloca as pessoas certas no nosso caminho no momento exacto em que é importante que os encontros aconteçam. E foi assim que, em outubro do ano passado fui experimentar a primeira aula de Burnfit com o meu novo treinador, o João. Foi uma experiência que me deixou derreada mas, simultaneamente, me fez querer dar o meu máximo. E foi assim que me juntei ao grupo de Burnfit da minha terra.

Cada treino é uma experiência única. Mesmo quando os exercícios se repetem de um treino para o outro é sempre uma experiência nova. A cada semana um circuito novo. A cada aula um(a) colega novo(a) que ouve falar do trabalho que fazemos e que se junta a nós. Numa terra onde há tanta oferta para treinar (um dia ainda faço uma lista e divulgo no Facebook, porque é importante que se saiba que no Alentejo não passamos a vida a dormir sestas!), é importante escolhermos o que se adequa melhor a cada um. Finalmente, encontrei a minha praia.

O meu treinador é mais do que meu treinador. É meu amigo. É meu mentor. É meu companheiro de viagens. E também é meu carrasco, quando me incentiva a levantar pesos que nunca pensei conseguir levantar. A minha massa muscular está a melhorar, o que é tão importante para alguém com nanismo e com a consequente hipotonia muscular. A massa gorda continua a diminuir (exceto quando abuso no chocolate e nos folhados de Brinches) e o meu nível de bem estar e os níveis de seratonina estão exponencialmente mais altos. Ou seja, estou (sou!) mais feliz desde que faço Burnfit.

O grupo do Burnfit não é só um grupo de pessoas que treinam juntos (embora, só isso, já seja o suficiente para criar ligações). Apoiamos quem é operado, quem sofre uma lesão, quem emigra, quem imigra, quem não tem coragem de treinar mais, quem passa o tempo da aula a ver-se ao espelho. Apoiamo-nos, sem condições. E somos mais felizes juntos, ai isso somos.

Hoje não há treino porque é Sábado de Aleluia e a cidade está em Festa. Vão ser seis dias duros, de festa, sem treino. Quinta-feira regressamos aos treinos. Aí vai ser mesmo burn,baby burn! Porque não brincamos!

Redenção | em busca da fé

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A Catedral de Notre Dame, em Paris, está a arder e o mundo observa, incrédulo, como as chamas devoram o símbola mais importante do Cristianismo em França. Nem Deus parece ter força para parar a destruição. Ou, quem sabe, foi o próprio Deus que permitiu que a destruição contecesse, em pleno período quaresmal, para que das cinzas nasça uma nova visão cristã do mundo, uma nova forma de agir, uma nova forma de sentir Deus.

Estes quarenta dias que precedem o Domingo de Páscoa são dias de profunda transformação, quer nos apercebamos ou não. Há vários anos que faço uma versão do jejum quaresmal – anulando o chocolate ou todos os açúcares da minha dieta, pois sou dependente deles e é um sacrifício enorme largá-los – mas este ano optei por não o fazer. Pelo menos conscientemente. Estes últimos quarenta dias têm sido de profunda transformação na minha vida, mesmo eu não tendo escolhido. Como diz um amigo meu, fazemos (ou não) planos para a vida, mas a vida acontece, e tem acontecido de tudo.

A Quaresma traz-nos redenção e renovação. Redenção, no sentido em que nos libertamos através do sacrifício (nosso ou de outro). Renovação, no sentido em que há um renascimento após este petíodo de redenção, que se devidamente vivido nos permite crescer e desenvolver de forma mais integral.

O incêndio de Notre Dâme destruiu parte do teto e o pináculo da catedral. Já se fazem esboços para a reconstrução. Que o fogo que nos arde dentro do coração e da alma durante estes dias permita que a nossa reconstrução pessoal seja feita de forma consciente e integrada, olhando para o que de positivo esta destruição interna nos traz e as possibilidades de crescimento que nos oferece. Para que possamos, todos em conjunto, ser mais humanos e também mais divinos.

 

Quando a vida te dá limões

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A primavera chegou há quase um mês, mas nem sempre os dias têm sido primaveris. Entrecortados por dias de sol, a chuva continua a marcar a sua presença lá fora, o que pode ser desagradável para quem quem desfrutar de um passeio ao sol, mas é muito positivo para a agricultura e para que todo o ecossistema funcione da forma que deve funcionar. Os limoeiros dos meus vizinhos têm andado carregados de lindos e sumarentos limões e à minha porta têm aparecido sacos cheios daqueles belos frutos amarelos, gritando para que eu os use de formas criativas e deliciosas.

Tal como a natureza, a vida acontece assim: dias muito bons, entrecortados por dias menos bons, dias que preferíamos que não acontecessem. Também cá em casa tem sido assim: num momento de final de período letivo em que estamos assoberbados de trabalho burocrático relacionado com a atribuição de classificações aos alunos, acresceu uma doença inesperada da minha mãe que nos deixou a todos com um sabor amargo na boca. A vida tem destas coisas, mas acredito que as coisas acontecem com uma determinada razão e temos que ser humildes para tentar compreender qual a mensagem que estes acontecimentos nos trazem.

Há a expressão muito comum que diz “quando a vida te dá limões, faz limonada”. Tenho aproveitado esta doença inesperada da minha mãe para passar mais tempo com ela, cozinhar para ela, cuidar dela. Não sou mãe dela, nem o quero ser, nem ela precisa que eu o seja. Preciso apenas de estar mais próxima. Por vezes, com o excesso de trabalho e o acumular de tantas atividades, perdemos o rumo do que realmente importa. É preciso parar e verificar – decidir! – o que realmente importa para nós.

Neste momento, importa-nos que a mãe recupere, que se cuide melhor, que se respeite nos seus limites. Que se ame e se deixe amar pelo que é e não pelo que faz. Que decida o que realmente é importante na sua vida e que deite fora o que já não lhe interessa. Que se permita crescer na sua maior plenitude. E que seja feliz!

Nesta Quaresma, quando a vida me trouxe estes limões, eu fiz limonada. E fui bebê-la com a minha mãe. E vou fazer bolo be limão. E vou comê-lo com os amigos. E vou espremê-los e adicionar gin e tónica. E vou bebê-lo com o meu marido. Porque os limões podem ser azedos, mas, se bem aproveitados, ensinam-nos a tornar a vida melhor.

Abraçar@ Caldas da Rainha

Abraçar @Caldas

No dia 23 de março, acabadinhos de comemorar cinco anos de casamento, rumámos à minha terra-berço, a tão efervescente Caldas da Rainha, para a apresentação do Abraçar a Dor no Museu do Hospital e das Caldas, a convite do  Clube Soroptimist das Caldas da Rainha, através da minha amiga Isabel Vicente.

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Que bom foi poder rever amigos, conhecer novas pessoas e contar com a presença de um professor tão querido, tão especial, que me marcou tanto no ano de estágio pedagógico e, graças a quem sou professora hoje – o Professor Mário Tavares.

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A conversa sobre o livro estendeu-se e de apresentação passámos a tertúlia, que é o modelo de que gosto particularmente, pois todos temos coisas a acrescentar, a completar, nas histórias uns dos outros.

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Estar em casa foi um presente muito feliz. Foi bom poder regressar a casa com algo para oferecer à minha cidade, aos meus conterrâneos. Saí da minha terra em busca de trabalho e não penso em regressar por agora, porque a vida acontece e a minha vida é em Serpa. As raízes estão, neste momento da minha vida, a penetrar a terra Alentejana e, de tantas formas, o Alentejo já me canta na Alma. Mas o meu nascimento foi – e sempre estará – ligado à minha terra de berço, que amo de coração. E onde regressarei, sempre, para continuarmos a crescer juntas.

 

 

Abraçar@ | as minhas viagens

Quando sonhei escrever o Abraçar a Dor, sonhei, obviamente, apresentá-lo em vários locais. A terra que me viu nascer fazia todo o sentido e a terra que me acolhe atualmente também, até porque há muita história que as une (mas esse será tema para outro artigo aqui no blogue).

Desde que o livro foi publicado, tive a sorte de receber feedback de vários leitores que ou se identificaram comigo porque têm fibromialgia, ou também têm desafios nas suas vidas ou, simplesmente, que gostam de mim e apoiam o meu trabalho. Uma das minhas leitoras, muito querida, até sugeriu algumas revisões de texto, o que muito lhe agradeço, porque desde que sejam construtivas, todas as opiniões são bem recebidas por mim.

Divulgo na minha página, no separador livros, os locais onde estive e/ou onde estarei, os que ainda estão em preparação e os que já estão confirmados. Eis as aventuras de 2018.

ABRAÇAR@ SERPA LOVERS

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Este espaço, em Serpa, é-me muito especial. Pode ter sido, inicialmente, pelo facto da Vera ser mãe de um aluno meu, mas passou a ser porque a Vera é a Vera. É um espçao bonito, acolhedor, elegante, saudável e cheio de histórias e de amor para partilhar. A convite da Vera, foi ali que se deu o pontapé de saída para a tour Abraçar@. Tive o grato prazer de ter alunos, amigos, colegas e até (des)conhecidos comigo numa tertúlia que avançou pela tarde e nos encheu, a todos, os corações. Houve visitas surpresa e muito amor conversado e partilhado. Foi, de coração, o melhor kick-off que poderia ter tido.

ABRAÇAR @ BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SERPA

A Biblioteca Municipal de Serpa é uma casa para mim. Durante alguns anos ajudei a dinamizar um Clube de Leitura e, apesar de não fazer visitas muito frequentes (porque ainda considero que comprar livros me é essencial), continuo a sentir-me em casa quando lá estou, por isso, quando o convite surgiu, aceitei de imediato. Foi uma apresentação com a presença, mais uma vez, de pessoas a quem quero bem e que me querem bem. Mais do que vender livros, quero partilhar histórias e saberes. E sabores. E tem sido isso mesmo que temos feito nas sessões Abraçar@.

2018 foi um ano em grande: cheio de trabalho, mas também cheio de alegrias e de partilhas. Que 2019 seja assim e muito mais! Que os abraços se multipliquem e ajudem a fazer as pessoas felizes!