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Redenção | em busca da fé

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A Catedral de Notre Dame, em Paris, está a arder e o mundo observa, incrédulo, como as chamas devoram o símbola mais importante do Cristianismo em França. Nem Deus parece ter força para parar a destruição. Ou, quem sabe, foi o próprio Deus que permitiu que a destruição contecesse, em pleno período quaresmal, para que das cinzas nasça uma nova visão cristã do mundo, uma nova forma de agir, uma nova forma de sentir Deus.

Estes quarenta dias que precedem o Domingo de Páscoa são dias de profunda transformação, quer nos apercebamos ou não. Há vários anos que faço uma versão do jejum quaresmal – anulando o chocolate ou todos os açúcares da minha dieta, pois sou dependente deles e é um sacrifício enorme largá-los – mas este ano optei por não o fazer. Pelo menos conscientemente. Estes últimos quarenta dias têm sido de profunda transformação na minha vida, mesmo eu não tendo escolhido. Como diz um amigo meu, fazemos (ou não) planos para a vida, mas a vida acontece, e tem acontecido de tudo.

A Quaresma traz-nos redenção e renovação. Redenção, no sentido em que nos libertamos através do sacrifício (nosso ou de outro). Renovação, no sentido em que há um renascimento após este petíodo de redenção, que se devidamente vivido nos permite crescer e desenvolver de forma mais integral.

O incêndio de Notre Dâme destruiu parte do teto e o pináculo da catedral. Já se fazem esboços para a reconstrução. Que o fogo que nos arde dentro do coração e da alma durante estes dias permita que a nossa reconstrução pessoal seja feita de forma consciente e integrada, olhando para o que de positivo esta destruição interna nos traz e as possibilidades de crescimento que nos oferece. Para que possamos, todos em conjunto, ser mais humanos e também mais divinos.

 

Life & other bits, Uncategorized

Quando a vida te dá limões

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A primavera chegou há quase um mês, mas nem sempre os dias têm sido primaveris. Entrecortados por dias de sol, a chuva continua a marcar a sua presença lá fora, o que pode ser desagradável para quem quem desfrutar de um passeio ao sol, mas é muito positivo para a agricultura e para que todo o ecossistema funcione da forma que deve funcionar. Os limoeiros dos meus vizinhos têm andado carregados de lindos e sumarentos limões e à minha porta têm aparecido sacos cheios daqueles belos frutos amarelos, gritando para que eu os use de formas criativas e deliciosas.

Tal como a natureza, a vida acontece assim: dias muito bons, entrecortados por dias menos bons, dias que preferíamos que não acontecessem. Também cá em casa tem sido assim: num momento de final de período letivo em que estamos assoberbados de trabalho burocrático relacionado com a atribuição de classificações aos alunos, acresceu uma doença inesperada da minha mãe que nos deixou a todos com um sabor amargo na boca. A vida tem destas coisas, mas acredito que as coisas acontecem com uma determinada razão e temos que ser humildes para tentar compreender qual a mensagem que estes acontecimentos nos trazem.

Há a expressão muito comum que diz “quando a vida te dá limões, faz limonada”. Tenho aproveitado esta doença inesperada da minha mãe para passar mais tempo com ela, cozinhar para ela, cuidar dela. Não sou mãe dela, nem o quero ser, nem ela precisa que eu o seja. Preciso apenas de estar mais próxima. Por vezes, com o excesso de trabalho e o acumular de tantas atividades, perdemos o rumo do que realmente importa. É preciso parar e verificar – decidir! – o que realmente importa para nós.

Neste momento, importa-nos que a mãe recupere, que se cuide melhor, que se respeite nos seus limites. Que se ame e se deixe amar pelo que é e não pelo que faz. Que decida o que realmente é importante na sua vida e que deite fora o que já não lhe interessa. Que se permita crescer na sua maior plenitude. E que seja feliz!

Nesta Quaresma, quando a vida me trouxe estes limões, eu fiz limonada. E fui bebê-la com a minha mãe. E vou fazer bolo be limão. E vou comê-lo com os amigos. E vou espremê-los e adicionar gin e tónica. E vou bebê-lo com o meu marido. Porque os limões podem ser azedos, mas, se bem aproveitados, ensinam-nos a tornar a vida melhor.

Abraçar a Dor, Uncategorized

Abraçar@ Caldas da Rainha

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No dia 23 de março, acabadinhos de comemorar cinco anos de casamento, rumámos à minha terra-berço, a tão efervescente Caldas da Rainha, para a apresentação do Abraçar a Dor no Museu do Hospital e das Caldas, a convite do  Clube Soroptimist das Caldas da Rainha, através da minha amiga Isabel Vicente.

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Que bom foi poder rever amigos, conhecer novas pessoas e contar com a presença de um professor tão querido, tão especial, que me marcou tanto no ano de estágio pedagógico e, graças a quem sou professora hoje – o Professor Mário Tavares.

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A conversa sobre o livro estendeu-se e de apresentação passámos a tertúlia, que é o modelo de que gosto particularmente, pois todos temos coisas a acrescentar, a completar, nas histórias uns dos outros.

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Estar em casa foi um presente muito feliz. Foi bom poder regressar a casa com algo para oferecer à minha cidade, aos meus conterrâneos. Saí da minha terra em busca de trabalho e não penso em regressar por agora, porque a vida acontece e a minha vida é em Serpa. As raízes estão, neste momento da minha vida, a penetrar a terra Alentejana e, de tantas formas, o Alentejo já me canta na Alma. Mas o meu nascimento foi – e sempre estará – ligado à minha terra de berço, que amo de coração. E onde regressarei, sempre, para continuarmos a crescer juntas.

 

 

Abraçar a Dor, Uncategorized

Abraçar@ | as minhas viagens

Quando sonhei escrever o Abraçar a Dor, sonhei, obviamente, apresentá-lo em vários locais. A terra que me viu nascer fazia todo o sentido e a terra que me acolhe atualmente também, até porque há muita história que as une (mas esse será tema para outro artigo aqui no blogue).

Desde que o livro foi publicado, tive a sorte de receber feedback de vários leitores que ou se identificaram comigo porque têm fibromialgia, ou também têm desafios nas suas vidas ou, simplesmente, que gostam de mim e apoiam o meu trabalho. Uma das minhas leitoras, muito querida, até sugeriu algumas revisões de texto, o que muito lhe agradeço, porque desde que sejam construtivas, todas as opiniões são bem recebidas por mim.

Divulgo na minha página, no separador livros, os locais onde estive e/ou onde estarei, os que ainda estão em preparação e os que já estão confirmados. Eis as aventuras de 2018.

ABRAÇAR@ SERPA LOVERS

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Este espaço, em Serpa, é-me muito especial. Pode ter sido, inicialmente, pelo facto da Vera ser mãe de um aluno meu, mas passou a ser porque a Vera é a Vera. É um espçao bonito, acolhedor, elegante, saudável e cheio de histórias e de amor para partilhar. A convite da Vera, foi ali que se deu o pontapé de saída para a tour Abraçar@. Tive o grato prazer de ter alunos, amigos, colegas e até (des)conhecidos comigo numa tertúlia que avançou pela tarde e nos encheu, a todos, os corações. Houve visitas surpresa e muito amor conversado e partilhado. Foi, de coração, o melhor kick-off que poderia ter tido.

ABRAÇAR @ BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SERPA

A Biblioteca Municipal de Serpa é uma casa para mim. Durante alguns anos ajudei a dinamizar um Clube de Leitura e, apesar de não fazer visitas muito frequentes (porque ainda considero que comprar livros me é essencial), continuo a sentir-me em casa quando lá estou, por isso, quando o convite surgiu, aceitei de imediato. Foi uma apresentação com a presença, mais uma vez, de pessoas a quem quero bem e que me querem bem. Mais do que vender livros, quero partilhar histórias e saberes. E sabores. E tem sido isso mesmo que temos feito nas sessões Abraçar@.

2018 foi um ano em grande: cheio de trabalho, mas também cheio de alegrias e de partilhas. Que 2019 seja assim e muito mais! Que os abraços se multipliquem e ajudem a fazer as pessoas felizes!

 

 

 

 

Psicologia Positiva, Uncategorized

As palavras que dizemos

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Há alguns dias – não muitos, estava numa aula de Psicologia Positiva com as minhas alunas séniores onde falávamos de amor, de todas as vertentes e demonstrações de amor e sobre o quão importante o amor é para as nossas vidas. Num determinado momento, falávamos sobre como a escolha do que comemos é importante para a nossa saúde e que nem todas as “dietas” são boas para todos, pois há pessoas que conseguem reduzir imenso o peso e outras não. Uma das alunas chamou a atenção que a neurolinguística assenta no valor e na força das palavras no nosso cérebro e que quando dizemos que “perdi 5 quilos” o nosso cérebro vai fazer todos os possíveis para que os voltemos a “encontrar” porque o ser humano parece estar programado para “encontrar” aquilo que “perde”.

Conheço, há bastante tempo, os conceitos da neurolinguística, mas não me lembro de ter pensado nesta questão. Faz todo o sentido, não? Se nos debruçarmos sobre aquilo a que nos referimos como tendo “perdido”, veremos que andamos, ainda, à sua procura: perdi o meu marido (não encontro outro amor, porque ainda procuro aquele), perdi dez quilos (é melhor comer esta fatia de bolo para voltar a encontrá-los), etc. Isto é feito, obviamente, inconscientemente, sem que tenhamos noção do que está a acontecer, mas é importante que estejamos atentos. Essa aluna, por exemplo, quando se refere às oscilações da balança já não diz que perdeu peso (sensação de perda, de sofrimento, pois nascemos para ganhar), mas sim que reduziu, o que já não é tão forte para o nosso cérebro.

Já tinha alterado algumas expressões que usava como “nunca vou ser capaz”, “nunca vou fazer isso” ou “nunca mais”, pois são extremamente limitadoras e vão diminuir as possibilidades de que as coisas boas aconteçam. Agora, vou estar ainda mais atenta ao que digo e como digo. E vou ler sobre o assunto, pois aprender é crescer e ser mais feliz. Assim, é importante ouvir o que dizemos – e como dizemos – para que possamos ampliar ao máximo as possibilidades de felicidade nas nossas vidas. Porque está nas nossas mãos. E nas nossas palavras.

Emoções, Uncategorized

O amor é assim

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Hoje, como todas as segundas feiras, houve aula de Psicologia Positiva na Academia Sénior onde sou professora voluntária. E hoje falámos de amor, porque o mês de fevereiro, goste-se ou não, é um mês onde se fala, respira, compra, vende e só se vê amor por todo o lado.

Uma aluna mostrou o seu desagrado porque atualmente toda a gente fala de amor com a maior naturalidade, chama amor a tudo, enquanto que antigamente o amor era o que um casal sentia um pelo outro. Como o que ela sentia – e ainda sente – pelo homem com quem casou e de quem já se separou.

O amor tem destas coisas. O amor é tudo aquilo que queremos que ele seja: pode ser mau, pode ser bom, pode ser muito mau e pode ser muito bom. Hoje, na aula, falámos de tudo o que o amor nos fez lembrar: dos amigos, dos filhos, dos maridos. Da comida. Sim, porque cozinhar é um ato de amor e quando cozinhamos com amor, esse amor é sentido por quem o come. E se cozinhamos com dor, com aflição, com medo, esse “sabor” vai estar completamente impregnado no prato.

Há uns anos atrás, li um livro e vi um documentário sobre As Mensagens Escondidas na Água, de Masaru Emoto, onde este cientista demonstra que  água exposta a mensagens de amor ou de ódio tem um comportamento diferente, produzindo cristais, quando gelada, que são de uma beleza e brilho fantásticos (com palavras de amor) e que são escuras e baças (quando expostas a palavras de ódio ou raiva). Se o nosso corpo é amplamente composto por água, o que podemos concluir a partir deste estudo?

No seu livro Como Água para Chocolate, Laura Esquível conta uma passagem em que a personagem principal, depois de um desgosto inenarrável, é obrigada a cozinhar para um batalhão de pessoas e fá-lo, mas vertendo lágrimas constantes para a comida. O resultado? Terão que ler o livro, mas prometo que vale a pena e vai fazer-nos repensar o nosso estado de espírito quando cozinhamos. Cada gesto é um ato de amor. E tem que ser visto desta forma, ou acabaremos por perder o contato com a nossa essência e pôr em causa a nossa felicidade e o nosso bem estar.

Amor é isso mesmo. É tudo. É avassalador, é necessário, é essencial para a vida. Fomos feitos, como ser humano, para viver em e com amor. Para amar e ser amado. Cuidar e ser cuidado. Dar e receber. Para viver em comunhão.

O amor é assim. É descobrir, em cada dia da nossa vida, um sinal de amor, uma mostra de amor, uma promessa de amor. E dar, dar muito amor. O amor é daquelas coisas que se multiplica ao ser dado. Sem restrições.

Saúde e Bem Estar, Uncategorized

Coisas para fazer quando está doente

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Este ano começou quase da mesma forma como o anterior acabou: com um surto de gripe em Portugal. Sendo professora e partilhando espaços pequenos, fechados, com ar condicionado, com cerca de vinte adolescentes na flor da idade a cada noventa minutos, muito me admirei de só agora, em finais de janeiro, esta onda de gripe me atacar. Mas fê-lo e de forma exemplar: febres altas, dor de cabeça, ouvidos e garganta, rinite, sinusite e outras “ites”, e uma falta de força e de energia tal que apaga qualquer possibilidade de movimento.

Depois da visita obrigatória ao hospital, onde felizmente a lista de espera era curta, o regresso a casa trouxe-me um dilema: e agora, o que faço? Como (quase) todas as mulheres, a minha vida é dividida entre inúmeras tarefas diárias, obrigatórias, que me ocupam quase todas as horas do dia. Neste estado, no entanto, não estava em condições para fazer uma série delas. Os primeiros dois dias foram passados entre a cama e o sofá e, finalmente, ao terceiro dia, já me foi possível sair da posição horizontal que ameaçava assustadoramente adicionar 100g por dia ao meu peso quase perfeito.

A doença, como diz Louise Hay (e eu própria, no meu livro Abraçar a Dor, que, se ainda não comprou, não entendo do que está à espera para o fazer), tem um propósito. O meu corpo adoece quando está muito cansado e não consegue proteger-se das “ameaças do exterior”, sejam elas doenças ou (e cumulativamente) trabalho excessivo. Assim, esta gripe permitiu-me alterar alguns hábitos, nem que seja por alguns dias.

  1. passar tempo com os meus cães: como verdadeiros pais modernos, quando vamos trabalhar, por vezes deixamos os nossos “filhos” em casa da avó, onde são muito felizes e comem guloseimas o dia todo (não é para isso que as avós existem?); estando doente, tenho-me permitido passar tempo com eles, conversar, ouvi-los, mimá-los. Simplesmente estar com eles.
  2. ler: se nos primeiros dias foi impossível devido à febre elevada e às dores de cabeça, com o avançar dos dias tem sido possível escolher algumas leituras que venham adicionar conhecimento à minha vida. Neste momento estou a ler este livro – Oscar Wilde para Inquietos, de Alan Percy – que me provoca a cada página. Depois deste vou, definitivamente, precisar de algo mais light.
  3. ver filmes e (ou) séries: durante as semanas normais de trabalho, não sou muito TV dependente, mas nestes dias de febre, frio e dores, nada melhor do que uma série em que tudo corre bem ou, pelo contrário, em que tudo corre mal e nos sentimos melhor porque há vidas muito piores do que as nossas. Sei que parece mal dizê-lo, mas é por isso que o ser humano gosta de ver dramas, para se certificar que há coisas muito piores a acontecer a outras pessoas.
  4. dormir: não sei se é da medicação (extremamente rica em Vitamina C, um poderoso estimulante natural), mas tenho tido noites de sono muito curtas, chegando a acordar às 3 da manhã e não conseguir dormir mais. Acordo sem sono, como se já fosse de manhã, mas sem a energia recarregada, pois a gripe ainda está bem acesa em mim. Cada momentinho no sofá é um convite a uma soneca breve, com a minha cadela aos pés e uma manta quentinha a tapar-nos. Heaven, é o que é.
  5. não fazer nada: tem havido momentos esta semana em que, simplesmente, não faço nada. Não durmo, não vejo TV, não leio, não nada. Nada. Quieta. Sossegada. Sem fazer rigorosamente nada. É estranho,a  princípio, mas depois começa a fazer sentido. É disso que o corpo precisa para se regenerar.

É importante que encaremos a doença como um momento de crescimento e de aprendizagem muito importante para a nossa vida. O que fazemos com a doença está nas nossas mãos. Eu escolho crescer. E você?