Coisas para fazer quando está doente

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Este ano começou quase da mesma forma como o anterior acabou: com um surto de gripe em Portugal. Sendo professora e partilhando espaços pequenos, fechados, com ar condicionado, com cerca de vinte adolescentes na flor da idade a cada noventa minutos, muito me admirei de só agora, em finais de janeiro, esta onda de gripe me atacar. Mas fê-lo e de forma exemplar: febres altas, dor de cabeça, ouvidos e garganta, rinite, sinusite e outras “ites”, e uma falta de força e de energia tal que apaga qualquer possibilidade de movimento.

Depois da visita obrigatória ao hospital, onde felizmente a lista de espera era curta, o regresso a casa trouxe-me um dilema: e agora, o que faço? Como (quase) todas as mulheres, a minha vida é dividida entre inúmeras tarefas diárias, obrigatórias, que me ocupam quase todas as horas do dia. Neste estado, no entanto, não estava em condições para fazer uma série delas. Os primeiros dois dias foram passados entre a cama e o sofá e, finalmente, ao terceiro dia, já me foi possível sair da posição horizontal que ameaçava assustadoramente adicionar 100g por dia ao meu peso quase perfeito.

A doença, como diz Louise Hay (e eu própria, no meu livro Abraçar a Dor, que, se ainda não comprou, não entendo do que está à espera para o fazer), tem um propósito. O meu corpo adoece quando está muito cansado e não consegue proteger-se das “ameaças do exterior”, sejam elas doenças ou (e cumulativamente) trabalho excessivo. Assim, esta gripe permitiu-me alterar alguns hábitos, nem que seja por alguns dias.

  1. passar tempo com os meus cães: como verdadeiros pais modernos, quando vamos trabalhar, por vezes deixamos os nossos “filhos” em casa da avó, onde são muito felizes e comem guloseimas o dia todo (não é para isso que as avós existem?); estando doente, tenho-me permitido passar tempo com eles, conversar, ouvi-los, mimá-los. Simplesmente estar com eles.
  2. ler: se nos primeiros dias foi impossível devido à febre elevada e às dores de cabeça, com o avançar dos dias tem sido possível escolher algumas leituras que venham adicionar conhecimento à minha vida. Neste momento estou a ler este livro – Oscar Wilde para Inquietos, de Alan Percy – que me provoca a cada página. Depois deste vou, definitivamente, precisar de algo mais light.
  3. ver filmes e (ou) séries: durante as semanas normais de trabalho, não sou muito TV dependente, mas nestes dias de febre, frio e dores, nada melhor do que uma série em que tudo corre bem ou, pelo contrário, em que tudo corre mal e nos sentimos melhor porque há vidas muito piores do que as nossas. Sei que parece mal dizê-lo, mas é por isso que o ser humano gosta de ver dramas, para se certificar que há coisas muito piores a acontecer a outras pessoas.
  4. dormir: não sei se é da medicação (extremamente rica em Vitamina C, um poderoso estimulante natural), mas tenho tido noites de sono muito curtas, chegando a acordar às 3 da manhã e não conseguir dormir mais. Acordo sem sono, como se já fosse de manhã, mas sem a energia recarregada, pois a gripe ainda está bem acesa em mim. Cada momentinho no sofá é um convite a uma soneca breve, com a minha cadela aos pés e uma manta quentinha a tapar-nos. Heaven, é o que é.
  5. não fazer nada: tem havido momentos esta semana em que, simplesmente, não faço nada. Não durmo, não vejo TV, não leio, não nada. Nada. Quieta. Sossegada. Sem fazer rigorosamente nada. É estranho,a  princípio, mas depois começa a fazer sentido. É disso que o corpo precisa para se regenerar.

É importante que encaremos a doença como um momento de crescimento e de aprendizagem muito importante para a nossa vida. O que fazemos com a doença está nas nossas mãos. Eu escolho crescer. E você?

Leituras para o novo ano

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Quem me conhece sabe que sou uma leitora ávida. Com o começo do novo ano, porque qualquer desculpa é uma boa desculpa, faço um balanço do que li no ano anterior (com uma belíssima ajuda do GoodReads) e proponho-me a um número (habitualmente louco) de livros que vou ler no ano que se apresenta. Em 2017 propus-me ler 15 livros e li 22. Em 2018 propus-me ler 20 livros e acabei por ler 23. Em 2019 cometi a audácia de me propor a ler 30 livros. O primeiro já está quase no fim.

A escolha de livros para o ano pode ser planeada de várias formas e seguir vários modelos:

Por tema: posso, por exemplo, escolher um tema para cada mês do ano e ler livros que respeitem esse tema. Por exemplo, em fevereiro ter o tema AMOR como mote e ler poesia, romances cor de rosa (ou de outra cor), grandes romances de amor,… Em abril, mês da Páscoa, ler livros mais espirituais, de acordo com o momento que se vive.

Por género: posso atribuir um género a cada mês (poesia, drama, romance, ficção científica, ensaio, crónicas, biografia,…)

Por país de origem: há alguns anos, no Clube de Leitura que dinamizei na Biblioteca, fizemos isto durante alguns meses, lendo obras literárias de países que normalmente não escolhemos (Japão, Suécia, Noruega, Nepal,…)

Por cor: por questões de estética, tenho a minha biblioteca organizada por cores, colocando em cada prateleira os livros de determinada cor. Posso escolher uma cor para cada mês e deixar-me surpreender (descobri que não tenho quase livros nenhuns cor de rosa…)

Intercalar: decidi, este ano, tentar intercalar um livro de ficção com um livro de aprendizagem. A cada mês, um de cada. Ai mãe!

Por autor: posso, també, decidir que, em determinado ano, vou ler toda a obra de um autor. É uma aventura, só devemos fazê-lo se gostarmos mesmo desse autor.

Os clássicos: de acordo com The Western Canon / O Cânone Ocidental (Bloom:1994), há determinados clássicos que todos devemos ler. A sua lista é de 26 autores que, deverão, obrigatoriamente ser lidos por quem ama a literatura.

Seja qual for a opção, o importante é ler. Ler muito. E apreciar a leitura.

May the books be with you!

 

o poder do medo

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O medo é uma coisa terrível. É inacreditável como algo não palpável, não visível, pode controlar de tal forma a vida de um indivíduo. Como pode afastar a possibilidade de felicidade.

Todos nós começámos a sentir medo na infância, o que é perfeitamente normal. Tivemos medo do escuro, medo das pessoas estranhas, medo de barulhos desconhecidos. Esses medos fazem parte do nosso desenvolvimento e, com o tempo, hopefully, desaparecerão. Também há quem tenha medo de palhaços, de aves ou de insetos e estas fobias podem ser deveras limitadoras nas nossas vidas.

Lembro-me, quando era muito nova, de ter um medo terrível de cães. Nunca fora mordida nem atacada por nenhum, mas como era muito pequena, cada cão parecia-me quase um cavalo e isso assustava-me porque me fazia sentir vulnerável, que poderia ser derrubada ou atacada. Essa sensação de possibilidade de perigo é que me causava medo, não era propriamente o cão.

O medo é algo que se sente quando nos sentimos em perigo. Nem sempre quando sentimos medo estamos, realmente, numa situação de perigo; no entanto, essa é a sensação que temos. Este sentimento é transportado por nós para a vida adulta e pode, por vezes, limitar grandemente a nossa capacidade de crescer e ser feliz.

Há indivíduos que têm sonhos, que desejam ser e fazer uma série de coisas que nunca fazem, nem são, por medo. Há quem sonhe ser cantor, mas nunca vai a um casting por medo de ser rejeitado. Há quem queira mudar de emprego, mas não o faz por medo de não conseguir sustentar-se financeiramente. Há quem queira viajar mas não o faz porque tem medo de andar de avião.

Todos os medos que assolam a humanidade se resumem a dois: medo de ser rejeitado (de não ser amado) e medo de morrer (ou de perder o controlo da vida). Quando o medo se apodera de nós, pode tornar os nossos sonhos impossíveis de alcançar. Mas nós podemos alterar essa perspetiva. Ao analisarmos cada situação a fundo, podemos perceber se o medo é real (se a situação é realmente perigosa) ou se é uma situação que nos coloca “a jeito” de ser rejeitado ou de perder o controlo da vida. Falar em público é mesmo perigoso, ou pode colocar-me em risco de rejeição? Escrever um livro é perigoso, ou apenas coloca a possibilidade de ninguém o comprar e eu me sentir rejeitado?

No livro Feel the Fear and Do It Anyway, Susan Jeffers ensina-nos a reeducar a mente e a assumir uma perspetiva diferente de situações que nos causem medo. Em A Return to Love, Marianne Williamson diz que do que nós temos medo, mesmo, não é de não sermos “adequados”, mas sim de sermos poderosos. Temos medo da nossa luz. Assim, criamos uma “sombra” que nos controla.

Num momento em que o filme Birdcage relata de forma tão visceral o medo do que não se vê, convido cada um de nós a sentir o medo, a reconhecer a sua importância, a medir a sua razão de ser (a sua necessidade) e a agir, apesar dele. O medo já me travou em muitos momentos, mas também já me fez avançar tantas vezes que acredito, piamente, que é realmente poderoso. Basta decidir é qual é o poder que lhe damos.

Como ser o meu melhor em 2019

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O início de um novo ano é um momento propício a fazer planos, a desenhar sonhos, a criar possibilidades de futuro. É importante fazê-lo, dar asas a esse processo criativo, mas ainda é mais importante levá-lo a cabo.

A maior parte das pessoas que traça objetivos para um novo ano, desiste antes mesmo de começar. É bom sonhar, mas é necessário saber que as coisas não acontecem só porque as desejamos (ou acontecem, como promete a Ronda Byrne?). É necessário manter o foco e levar a cabo as ações necessárias para que as coisas aconteçam. Eu não vou perder 5kg só porque digo que sim. Não vou ganhar 2 milhões na raspadinha se não comprar uma. Não vou começar uma nova relação (amorosa ou de amizade) se não sair para conhecer pessoas.

Em cada início de ano, devemos almejar a ser o nosso melhor nesse ano. Ser melhores do que fomos no ano anterior. Sem stress. Sem angústias. Com propósito.

  1. arriscar: este ano, arrisco mais, sou mais afoita, saio mais da minha zona de conforto, para poder crescer e ganhar asas.
  2. dizer não: este ano, digo não ao que me fere, ao que não me ajuda a crescer, ao que (e a quem) não contribui para o meu bem estar.
  3. dizer sim: este ano, digo sim a novas experiências, a novas amizades, a novas possibilidades; digo sim a mim e aos que eu amo.
  4. poupar: este ano, poupo mensalmente para poder viajar mais, visitar mais, experimentar mais, viver mais; poupo-me de cansaço, de irritações e de tristezas.
  5. investir: este ano, invisto parte do que poupo para poder gerar um maior bem estar no futuro, para que possa, em qualquer altura, adquirir bens que contribuam para o meu bem estar; invisto, também, em mim, para ser mais feliz.

O meu melhor deste ano inspira-se nos meus melhores momentos de anos anteriores, mas reinventa-se, porque a estagnação pode não matar, mas corrói. O seu melhor deste ano ainda está para vir, por isso, mãos à obra. Vamos construir a melhor versão de nós próprios, rumo a um maior bem estar, a um estado de felicidade maior, mais ligada, mais conectada aos outros e ao nosso verdadeiro propósito neste mundo. Feliz ano novo!

O verdadeiro significado do Natal

Quando era criança, ao entrar para a escola primária, comecei, também, a frequentar a catequese. Pouco a pouco fui aprendendo mais sobre uma história que já tinha começado a aprender em casa, pela voz da minha mãe. Uma história que falava de Amor, de Renovação e de Alegria.

O Natal é uma época do ano em que somos convidados ao recolhimento, a uma reflexão profunda sobre o verdadeiro sentido da vida. Colocado, no calendário, mesmo ao virar do solstício de Inverno, este momento oferece-nos uma nova oportunidade, um novo nascimento para a Vida. No entanto, muitas vezes ficamos ofuscados pelas luzes de Natal, pelos cheiros, pela gula, pelo medo da solidão e acabamos por dedicar-nos ao desperdício, à ostentação e a compras desenfreadas na tentativa de enchermos os outros (e nós próprios) de amor.

O meu Natal este ano foi uma experiência de profundo crescimento. Como tantas outras pessoas, perdi-me nas compras. Exagerei. Deixei-me ofuscar pelas luzes. Fiquei desiludida porque os presentes que recebi não correspondiam às minhas expetativas. Pensei que algumas pessoas não me conhecem verdadeiramente. Que eu não conheço verdadeiramente as pessoas. E isso trouxe uma profunda tristeza ao meu coração. Não pelos presentes, mas pela importância que lhes estava a dar. Aos presentes e não às pessoas. E chorei.

O verdadeiro significado do Natal é o nascimento da salvação, o nascimento de uma esperança renovada que está nas nossas mãos, nos nossos corações. Acreditemos em Deus ou não, este é o momento certo – é o verdadeiro momento – em que nos podemos virar para o nosso coração e finalmente ouvi-lo. Ouvi-Lo. E este é o momento certo para preparar um novo ano com mais sentido, com mais significado, fazendo com que, realmente, possa ser Natal todos os dias.

Feliz Natal, e que o novo ano possa trazer muito mais significado às nossas vidas.

Fazer refresh | quando é preciso agir em grande

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Há uns anos atrás, ao sair do Mestrado Executivo em Psicologia Positiva, do ISCSP-UL, criei um projeto dirigido aos cerca de 400 portadores de nanismo em Portugal. Chamava-se Agir em Grande e pretendia criar uma fonte de informação e de troca de partilhas entre as pessoas que, como eu, vivem com o facto de ser de baixa estatura.

Nessa altura, ao tentar contactar o máximo de pessoas possível com esta característica física, deparei-me com o triste facto que apenas 8 pessoas, das tantas contactadas diretamente, acederam a responder ao inquérito. O projeto, que tinha como objetivo servir esta comunidade, morreu à nascença. Percebi que havia pessoas que não queriam encontrar-se com outras iguais a si. Que não queriam crescer e evoluir. As respostas ao questionário que apliquei eram, na sua maioria, de alguém que não se sentia bem no seu isolamento mas que também não estava a querer sair daquele espaço.

Acredito que todos temos uma missão, um propósito. Cada um de nós carrega, em si, o dom de ser feliz, como diz a canção. Li, em tempos, uma frase, quando buscava incessantemente o meu propósito de vida, que dizia que mais importante do que andar constantemente (e cansativamente) em busca de um propósito de vida, o que é realmente importante é viver uma vida com propósito. Acredito que trago comigo o propósito de incentivar ao bem-estar e à felicidade. Em cada dia, em cada espaço onde entro, com todas as pessoas com quem me relaciono.

O projeto Agir em Grande, da forma como nasceu, transformou-se. Carreguei no botão refresh e tornei a expressão que dava nome ao projeto um lema de vida. Apesar de ser de baixa estatura, só acredito em fazer as coisas em grande. Não ando a brincar de viver. Prefiro viver e brincar.

Hoje, recomeça o meu projeto, o projeto Filomena Mourinho. Quem eu sou. A pessoa, a professora, a formadora, a voluntária, a atriz amadora, a aprendiz de cantora, a autora, a leitora voraz. E recomeça em grande. Porque a vida é uma bênção demasiado valiosa para ser vivida em versão mini.

Um Rasto de Alfazema | Filomena Marona Beja

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Este foi o primeiro livro de Filomena Marona Beja – que partilha o nome comigo – que alguma vez li. Numa ida à Biblioteca Municipal, a capa chamou-me a atenção e o nome da autora, confesso, também: as Filomenas devem ler as Filomenas. Assim, trouxe-o como leitura de férias, pois leio imenso autores estrangeiros e conheço muito pouco do que se escreve (bem) em Portugal.
Confesso que inicialmente, a escrita de Filomena Beja me incomodou. A sua escrita “sincopada, mas firme”, como promete na primeira orelha, deixou-me, inicialmente, desconfortável e a quase desistir da leitura em alguns momentos. Mas a história prendeu-me e o que começou por ser inquietante integrou-se em mim e compreendi que a escrita tinha mesmo que ser assim para contar aquela(s) história(s).
As personagens pegam-se a nós à medida que as vamos descobrindo e que nos vamos envolvendo com elas. As suas perdas são as nossas, os seus enleios são os nossos, as suas (des)aventuras são as nossas.
Filomena Marona Beja conquistou-me. Vou querer ler mais da sua pena.

A luz de Amsterdão: inspirações de uma viajante

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Amsterdão fica tão perto de minha casa como o Porto. Sim. Para ir ao Porto, faço cerca de dez horas de viagem de automóvel (cinco para cada lado) por estrada nacional e autoestrada, com uma ou duas paragens para descanso e um snack. Em três horas, um vôo da TAP deixou-me em Amsterdão, depois de uma viagem de duas horas de automóvel até Lisboa. Valeu a pena. Viajar vale muito a pena, e é a única coisa que podemos comprar que nos torna, efetivamente, mais ricos.

Até há alguns anos, nunca tinha sonhado visitar os países nórdicos, mas uma visita pedagógica à Suécia num Projeto Comenius da escola onde lecionava deu-me uma perspetiva nova destes países e aguçou-me a vontade de conhecer mais. A Holanda entrou na minha lista logo em primeiro lugar devido às imagens que conhecia de revistas de viagens e da televisão.

A preparação da viagem foi quase nula. Tirando a marcação de vôos, de hotel, de táxi de e para o aeroporto, não preparei mais nada. Não quis saber o que visitar, exceto alguns museus. Com o passar do tempo, tenho-me habituado a deixar que as cidades se desvendem, me mostrem o que querem que eu visite e quero, essencialmente, deixar-me deslumbrar.

O facto de não ter procurado imagens do que poderia visitar fez com que cada encontro, cada visita, cada mudança de rua fosse, nesta viagem, uma oportunidade de me deixar encantar por uma cidade muito cosmopolita, muito aberta, muito acolhedora e que aceita a diferença. Não é uma cidade tolerante: tolerar significa “aguentar” (eu tolero-te, mas não quer dizer que gosto de ti). Amsterdão é uma cidade onde nos sentimos completamente integrados, sejamos quem formos, sejamos como formos. Chegámos logo após à Gay Pride Week e os arco-íris ainda iluminavam as ruas da cidade, assim como uma animação e um fervilhar de gente nas ruas. Mas Amsterdão fervilha sempre, em qualquer altura. E apesar da quantidade de visitantes, nunca me senti assoberbada, ou com um sentimento de claustrofobia, porque não havia excesso de pessoas. Foi perfeito.

Em cinco dias, tive bastante tempo para visitar a cidade velha a fundo e deixar-me apaixonar pelas ruas, os canais e o Amstel, o rio que dá nome à cidade. Deixei-me desconstruir no Museu de Arte Moderna, admirei Rembrandt no Rijksmuseum e absorvi as cores e a loucura de Van Gogh no museu com o seu nome. Conheci a cidade por terra e rio, a pé e de barco Hop On Hop Off, experimentei a gastronomia internacional em cafés, bares e restaurantes que nos apareciam pelo caminho e tive no dedo anelar um anel com diamantes no valor de quatro mil e quinhentos euros (no Museu do Diamante). Enfim, vivi Amsterdão em pleno.

As pessoas de Amsterdão – muitas delas não são autóctones – são acolhedoras e fazem-nos sentir especiais, mas sem falsidade. Tratam bem os turistas. Por duas vezes, fui abordada na rua para me cumprimentarem pelos meus vestidos, de uma forma educada, sorridente, simpática, sem segundas intenções. Só porque sim. E apaixonei-me, ah sim, apaixonei-me pela cidade que sinto como o local ideal para se viver. Terá os seus defeitos, como todas as cidades, mas é um local onde todos somos iguais e temos os mesmos direitos.

Um amigo meu diz que se não vivesse na sua aldeia natal (a qual recusa abandonar, mesmo de férias), o único sítio onde se imaginaria a viver era em Sevilha. Pois eu, se algum dia decidir sair de Portugal, será muito provavelmente em Amsterdão que me vejo a viver. Quem sabe…

 

 

Abraçar a dor – abraçar a fibromialgia

ABRAÇAR A DOR

O mês de julho, que agora finda, viu nascer uma série de fenómenos fantásticos. O meu nascimento, no dia 20, o eclipse lunar no dia 27 e, entre um e outro, a publicação do meu primeiro livro: Abraçar a Dor.

Este sonho, de que eu já falei aqui, nasceu há algum tempo, mas só este ano ficou pronto para ver a luz do sol. No fundo, trata-se de uma viagem através dos últimos anos, em que fui conhecendo melhor quem sou, o que a fibromialgia é, e como somos as duas juntas.

Ao contrário de alguns autores, preferi olhar para aquilo que posso fazer, ao invés de passar páginas e páginas a lamuriar-me de quão mau é viver com fibromialgia. Há pessoas sem fibromialgia que vivem bem pior do que eu, porque têm depressão, têm outras doenças crónicas, ou, simplesmente, têm medo de viver.

Em nenhum momento menosprezo o sofrimento alheio – nem o meu. Apenas abro uma porta (ou pelo menos uma janela) para uma outra forma de viver com a fibromialgia, numa perspetiva de poder pessoal. Tenho fibromialgia, quanto a isso não tenho qualquer controlo, mas tenho o poder pessoal para vivê-la da melhor forma possível.

Ora isso implica trabalho. Detesto fazer exercício físico, mas trabalho duro no ginásio três vezes por semana. Adoro comer, mas faço uma alimentação que adequei depois de ampla investigação sobre o tema da alimentação na fibromialgia. Durmo as horas necessárias, mas não passo a vida deitada, apesar de haver dias em que não me apetece sair da cama. Não tomo medicamentos “indicados” para a fibromialgia pela medicina convencional (por opção minha), mas faço uma suplementação adequada que me equilibra e me mantém funcional. É fácil? Não. Mas é eficaz.

Partindo das minhas reflexões, escrevi, então, este livro, que pode (e deve) ser lido por quem tem fibromialgia, mas também por quem tem Lupus, Doença de Crohn, ou qualquer outra doença crónica. Deve ser, inclusivamente lido, por quem não tem doença nenhuma, mas que deseja ser mais feliz. Porque dores todos temos, mesmo que não sejam físicas.

O livro está disponivel nas lojas FNAC, Bertrand (neste momento com 10% de desconto), Chiado e WOOK (com 20% de desconto). Se preferir adquirir diretamente à autora e beneficiar de uma dedicatória individualizada, então entre em contacto comigo. Mas atreva-se a lê-lo e a partilhar as suas experiências.

 

 

3 boas razões para escrever um livro

Yay For Rosé! (2)

Quando cheguei aos 40 anos, sabia que queria mais coisas da vida para além do que fazia profissionalmente. Adoro a minha profissão – a minha missão – mas confesso que não consigo fazer apenas uma coisa na vida. Não gosto de ser multitasker, de fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas preciso de algo que complemente a minha vida profissional. Assim, declarei que até aos 45 anos decidiria fazer algo mais.

A decisão de escrever um livro veio durante um processo de trabalho com a minha coach de Career Redesign, Lourdes Monteiro. Durante esse processo percebi o que poderia fazer, o que poderia dar às pessoas. E parte desse caminho, dessa dádiva, era um livro. A escolha do tema foi simples, pelo menos foi assim que o senti, e versou algo que fazia sentido para mim e cujo tema não estava bem tratado em livro em Portugal.

Existem várias razões para se escrever um livro; estas são apenas algumas.

Gostar de escrever

“Há muita gente que escreve, toda a gente agora julga que é escritor”, ouvi duas colegas minhas dizer. Escrever é uma arte, mas também é um processo, e se nem todos podemos ser Saramago, ou Graham Greene ou Sepúlveda, todos temos o direito de nos expressar através da escrita. Se com isso conseguirmos que algumas (de preferência muitas) pessoas leiam o nosso livro, ainda melhor. E se pudermos ganhar dinheiro com isso, é um bónus que não podemos recusar. Quem gosta de escrever tem o direito de escrever. E de publicar, se assim o desejar. A partir daí, é o destino que dita as regras.

Ter algo para partilhar

Quem escreve, mais do que qualquer outra coisa, partilha algo seu. No meu caso, decidi partilhar algo que me diz respeito, uma questão de saúde – a fibromialgia – e a forma como lido com ela. Escrever serve, também, como catarse e é uma forma muito válida para nos conhecermos melhor.

Fazer algo que ainda não foi feito

Em Portugal existe apenas um livro editado sobre o tema da fibromialgia, quando está estimado que cerca de seis por cento da população sofre com esta doença. O livro que li (o único no mercado) debruçava-se profundamente sobre as limitações que esta doença traz, as dores, o que se perde na vida. Sem menosprezar o sofrimento (nem o meu, nem o das outras pessoas com fibromialgia), decido dar uma perspetiva diferente, mais empoderadora, mais ativa. Fiz o que ainda não tinha sido feito.

E é assim que acredito que todos nós temos, pelo menos, um livro dentro de nós, pronto a ser escrito. Este foi o meu, o primeiro. Outros já se encontram a caminho. E o seu, onde está?