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Utopia|sonhar com o (im)possível

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A palavra utopia aparece no nosso discurso sem que saibamos a sua origem. Quando dizemos que alguma coisa é utópica, significa que é impossível de realizar, de conseguir. Mas a origem da palavra foi inventada por Thomas More, um filósofo e político inglês do século XVI, que a utilizou para dar título à sua obra mais importante. Utopia, na sua obra, é o nome de uma ilha que tem uma sociedade igualitária, onde não há propriedade privada, mas todos os bens são comuns, e onde os cidadãos têm todas as possibilidades para serem felizes.

Ao lermos as descrições de Utopia, é difícil acreditar que esta obra foi escrita há tantos séculos e já nesta altura se sonhava com uma sociedade assim. Parece impossível. Mas será? Desde a escrita deste livro, houve várias tentativas de criar cidades baseadas neste modelo humanista, e algumas conseguiram vingar e manter-se ativas.

Utopia representa aquilo que parece impossível, mas que com o devido empenho é possível alcançar. Com a devida vontade. Porque com trabalho e empenho podemos conseguir o que muitas vezes pensamos ser inalcançável.

Este conceito aplica-se a tudo. A uma sociedade utópica. A uma família utópica. A uma escola utópica. Acredito, cada vez mais, que a utopia só existe dentro da nossa cabeça. Que, com o devido trabalho, tudo se pode construir. Uma sociedade humanista. Uma escola humanista. Crianças e adolescentes mais felizes.

A ilha de utopia podia ser um lugar que não existia. Mas, com o devido empenho, a escola humanista para todos poderá passar de utopia a realidade. E aí, seremos todos muito mais felizes.

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On death and dying | crónicas de mortes não anunciadas

O último dia do mês de julho foi de despedida e de tristeza. Despedi-me do meu amigo Phil, inglês que vivia em Portugal há vários anos com a mulher e que me apresentou os livros de Jeffrey Archer. Nesse mesmo dia, em que foi cremado, soube da passagem de outra amiga que conheci no mesmo ano e no mesmo local que o Phil. Esta amiga, a Vera, não sobreviveu a ELA e ELA foi impiedosa até ao último momento.
A dor de ver partir as pessoas de quem gostamos é colossal. Não posso dizer que conhecesse muito bem o Phil e a Vera, mas a sua passagem para um outro plano deixou-me mais pobre. Chorei a sua partida, despedi-me e estou a caminhar em frente. Até há poucos anos, não lidava bem com a morte – simplesmente, não lidava, ponto final. Era como se não existisse. O luto pela morte do meu pai foi feita quase trinta anos depois e jurei que não deixaria mais essa dor viver dentro de mim eternamente. As coisas são para ser vividas e o nascimento e a morte são duas faces da mesma vida. Hoje, despeço-me de quem parte com a certeza de que nos encontraremos um dia, onde quer que seja. E, igualmente, com a certeza, de que onde estão, sabem que os amo e eu sei que estarão a olhar por mim.
Phil, we’ll always have Jeffrey Archer. Verinha, teremos sempre gin&tonic.

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Reinvenção numa noite de verão

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Julho é o mês do meu aniversário. Há uns anos atrás, por esta altura, estaria a viver aquilo que um amigo meu, de quem muito gosto, chama de “inferno astral”. Supostamente, o mês anterior e o mês após o nosso aniversário seria um período “infernal” em que tudo nos acontece. A verdade é que quando ele me disse isto, eu, que antes nunca tinha vivido infernos astrais, passei a vivê-los anualmente. Até que um dia, o Nuno me disse “tu estás a viver um inferno astral porque te estás a focar nisso”. Pura verdade. Foi também, nessa altura, que a minha amiga Carol começou a publicar na sua página de Facebook as diversas celebrações do seu aniversário, que começam quase um mês antes e apenas terminam um mês depois do seu aniversário. Ora bolas! Eu também quero um Céu Astral que dure dois meses.

A mudança de perspetiva é de uma importância extrema se queremos ser amplamente felizes. Eu andava perfeitamente o ano inteiro e vivia um mês complicado perto do meu aniversário. Porquê? Porque era isso que eu esperava que acontecesse. Com a mudança de paradigma, agora começo a sonhar, a desenhar e a esperar coisas muito boas na envolvência do mês de julho. Para além de ser o mês do meu aniversário, é o mês sete, é o mês das Noites na Nora, é o mês em que fui pedida em casamento (e aceitei), é o mês em que, finalmente, posso começar a ler mais. O mês de julho é o melhor mês do ano!

No ano em que me mudei para a cidade onde vivo hoje, uma amiga tinha ido assistir ao concerto da Madonna em Lisboa, da digressão The Reinvention Tour, e contou-me que, ao terminar, o palco ficou todo negro e surgiu a frase REINVENT YOURSELF. Ela encarou esta mensagem como sendo um sinal de que estava no momento certo para fazer uma mudança na sua vida. E fê-la.

Ontem, ao ler este post no blogue onde também sou co-autora, a questão da reinvenção, da mudança, do crescimento pessoal através da alteração de padrões conhecidos tocou-me particularmente. Julho é, para mim, um mês de reflexão, de mudança, de crescimento. Muito mais do que o final do ano, esta sim é a altura em que faço balanços e em que me proponho a novos vôos.

Reinventarmo-nos é bom. Ajuda-nos a crescer, a sair do marasmo da vida quotidiana e a ver o mundo com uma perspetiva diferente. É como se mudássemos a lente da nossa câmara fotográfica, pois não nos mudamos apenas a nós, mas também a forma como vemos o que nos rodeia.

Hoje vou reinventar-me. Vou pegar em mim e transformar-me na melhor versão de mim mesma.

discriminação, esperança, nanismo

David num mundo de Golias

 

Decidi rescrever um post que já tinha publicado num outro blogue meu, há dez anos. Não porque não me sinta inspirada, mas porque gosto do que escrevi, é a mais pura verdade e dá para dar a conhecer um pouco mais do que é ser-se eu.

Nasci há 43 anos, quando ainda não havia ecografias pélvicas, com um problema genético que dá pelo nome vulgar de nanismo. Hoje meço 1,20m e, felizmente, vivo uma vida que me deixa amplamente satisfeita. Como costumo dizer, não me chateia nada ser anã; o que me aborrece é que não me deixem ser anã à vontade.

Algumas vantagens que existem são o facto de poder usar roupa de criança, que é bem mais em conta do que os tamanhos de adulto. Felizmente, há imensas marcas com roupa de muita qualidade sem ser “abebezadas”, como a Zara, a Zippy, a Vertbaudet, a Monsoon, entre outras. Para sapatos de salto alto, long live the Internet, com lojas estrangeiras (espanholas e inglesas) a garantir-me sapatos de qualidade e que me enchem os olhos.

A maior desvantagem é o preconceito. Ir na rua e ouvir comentários jocosos, desrespeitosos. Li uma vez que o nanismo é a única deficiência que provoca o riso nos outros. Pelo que tenho observado, é verdade. Não se ri de um invisual. Não se ri de um deficiente auditivo. Muita gente ri de um anão. Graças à forma como lido com a minha deficiência e com as pessoas que me cercam (alunos, amigos, conhecidos), não sinto preconceito diariamente, mas por vezes acontece. E, por vezes, de onde menos se espera.

Outra desvantagem são as caixas multibanco, que não estão preparadas para os portadores de deficiência. Já me disseram que não há muitos anões, por isso não foi tido em conta. Mas ao deixar de fora pessoas de baixa estatura, está-se a deixar de fora, igualmente, as pessoas que se deslocam em cadeiras de rodas, que também não conseguem aceder à maior parte dos ecrãs. Em Inglaterra, Irlanda, Suécia e Espanha, as caixas multibanco estão acessíveis a todas as pessoas.

Espero, e tenho andado a fazer o que me é possível, para que cada vez mais vivamos num mundo onde todos somos iguais: negros, brancos, deficientes, seguidores de religiões diferentes,… Sou professora, e com os meus alunos vivemos isso, dia a dia, em cada minuto. E que bom é ver que, para uma criança bem novinha, todos são iguais. É a partir do momento em que são “ensinados” a discriminar, tantas vezes através do exemplo, que elas começam, também, a discriminar. Isto leva-nos a pensar…