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Acreditar | uma questão de honra

A fé salva. Qualquer que seja o ponto de vista, a fé é essencial para uma vida plena e feliz. Fé em Deus, numa força maior que nos ultrapassa, qualquer que seja o nome que lhe chamemos. Essa fé, esse acreditar, é onde vamos buscar forças para os desafios das nossas vidas e onde agradecemos as bênçãos que recebemos diariamente.

A fé também pode matar. Quando falamos nas mortes pela fé, lembramo-nos dos movimentos radicais islâmicos, que são tantas vezes confundidos com a religião muçulmana. Mas mesmo no seio do catolicismo há movimentos radicais, extremistas que, ao tentarem salvaguardar a fé católica conseguem, isso sim, matar a fé no coração dos crentes.

Quando será que chegaremos a um momento em que faremos o que Deus, nas palavras de Seu filho, pediu: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Sem exceções.

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In memoriam



Eu tive uma amiga que acompanhou dez anos da minha vida. Encontrámo-nos quando eu estava prestes a fazer dezanove anos. Acompanhou-me no estudo para os exames de Latim no primeiro ano da Faculdade, tarefa penosa e stressante. Trouxe-me luz na confusão que estava a minha vida. Acolhi-a com amor e uma entrega profunda, que me foi retribuída em cada dia, em cada olhar, em cada beijo ao acordar. Quando me lembro do seu olhar, do seu companheirismo, ainda choro. Às vezes, ainda a sinto por perto e, junto com a tristeza da sua ausência, sorrio e acolho-a.
A Duda era a minha cadela. Morreu envenenada, não sabemos bem como. Esperou eu ir de fim de semana a casa para um último adeus. Ainda lhe fiz reiki, numa tentativa desesperada de salvá-la. Mas ela sabia que não era para ficar, e afastou a minha mão. Morreu alguns dias antes do meu vigésimo nono aniversário.
Tenho saudades da forma como me acolhia quando eu chegava a casa. De como ladrava de felicidade quando a levava a passear de carro. De como adorava café com leite e pão com manteiga. Com ela aprendi a compartilhar, a respeitar, a amar, a cuidar, a assumir responsabilidades. A vida dela marcou dois períodos muito importantes na minha vida: a sua chegada foi durante uma fase de solidão minha, e partiu quando encontrei o Amor. Foi como se soubesse que o seu papel na minha vida estava cumprido. E quando a peça de teatro, que é a vida, termina, há que deixar cair o pano e seguir em frente… para a próxima grande estreia!
Esta semana dissemos adeus à casa onde passei vinte e oito anos da minha vida, dez dos quais com a Duda. Ao despedir-me da casa, despedi-me, igualmente, da sua presença nela, ainda tão forte. Não sei se nos acompanhou para o Alentejo, se ficou para acolher os novos inquilinos ou se, simplesmente, está a brincar no arco-íris até que chegue a hora de nos encontrarmos de novo. Mas o que sei é que a minha vida não seria o que é hoje se ela não tivesse participado nela.

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On death and dying | crónicas de mortes não anunciadas

O último dia do mês de julho foi de despedida e de tristeza. Despedi-me do meu amigo Phil, inglês que vivia em Portugal há vários anos com a mulher e que me apresentou os livros de Jeffrey Archer. Nesse mesmo dia, em que foi cremado, soube da passagem de outra amiga que conheci no mesmo ano e no mesmo local que o Phil. Esta amiga, a Vera, não sobreviveu a ELA e ELA foi impiedosa até ao último momento.
A dor de ver partir as pessoas de quem gostamos é colossal. Não posso dizer que conhecesse muito bem o Phil e a Vera, mas a sua passagem para um outro plano deixou-me mais pobre. Chorei a sua partida, despedi-me e estou a caminhar em frente. Até há poucos anos, não lidava bem com a morte – simplesmente, não lidava, ponto final. Era como se não existisse. O luto pela morte do meu pai foi feita quase trinta anos depois e jurei que não deixaria mais essa dor viver dentro de mim eternamente. As coisas são para ser vividas e o nascimento e a morte são duas faces da mesma vida. Hoje, despeço-me de quem parte com a certeza de que nos encontraremos um dia, onde quer que seja. E, igualmente, com a certeza, de que onde estão, sabem que os amo e eu sei que estarão a olhar por mim.
Phil, we’ll always have Jeffrey Archer. Verinha, teremos sempre gin&tonic.

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44 and counting | celebrar o dom da vida

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Este ano faço 44 anos. Gosto de celebrar o meu aniversário – sempre gostei – e de receber presentes. Mas mais do que receber, gosto muito, mas mesmo muito, de estar com quem gosto e dar um pouco de mim. Gosto de organizar jantares com amigos, oferecer mimos e iguarias aprimoradas por uma vontade de alimentar não apenas os seus estômagos, mas também as suas almas.

Comprei presentes para mim – faço-o sempre, no Natal e no meu aniversário. E, como a minha amiga Carol, decidi que este ano vou estender as celebrações durante um período de tempo que me permita estar com vários amigos, que estão espalhados por várias zonas do país (e do mundo). Ontem, lembrei-me de fazer uma celebração de 44 dias, um para cada ano de vida. Em cada dia, arranjarei forma de celebrar o dom da vida. Simultaneamente, celebrarei 44 dias de pay it forward, isto é, fazer o bem sem olhar a quem. Por cada ano de bênçãos recebidas, farei algo por alguém sem esperar nada em troca. Não irei retribuir o que me foi feito ou dado. Irei, simplesmente, passar ao outro e não ao mesmo, no bom sentido.

Inspirada por esta visão, não posso deixar de lembrar a experiência de gratidão e de paz que vivi há uns anos com os monges budistas da tradição Theravada (os monges da floresta). Orar, meditar, amar e fazer o bem. Daí a escolha desta imagem, de um pequeno monge, em meditação. Porque meditar também é celebrar.