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As coisas simples da vida

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Ontem esteve um lindo dia de sol, apesar do frio. Depois de um dia muito atarefado, com imensas viagens de carro para cima e para baixo na cidade, paragens aqui e ali, recados para tantos lugares, cheguei finalmente ao bairro onde vivo. Antes de dar a curva, pensei: quem me dera ter uma varanda; agora ia sentar-me ao sol a beber um cházinho e a ler o meu livro. Assim que estacionei e saí do automóvel, olho para cima e vejo a minha vizinha do primeiro andar. Sentada ao sol. Na varanda. Sorri. As coisas simples da vida são tão boas. Não tenho varanda. Não me sentei ao sol. Mas a alegria da minha vizinha deu-me a mesma sensação de paz e alegria.

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In memoriam



Eu tive uma amiga que acompanhou dez anos da minha vida. Encontrámo-nos quando eu estava prestes a fazer dezanove anos. Acompanhou-me no estudo para os exames de Latim no primeiro ano da Faculdade, tarefa penosa e stressante. Trouxe-me luz na confusão que estava a minha vida. Acolhi-a com amor e uma entrega profunda, que me foi retribuída em cada dia, em cada olhar, em cada beijo ao acordar. Quando me lembro do seu olhar, do seu companheirismo, ainda choro. Às vezes, ainda a sinto por perto e, junto com a tristeza da sua ausência, sorrio e acolho-a.
A Duda era a minha cadela. Morreu envenenada, não sabemos bem como. Esperou eu ir de fim de semana a casa para um último adeus. Ainda lhe fiz reiki, numa tentativa desesperada de salvá-la. Mas ela sabia que não era para ficar, e afastou a minha mão. Morreu alguns dias antes do meu vigésimo nono aniversário.
Tenho saudades da forma como me acolhia quando eu chegava a casa. De como ladrava de felicidade quando a levava a passear de carro. De como adorava café com leite e pão com manteiga. Com ela aprendi a compartilhar, a respeitar, a amar, a cuidar, a assumir responsabilidades. A vida dela marcou dois períodos muito importantes na minha vida: a sua chegada foi durante uma fase de solidão minha, e partiu quando encontrei o Amor. Foi como se soubesse que o seu papel na minha vida estava cumprido. E quando a peça de teatro, que é a vida, termina, há que deixar cair o pano e seguir em frente… para a próxima grande estreia!
Esta semana dissemos adeus à casa onde passei vinte e oito anos da minha vida, dez dos quais com a Duda. Ao despedir-me da casa, despedi-me, igualmente, da sua presença nela, ainda tão forte. Não sei se nos acompanhou para o Alentejo, se ficou para acolher os novos inquilinos ou se, simplesmente, está a brincar no arco-íris até que chegue a hora de nos encontrarmos de novo. Mas o que sei é que a minha vida não seria o que é hoje se ela não tivesse participado nela.

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On death and dying | crónicas de mortes não anunciadas

O último dia do mês de julho foi de despedida e de tristeza. Despedi-me do meu amigo Phil, inglês que vivia em Portugal há vários anos com a mulher e que me apresentou os livros de Jeffrey Archer. Nesse mesmo dia, em que foi cremado, soube da passagem de outra amiga que conheci no mesmo ano e no mesmo local que o Phil. Esta amiga, a Vera, não sobreviveu a ELA e ELA foi impiedosa até ao último momento.
A dor de ver partir as pessoas de quem gostamos é colossal. Não posso dizer que conhecesse muito bem o Phil e a Vera, mas a sua passagem para um outro plano deixou-me mais pobre. Chorei a sua partida, despedi-me e estou a caminhar em frente. Até há poucos anos, não lidava bem com a morte – simplesmente, não lidava, ponto final. Era como se não existisse. O luto pela morte do meu pai foi feita quase trinta anos depois e jurei que não deixaria mais essa dor viver dentro de mim eternamente. As coisas são para ser vividas e o nascimento e a morte são duas faces da mesma vida. Hoje, despeço-me de quem parte com a certeza de que nos encontraremos um dia, onde quer que seja. E, igualmente, com a certeza, de que onde estão, sabem que os amo e eu sei que estarão a olhar por mim.
Phil, we’ll always have Jeffrey Archer. Verinha, teremos sempre gin&tonic.

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44 and counting | celebrar o dom da vida

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Este ano faço 44 anos. Gosto de celebrar o meu aniversário – sempre gostei – e de receber presentes. Mas mais do que receber, gosto muito, mas mesmo muito, de estar com quem gosto e dar um pouco de mim. Gosto de organizar jantares com amigos, oferecer mimos e iguarias aprimoradas por uma vontade de alimentar não apenas os seus estômagos, mas também as suas almas.

Comprei presentes para mim – faço-o sempre, no Natal e no meu aniversário. E, como a minha amiga Carol, decidi que este ano vou estender as celebrações durante um período de tempo que me permita estar com vários amigos, que estão espalhados por várias zonas do país (e do mundo). Ontem, lembrei-me de fazer uma celebração de 44 dias, um para cada ano de vida. Em cada dia, arranjarei forma de celebrar o dom da vida. Simultaneamente, celebrarei 44 dias de pay it forward, isto é, fazer o bem sem olhar a quem. Por cada ano de bênçãos recebidas, farei algo por alguém sem esperar nada em troca. Não irei retribuir o que me foi feito ou dado. Irei, simplesmente, passar ao outro e não ao mesmo, no bom sentido.

Inspirada por esta visão, não posso deixar de lembrar a experiência de gratidão e de paz que vivi há uns anos com os monges budistas da tradição Theravada (os monges da floresta). Orar, meditar, amar e fazer o bem. Daí a escolha desta imagem, de um pequeno monge, em meditação. Porque meditar também é celebrar.

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Reverse Bucket List | contar os desejos já cumpridos

Existe um hábito americano – agora já alastrado pelo planeta inteiro – que consiste em criar uma “bucket list”, isto é, uma lista de coisas que queremos fazer ou experimentar antes de “kick the bucket” (bater as botas). Já escrevi aqui sobre este tema, mas neste momento considero igualmente importante a criação de outra lista,
A “reverse bucket list” não é nada mais nada menos do que uma lista de desejos invertida, ou seja, uma lista de desejos já cumpridos. Ao contrário de fomentar a criação de objetivos e a prossecução de um trabalho efetivo para o cumprimento dos mesmos, esta lista funciona como um bastião de gratidão: focamo-nos nos sonhos que já vimos cumpridos e agradecemos o facto de ter sido possível realizá-los.
A forma de fazê-la é simples, apenas precisamos de:
  • uma folha de papel, um caderno, um diário ou, para os mais digitais, um processador de texto ou mesmo uma app.
  • música ambiente.
  • tempo disponível para estarmos connosco, em meditação com a nossa existência.
  • abertura para a gratidão no coração.
Para o inspirar, pode utilizar este modelo para fazer a sua lista.
Mesmo quem possa pensar que ainda não realizou nenhum dos seus sonhos, acredito que depois de uma profunda reflexão, descobrirá coisas boas pelas quais se sente grato e que merecem estar nesta lista.
Esta lista não é estática; se a deixarmos num local visível, vamos-nos lembrando de outras coisas que podemos acrescentar. Ao fim de algum tempo, será fácil perceber que há tanta coisa que já fizemos, experimentámos, visitámos, pelas quais nos sentimos gratos. Bastou, apenas, começar uma pequena lista.

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Contar as bênçãos | uma visão sublimada da vida

A cena começa com um bebé num berço e um adolescente que está a tomar conta dele canta uma canção de embalar. Esse adolescente era um “bad boy”, daqueles que todas as raparigas adolescentes gostam. E uma dessas raparigas está perto da porta a observar aquela cena com um sorriso nos lábios. Ele ganhou-a naquele momento. Ela perdeu-se naquele momento. E a canção de embalar continuava a pairar no ar. Contando as tuas bênçãos.
Quando eu era adolescente, havia algumas séries de TV que me ajudaram a ultrapassar momentos maus, outros pouco bons e, também, a celebrar momentos bons. Numa dessas séries, vi a cena que descrevi há pouco e nunca a esqueci. Não só pelo “bad boy”, que na altura achei o máximo, mas pela canção, mais propriamente pela letra da canção. Nela, somos incentivados a contar as nossas bênçãos ao adormecer. A contá-las, em vez de contar carneirinhos quando não conseguimos dormir. E a verdade é que o fiz, muitas vezes, e cantá-la ajudou-me a superar maus momentos.
Muitos anos mais tarde, talvez há uns cinco, voltei a encontrar essa canção de embalar, desta vez cantada por nomes bastante conhecidos como a Diana Krall ou a Amy Grant. Apesar das vozes serem diferentes, a mensagem continua a mesma: agradecer tudo de bom que temos e valorizá-lo, quando as coisas parecem não correr bem.
A Psicologia Positiva tem uma intervenção – um exercício – que se chama mesmo “contar as bênçãos” – e que somos convidados a fazer diariamente, ao final do dia, antes de dormir, numa espécie de apanhado positivo do dia. Faz a diferença. Estudos comprovam que se for feito durante um curto período de tempo – por exemplo de uma semana até vinte e um dias – pode trazer inúmeros benefícios para o nosso bem estar. Exagerar, ou seja, estar sempre a fazer este exercício, pode torná-lo contraproducente, tendo em conta que acabamos por fazê-lo de forma automática, sem realmente sentirmos o que estamos a dizer ou escrever. Importa que tenhamos um olhar mais focado no que temos de bom do que no que nos corre menos bem.

Assim, contar as bênçãos é essencial; mas em dose homeopática, para garantir sucesso. Em períodos mais conturbados, deve ser feito de forma assídua, diariamente, mas em outras alturas devemos fazê-lo mais espaçadamente – semanalmente, por exemplo. O foco no que temos de bom pode ajudar grandemente a termos um olhar mais positivo sobre a nossa vida. Faz toda a diferença.