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Winter Blues

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In the depth of Winter I finally learned that there was in me an invincible summer.

Albert Camus

Com o mês de novembro, chegou finalmente o frio, a chuva e a necessidade de alterarmos o nosso guarda roupa, mudando da roupa leve de verão para peças mais confortáveis e que nos agasalhem dos ventos e frios desta época. O outono chegou – atrasado! – e com ele a necessidade e a vontade de um maior recolhimento.

Enquanto que no verão temos vontade de sair de casa, ir à praia, passear e passar o máximo de tempo no exterior, nesta altura do ano acontece-me precisamente o contrário: quero ficar em casa, deitada no sofá, a ver um bom filme (ou uma boa série), a ler um bom livro e a beber uma enorme caneca de chá (ou de chocolate quente), mas sempre com a companhia da Poppy ao meu lado e do Bownie no outro sofá, a olhar para mim.

São estes os bons momentos de outono, que nos ajudam a enfrentar o frio lá fora e a recuperar de dias muito curtos e noites demasiado longas. É nesta altura do ano, por esta razão, que aparecem os winter blues, uma espécie de depressão ou estado de tristeza associado ao Inverno. Isto tem razões biológicas, devido à redução das horas de luz solar natural, ao cair das folhas das árvores e ao tom eminentemente cinzento dos dias. Há que aproveitar os dias frios, mas ao mesmo tempo zelar para que não entremos num estado de tristeza mais profunda.

Apanhar muita luz solar

A exposição à luz solar é essencial para a produção de vitamina D, necessária à manutenção do nosso bem estar. Assim, sempre com protetor solar, é importante apanhar algumas horas de luz solar diariamente. Se tal não for possível, podemos sempre recorrer a uma luz solar artificial.

Fazer atividades que nos dão prazer

Ler, ver um bom filme, jantar em casa com amigos, receber visitas, visitar amigos, ir ao cinema ou à biblioteca. Sem exagerar, é importante agendar coisas para fazer, para não nos aborrecermos.

Cozinhar pratos “de conforto”

Os americanos chamam a um determinado tipo de comida – como sopas ricas, guisados e estufados – comfort food. Quando está frio, o nosso corpo precisa de pratos um pouco mais trabalhados, mais reconfortantes. É tempo de deixar as saladas frias e fazer estufados, guisados e pratos de forno. Não têm que ser maus para a nossa saúde; basta serem nutricinalmente equilibrados que o sabor está lá todo na mesma.

Dormir

Nesta altura do ano, tenho muito mais sono. Ainda ontem, uma amiga partilhava que tinha sono de manhã e à tarde e eu concordei com ela. Muitos animais hibernam no Inverno. O frio convida a um maior recolhimento e é importante dormir a horas necessárias para que o nosso corpo possa trabalhar a cem por cento.

Escrever

Escrever um livro, contos, um diário, seja o que for, é muito bom nesta altura do ano. Para além de todos os benefícios mentais e emocionais que nos traz, quem sabe não um dia será uma fonte de rendimento extra?

O Outono já chegou. E eu estou em pulgas para ir para o sofá ler o meu livro favorito.

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Veneza | like a virgin touched for the very first time

As primeiras memórias que tenho da cidade de Veneza são as que vi num “teledisco” (era assim que se chamava) de Madonna, em que se pavoneava numa gôndola enquanto cantava “Like a Virgin” e passeava por palácios magníficos. Só depois é que descobri a beleza do Carnaval de Veneza e outros pontos que fazem com que esta cidade esteja na minha wishlist de locais a visitar.
Este ano, embalados pela vontade de namorar e viajar (sempre juntos), escolhemos Veneza como destino de férias (ou será que foi a agência de viagens que escolheu por nós naquele Black Friday em que fizemos as reservas?). Itália fascina-me pela cultura, a arquitetura e a gastronomia, evidentemente. Veneza fascina-me pelos canais, as casas sumptuosas e pelas pontes, cuja beleza vislumbrei em Cambridge há muitos anos atrás.
Há algumas coisas que quero fazer em Veneza: andar de gôndola, passear pelas ruas não turísticas, visitar um palazzo, comer num terraço panorâmico e ser muito, mas mesmo muito feliz. Também quero ler: quero ler muito, histórias italianas, ou passadas em itália, ou, pelo menos, com um nome italiano. E quero comer antipasto, pasta como primo piato e um secondo piatto que seja tão, mas tão delicioso que me deixe completamente extasiada. Ecco!
Mais do que fazer tudo isto, quero ser e estar em Veneza como se fosse a primeira vez que viajasse. Apreciar a beleza de tudo como se nunca tivesse saído da minha cidade. Sentir Veneza como algo ainda mais grandioso do que já é. … (be) touched for the very first time. Porque só assim vale a pena viajar.

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The Really Terrible Orchestra, ou como fazer algo muito mal desde que seja divertido

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fotografia de Ludgi Fotógrafos

Sou uma perfeccionista convicta, confesso. Tenho a mania de fazer tudo da melhor maneira possível e não me contento com pouco. Sou exigente comigo, com a família, com os alunos, com tudo. Espero o melhor de cada um porque dou o melhor de mim.

Quantas vezes já desisti de fazer alguma coisa porque não a estava a fazer de forma… perfeita! Uma amiga minha diz que isso é porque apesar de ser do signo caranguejo, supostamente preguiçoso e pouco interventivo, tenho o ascendente em virgem, o que me dá um sentido de ordem, organização e perfeição que a partir dos trinta anos se revelou… muito presente!

Há alguns meses, estava a ler um livro do Alexander McCall Smith, The Sunday Philosophy Club (que apesar de se chamar o Clube de Filosofia de Domingo, tem como tema central a resolução de um crime, e pouco fala do clube de filosofia) e deparei-me com uma história muito interessante. Uma das personagens fazia parte de um grupo musical intitulado The Really Terrible Orchestra (A Orquestra Verdadeiramente Terrível) onde todos os elementos eram maus ou medíocres. Mas o importante era o seguinte:

“O concerto foi terrível. Não prestamos para nada, mas divertimo-nos imenso.”
O amigo disse-lhe, “Desde que estejam a dar o vosso melhor”.
“Exatamente. E o nosso melhor, temo dizer, não é muito bom.”
No final de um concerto, a orquestra ofereceu vinho e sanduíches a quem assistiu. O maestro explicou nas suas afirmações finais, “É o mínimo que podemos fazer por vocês. Foram tão tolerantes.”

Há alguns dias, ao investigar para este post, descobri que a orquestra existe mesmo, em Edimburgo, e o escritor é um dos seus membros. Se a ideia, quando estava apenas no mundo virtual da literatura, me fascinou, então quando passou a fazer parte do mundo real passou a ser um exemplo a seguir. Esta orquestra é o epíteto da imperfeição. Os seus membros podem não saber muito (ou nada) de música, mas participam ativamente porque gostam de música, gostam de tocar e divertem-se imenso a fazê-lo. E melhor, há quem goste da sua música!

Numa altura em que a perfeição é algo que parece obrigatório, ser “mais ou menos” ou “bom o suficiente” não nos basta, mas devia. O mundo à nossa volta mostra, pede e exige perfeição. Eu sou terrível, nesse aspeto, porque por ser considerada “imperfeita” devido ao facto de ser portadora de deficiência, pareço procurar a perfeição em quase tudo o que faço, como se isso servisse para “compensar” a deficiência. Tenho vindo a aprender ao longo da vida que a perfeição está em sermos a nossa melhor versão e essa versão de mim, neste momento, está a ganhar. E está perfeita.

Não canto perfeitamente, mas adoro cantar. Nunca ganhei um prémio Pullitzer (ou da Sociedade Portuguesa de Autores), mas adoro escrever. Não tenho fotografias publicadas na National Geographic, mas adoro fotografar. O que me impede de fazer estas atividades mais publicamente? Não ser perfeita? Muito provavelmente. E impedir-me de ser feliz, amplamente feliz a fazer coisas que gosto, não será isso ainda mais terrível do que ter a hipótese de ser imperfeita?

Pegando no exemplo da Really Terrible Orchestra, convido-me a ser terrivelmente imperfeita e feliz a cada dia. E tu? Já te atreveste a ser feliz hoje?

biblioteca, leitura, livros, verão, vida

Leituras de Verão 2017

Há livros que nunca li e que estão fielmente depositados nas estantes cá de casa. Alguns, estão cá há pouco tempo, outros há alguns anos e também há um ou outro que já há mais de uma década ganharam cidadania filomenesca.
Por vezes, sinto-me um pouco culpada por comprar livros novos, quando tenho tantos à minha espera mesmo ao meu lado. Mas acredito que cada livro tem um momento certo para ser lido e os que ainda não foram lidos é porque o seu momento ainda não chegou, a mensagem que traz para mim ainda não foi necessária. Este vício de ter livros não lidos – e continuar a comprar – parecia-me algo muito particular meu, até me deparar com este diálogo no livro À Procura de Alaska, de John Greene:
“Já leste todos os livros que tens no teu quarto?”
Alaska, rindo – “Oh, meu Deus, não. Talvez tenha lido um terço deles. Mas vou lê-los todos. Chamo-lhes a minha Biblioteca de Vida. Todos os verões, desde que era pequenina, tenho ido a vendas em segunda mão e compro todos os livros que pareçam interessantes. Por isso, tenho sempre alguma coisa para ler.”
Olhar para os meus livros e chamar-lhes a minha Biblioteca de Vida enche-me o coração e dá a esses livros toda uma dimensão que nem consigo explicar por palavras. Talvez haja um livro que consiga explicar. 🙂
Como disse no último artigo, já fiz algumas compras de leituras de verão. Acredito que consigo ler mais, por isso estou a aguardar até mais perto do meu aniversário para uma compra last minute. Por agora, a lista é eclética e entusiasmante:
Margaret Atwood, The Handmaid’s Tale
Nicola Yoon, The Sun is Also a Star
Deborah Meyler, The Bookstore
Stephen Chbosky, The Perks of Being a Wallflower
Cheryl Strayed, Wild
Ransom Riggs, Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children
Charles Bukowski, The Continual Condition
Os títulos estão em inglês, não porque tenha a mania das grandezas, mas porque vou lê-los mesmo na sua língua de origem. Falta-me um título (ou mais) de literatura infanto-juvenil, que gosto sempre de incluir nas leituras de verão, mas vou pedir emprestado um livro da coleção “Os Cinco” a um jovem leitor do clube de leitura que dinamizo na Biblioteca. Tenho saudades das aventuras que vivia através dos livros da Enid Blyton quando tinha a idade dele. Agora vivo outras, claro, mas aquelas tinham um sabor muito especial.
Por agora é só. Vou pegar no meu livro de cabeceira e ler mais algumas páginas. Estou a ler Quando o Cuco Chama, de Robert Galbraith (pseudónimo da autora J.K. Rowling, a senhora que inventou o Harry Potter) e posso dizer que é tão absorvente como os da saga Potter. Até já. Boas leituras.
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A Feira dos Livros | preparar as leituras do verão

Junho é, para mim, um mês para pensar em livros. As aulas terminam a meio do mês e as tardes são um pouco mais leves, deixando-me tempo para escrever e ler, o que mais gosto de fazer. É nesta altura que começo a preparar as leituras de verão, investigando em livrarias, como esta e esta, e em sites sobre livros, como este, quais os livros que me vão acompanhar durante a época de pré-férias e férias.

É um trabalho monumental. Entre tantas possibilidades, vem-me à memória o paradoxo da escolha, de Barry Schwartz, de que tanto falámos nas aulas de Economia da Felicidade, no Mestrado Executivo em Psicologia Positiva Aplicada (para quem esteja interessado, pode saber mais aquie inscrever-se na sua sexta edição).
Assim, começo por escolher alguns títulos de literatura juvenil, de que sou fã, e depois alguns romances, por vezes uma biografia, e alguns livros “de estudo”, sobre Pedagogia, Psicologia, Coaching ou algum outro tema que me apaixone. Como diz o meu marido, o verão é a altura em que mais lemos – devoramos livros – por isso, precisamos de uma biblioteca pessoal bem apetrechada.
Esta semana fiz as minhas primeiras encomendas online e conto, já para a semana, começar com as leituras, assim que chegarem. Opto por encomendar livros estrangeiros de Inglaterra, porque saem bem mais baratos e não pago transporte, e autores nacionais de livrarias portuguesas. Não se preocupem os defensores do comércio tradicional, porque também compro livros em livrarias físicas, sempre que me desloco a uma localidade onde as há (na minha não existe nenhuma).
Ler enche-me a alma, lava-a e prepara-a para um novo ciclo, que começa após o verão. Agora é tempo de ler, por isso, como a formiga, começo a armazenar para o verão. Em outubro, virão as compras para o Natal, mas disso falaremos mais tarde.
E aí em casa? Já decidiu o que vai ler este verão? Deixe um comentário e inspire-me!