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Don’t you just love the gym?

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Eu não gosto de fazer exercício físico, ponto. Mas gosto de como me faz sentir. Depois de um treino, há em mim uma sensação de força e poder indescritível. Eu fui capaz, eu consegui. Consegui superar o peso que levantava no mês passado. Consigo fazer repetições de um exercício em menos tempo.

Agora que o frio começa a surgir, a vontade para ir ao ginásio começa a ser pouca, mas há que persistir. Eis aqui 7 boas razões para ir ao ginásio

  • faz bem ao corpo: quanto a este ponto, não é preciso dizer mais nada; ajuda a ganhar peso, a perder peso, a perder massa gorda, a ganhar flexibilidade… faz bem, pronto!

  • faz bem à cabeça: fazer exercício implica estar atento ao que fazemos, senão a coisa pode não correr nada bem; potencia, também, a libertação de endorfinas que nos fazem sentir bem.

  • alarga o nosso núcleo de amigos: já fiz uma série de novos conhecimentos no ginásio e conhecer pessoas diferentes do nosso núcleo habitual de amigos é muito bom, pois enriquece a nossa vida.

  • conhecemos novos alimentos: já aprendi e ensinei a usar ingredientes diferentes em batidos, sopas, mixes, e é habitual trocarmos “receitas” entre um exercício e outro. Tudo saudável, claro. Com muito cacau e gengibre!

  • interagimos com pessoas de outras idades: o atleta mais novo do ginásio que frequento deve ter catorze anos e a mais velha tem setenta e dois. Está tudo dito.

  • podemos “abusar” da comida de vez em quando: o facto de saber fazer exercício regular, permite-me poder “pecar” ocasionalmente sem pôr em causa a minha saúde.

bem-estar, esperança, felicidade, livros, mudança, verão, vida

Reinvenção numa noite de verão

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Julho é o mês do meu aniversário. Há uns anos atrás, por esta altura, estaria a viver aquilo que um amigo meu, de quem muito gosto, chama de “inferno astral”. Supostamente, o mês anterior e o mês após o nosso aniversário seria um período “infernal” em que tudo nos acontece. A verdade é que quando ele me disse isto, eu, que antes nunca tinha vivido infernos astrais, passei a vivê-los anualmente. Até que um dia, o Nuno me disse “tu estás a viver um inferno astral porque te estás a focar nisso”. Pura verdade. Foi também, nessa altura, que a minha amiga Carol começou a publicar na sua página de Facebook as diversas celebrações do seu aniversário, que começam quase um mês antes e apenas terminam um mês depois do seu aniversário. Ora bolas! Eu também quero um Céu Astral que dure dois meses.

A mudança de perspetiva é de uma importância extrema se queremos ser amplamente felizes. Eu andava perfeitamente o ano inteiro e vivia um mês complicado perto do meu aniversário. Porquê? Porque era isso que eu esperava que acontecesse. Com a mudança de paradigma, agora começo a sonhar, a desenhar e a esperar coisas muito boas na envolvência do mês de julho. Para além de ser o mês do meu aniversário, é o mês sete, é o mês das Noites na Nora, é o mês em que fui pedida em casamento (e aceitei), é o mês em que, finalmente, posso começar a ler mais. O mês de julho é o melhor mês do ano!

No ano em que me mudei para a cidade onde vivo hoje, uma amiga tinha ido assistir ao concerto da Madonna em Lisboa, da digressão The Reinvention Tour, e contou-me que, ao terminar, o palco ficou todo negro e surgiu a frase REINVENT YOURSELF. Ela encarou esta mensagem como sendo um sinal de que estava no momento certo para fazer uma mudança na sua vida. E fê-la.

Ontem, ao ler este post no blogue onde também sou co-autora, a questão da reinvenção, da mudança, do crescimento pessoal através da alteração de padrões conhecidos tocou-me particularmente. Julho é, para mim, um mês de reflexão, de mudança, de crescimento. Muito mais do que o final do ano, esta sim é a altura em que faço balanços e em que me proponho a novos vôos.

Reinventarmo-nos é bom. Ajuda-nos a crescer, a sair do marasmo da vida quotidiana e a ver o mundo com uma perspetiva diferente. É como se mudássemos a lente da nossa câmara fotográfica, pois não nos mudamos apenas a nós, mas também a forma como vemos o que nos rodeia.

Hoje vou reinventar-me. Vou pegar em mim e transformar-me na melhor versão de mim mesma.

auto-conhecimento, bem-estar, mudança

O Ritmo dos Dias


Hoje, durante a primeira aula da manhã, precisei de sair da sala e ir buscar material que tinha deixado na sala de professores. Saí, apressada, para não deixar os alunos muito tempo sozinhos (creio que não se importariam) e percebi que o meu corpo não conseguia responder ao ritmo que eu lhe queria imprimir. Continuei a forçar uma velocidade quase furiosa e a resposta foi um atordoamento na visão e um torpor doloroso nas articulações e músculos. De repente, percebi. Abranda. Reduzi a velocidade e apreciei os sons das aves e o verde das árvores. Fui, na mesma, buscar o material. Demorei mais tempo. Os alunos não se importaram. E o meu corpo agradeceu.

Muitas vezes acreditamos que é necessário acelerar para que tenhamos tempo para fazer tudo a que nos propomos. No entanto, na maior parte das vezes, se desacelerarmos conseguimos fazer tudo e muito melhor. A constante exigência para que sejamos produtivos, rápidos, eficazes, eficientes e estejamos sempre em cima do acontecimento com o recurso às novas tecnologias e às redes sociais conseguem tornar o nosso dia a dia num quase inferno. Ainda ontem, numa reunião, me foi dito que era suposto fazermos determinada tarefa ainda naquela noite e que uma não resposta a um mail no prazo de três ou quatro horas era considerada uma aceitação do conteúdo do mesmo. Velocidade furiosa.
Dou por mim a apreciar muito pouco o que me rodeia, tantas são as exigências temporais que me são colocadas e que eu própria me coloco. O meu corpo, fonte de sabedoria, pede que eu altere o meu ritmo. Aliás, essa é a grande aprendizagem que a fibromialgia me trouxe: acolher um novo ritmo, mais adequado a mim e ao que me é possível a cada momento.
Hoje é dia de acolher um novo ritmo. O meu ritmo. Para os meus dias.
ecologia, mudança

Home e Human | um olhar necessário sobre o que andamos a fazer

Há uns anos atrás, o ex-futuro presidente dos Estados Unidos teve a coragem de lançar um documentário revelador sobre o estado do nosso planeta. Em Uma Verdade Inconveniente, somos confrontados com a forma como destruímos os recursos naturais, a nossa saúde e, em última instância, a nossa casa: o planeta Terra. 
Cerca de dez anos depois, numa apresentação TED, Gore volta a falar sobre o assunto, desta vez de uma forma mais otimista: ainda estamos a tempo de salvar o planeta, operando, apenas, algumas pequenas alterações aos nossos hábitos, estando já algumas delas em andamento. Portanto, o futuro ainda pode sorrir-nos.
Alguns anos mais tarde, em Home, somos levados numa viagem pelo nosso planeta, numa perspetiva alargada das belezas naturais e da destruição causada pela mão humana. É uma visão deslumbrante da nossa casa, da bênção que temos por ter um espaço tão glorioso onde viver.
Há pouco tempo, pela mão do mesmo realizador de Home, o filme Human veio trazer uma perspetiva diferente sobre a nossa casa, desta vez com o foco sobre os seus habitantes, as suas diferenças, as suas semelhanças, aquilo em que acreditamos, os nossos medos e as nossas coragens. 
Num momento em que celebramos os 40 dias em que o Profeta atravessou o deserto, urge que, também nós, façamos um processo de reflexão sobre a forma como cuidamos de nós, da nossa casa e dos nossos vizinhos. Ainda é tempo de fazermos – e sermos – o nosso melhor.
mudança, opinião

Isso incomoda-me | as cinco coisas que me incomodam neste momento

Há umas semanas atrás estava a conversar com o meu marido sobre um assunto qualquer e ele achou imensa piada com a minha resposta ao que ele tinha acabado de dizer. Eu respondi-lhe “isso incomoda-me”. Depois dessa nossa conversa, e de nos termos rido com o meu ar emproado a dizer essa expressão, dei por mim a usá-la com alguma frequência. Possivelmente já a usava antes, mas só desde esse momento tomei mesmo consciência do que me incomoda.
Incomoda-me o facto de quase metade do meu dia ser dedicado ao trabalho. Em primeiro lugar, quero deixar claro que adoro o que faço, adoro a minha profissão e adoro os meus alunos; mas há imensas outras coisas que adoro fazer e para as quais não tenho tempo nem paciência depois de um dia cheio de trabalho. Isso incomoda-me.
Incomoda-me o frio do inverno. Eu sou uma mulher do verão, nascida em julho e com uma paixão pelo sol, pelo mar e pela água que só pode significar que fui sereia quando esses seres habitavam a Terra (!). Sofro com o frio como não sofro com o calor, independentemente de quantas camadas de roupa vista, seguindo os conselhos do SNS. Em cada dedo do pé tenho uma frieira, sendo que um dos dedos parece que levou uma martelada de tão vermelho e brilhante que está. Com o frio não me apetece trabalhar, não me apetece sair para passear, só me apetece estar enrolada numa manta quentinha a beber chá e a ver uma boa série de televisão (ler, não, porque tenho de ter as mãos do lado de fora da manta). Isso incomoda-me.
Incomoda-me o medo. Eu tenho medos, como qualquer ser humano, mas os medos que me incomodam são aqueles que nos insistem em incutir através dos meios de comunicação social. Deixei de ver noticiários, sou agora uma ignorante no que toca a notícias, porque de cada vez que os via, percebia a forma como cultivam os nossos medos: o medo da insegurança, da fome, da morte, do sofrimento, … Fazem com que cada pessoa que encontramos na rua passe a parecer um inimigo, fazendo com que deixemos de confiar. De conhecer pessoas. De nos darmos ao outro. E isso incomoda-me.
Incomoda-me o preço dos livros em Portugal. Desde criança que fui habituada a ler. Liam para mim e quando aprendi comecei a ler para mim própria. Tenho imensos livros, ofereço livros, compro, troco e vendo. Os livros são para mim os Xanax e a cafeína que preciso para funcionar bem. Uma nação que cria Planos Nacionais de Leitura, para promover a leitura desde a mais tenra idade, devia baixar os impostos para que os livros fossem acessíveis a todos. Pais que não lêem não habituam as suas crianças a ler. Crianças que não lêem tornam-se adultos não leitores, com uma perspetiva muito limitada do mundo. E isso incomoda-me muitíssimo.
Incomoda-me sentir-me incomodada. Porquê? Porque isso me impele a agir, a ter que fazer alguma coisa relativamente ao que me incomoda. Isso faz-me sair do meu espaço de segurança, do meu umbigo, e isso é mesmo muito bom. A maior parte das coisas que fiz na minha vida foi em resposta a coisas e pessoas que me incomodavam e graças a isso cresço um pouco todos os dias. Podia escolher não agir, não fazer aquilo que acho certo. Mas isso sim, isso incomodar-me-ia muito, mesmo muito.