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Don’t you just love the gym?

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Eu não gosto de fazer exercício físico, ponto. Mas gosto de como me faz sentir. Depois de um treino, há em mim uma sensação de força e poder indescritível. Eu fui capaz, eu consegui. Consegui superar o peso que levantava no mês passado. Consigo fazer repetições de um exercício em menos tempo.

Agora que o frio começa a surgir, a vontade para ir ao ginásio começa a ser pouca, mas há que persistir. Eis aqui 7 boas razões para ir ao ginásio

  • faz bem ao corpo: quanto a este ponto, não é preciso dizer mais nada; ajuda a ganhar peso, a perder peso, a perder massa gorda, a ganhar flexibilidade… faz bem, pronto!

  • faz bem à cabeça: fazer exercício implica estar atento ao que fazemos, senão a coisa pode não correr nada bem; potencia, também, a libertação de endorfinas que nos fazem sentir bem.

  • alarga o nosso núcleo de amigos: já fiz uma série de novos conhecimentos no ginásio e conhecer pessoas diferentes do nosso núcleo habitual de amigos é muito bom, pois enriquece a nossa vida.

  • conhecemos novos alimentos: já aprendi e ensinei a usar ingredientes diferentes em batidos, sopas, mixes, e é habitual trocarmos “receitas” entre um exercício e outro. Tudo saudável, claro. Com muito cacau e gengibre!

  • interagimos com pessoas de outras idades: o atleta mais novo do ginásio que frequento deve ter catorze anos e a mais velha tem setenta e dois. Está tudo dito.

  • podemos “abusar” da comida de vez em quando: o facto de saber fazer exercício regular, permite-me poder “pecar” ocasionalmente sem pôr em causa a minha saúde.

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Utopia|sonhar com o (im)possível

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A palavra utopia aparece no nosso discurso sem que saibamos a sua origem. Quando dizemos que alguma coisa é utópica, significa que é impossível de realizar, de conseguir. Mas a origem da palavra foi inventada por Thomas More, um filósofo e político inglês do século XVI, que a utilizou para dar título à sua obra mais importante. Utopia, na sua obra, é o nome de uma ilha que tem uma sociedade igualitária, onde não há propriedade privada, mas todos os bens são comuns, e onde os cidadãos têm todas as possibilidades para serem felizes.

Ao lermos as descrições de Utopia, é difícil acreditar que esta obra foi escrita há tantos séculos e já nesta altura se sonhava com uma sociedade assim. Parece impossível. Mas será? Desde a escrita deste livro, houve várias tentativas de criar cidades baseadas neste modelo humanista, e algumas conseguiram vingar e manter-se ativas.

Utopia representa aquilo que parece impossível, mas que com o devido empenho é possível alcançar. Com a devida vontade. Porque com trabalho e empenho podemos conseguir o que muitas vezes pensamos ser inalcançável.

Este conceito aplica-se a tudo. A uma sociedade utópica. A uma família utópica. A uma escola utópica. Acredito, cada vez mais, que a utopia só existe dentro da nossa cabeça. Que, com o devido trabalho, tudo se pode construir. Uma sociedade humanista. Uma escola humanista. Crianças e adolescentes mais felizes.

A ilha de utopia podia ser um lugar que não existia. Mas, com o devido empenho, a escola humanista para todos poderá passar de utopia a realidade. E aí, seremos todos muito mais felizes.

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Acreditar | uma questão de honra

A fé salva. Qualquer que seja o ponto de vista, a fé é essencial para uma vida plena e feliz. Fé em Deus, numa força maior que nos ultrapassa, qualquer que seja o nome que lhe chamemos. Essa fé, esse acreditar, é onde vamos buscar forças para os desafios das nossas vidas e onde agradecemos as bênçãos que recebemos diariamente.

A fé também pode matar. Quando falamos nas mortes pela fé, lembramo-nos dos movimentos radicais islâmicos, que são tantas vezes confundidos com a religião muçulmana. Mas mesmo no seio do catolicismo há movimentos radicais, extremistas que, ao tentarem salvaguardar a fé católica conseguem, isso sim, matar a fé no coração dos crentes.

Quando será que chegaremos a um momento em que faremos o que Deus, nas palavras de Seu filho, pediu: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. Sem exceções.

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(des)ilusão

A desilusão é uma das piores experiências que podemos viver. Dói, marca, faz ferida, sangra. É daquelas coisas que tentamos a todo o custo evitar, para não sofrermos. Mas, por vezes, é inevitável. E, mais do que inevitável, é saudável.
Viver uma desilusão implica que, antes, vivíamos numa ilusão. Ilusão é tudo aquilo que não é verdade, que pertence ao reino do que idealizamos ou sonhamos. Bom ou mau, não é a realidade.
Assim, aprendi que a desilusão, por mais que doa, é algo bom, muito bom. Através do processo da desilusão, saímos daquele estado que nos deixou adormecidos para a realidade, para o concreto, para o que nos rodeia e nos pode ajudar a crescer. A ilusão pode parecer boa, mas engana-nos e pode evitar que cresçamos.
Há quem prefira viver numa ilusão permanente. Fingir que todos somos felizes, ou que todos somos tristes. Que eu sou igual a ti e tu a mim. Que um está mais perto de Deus do que outro. 
Deixemo-nos desiludir: relativamente às pessoas, aos movimentos, às organizações, às instituições. Só assim podemos ver as coisas como elas realmente são e não como as idealizámos. E aí, sim, podemos finalmente ser verdadeiros também e crescer com toda a potencialidade que Deus nos deu.
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The Really Terrible Orchestra, ou como fazer algo muito mal desde que seja divertido

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fotografia de Ludgi Fotógrafos

Sou uma perfeccionista convicta, confesso. Tenho a mania de fazer tudo da melhor maneira possível e não me contento com pouco. Sou exigente comigo, com a família, com os alunos, com tudo. Espero o melhor de cada um porque dou o melhor de mim.

Quantas vezes já desisti de fazer alguma coisa porque não a estava a fazer de forma… perfeita! Uma amiga minha diz que isso é porque apesar de ser do signo caranguejo, supostamente preguiçoso e pouco interventivo, tenho o ascendente em virgem, o que me dá um sentido de ordem, organização e perfeição que a partir dos trinta anos se revelou… muito presente!

Há alguns meses, estava a ler um livro do Alexander McCall Smith, The Sunday Philosophy Club (que apesar de se chamar o Clube de Filosofia de Domingo, tem como tema central a resolução de um crime, e pouco fala do clube de filosofia) e deparei-me com uma história muito interessante. Uma das personagens fazia parte de um grupo musical intitulado The Really Terrible Orchestra (A Orquestra Verdadeiramente Terrível) onde todos os elementos eram maus ou medíocres. Mas o importante era o seguinte:

“O concerto foi terrível. Não prestamos para nada, mas divertimo-nos imenso.”
O amigo disse-lhe, “Desde que estejam a dar o vosso melhor”.
“Exatamente. E o nosso melhor, temo dizer, não é muito bom.”
No final de um concerto, a orquestra ofereceu vinho e sanduíches a quem assistiu. O maestro explicou nas suas afirmações finais, “É o mínimo que podemos fazer por vocês. Foram tão tolerantes.”

Há alguns dias, ao investigar para este post, descobri que a orquestra existe mesmo, em Edimburgo, e o escritor é um dos seus membros. Se a ideia, quando estava apenas no mundo virtual da literatura, me fascinou, então quando passou a fazer parte do mundo real passou a ser um exemplo a seguir. Esta orquestra é o epíteto da imperfeição. Os seus membros podem não saber muito (ou nada) de música, mas participam ativamente porque gostam de música, gostam de tocar e divertem-se imenso a fazê-lo. E melhor, há quem goste da sua música!

Numa altura em que a perfeição é algo que parece obrigatório, ser “mais ou menos” ou “bom o suficiente” não nos basta, mas devia. O mundo à nossa volta mostra, pede e exige perfeição. Eu sou terrível, nesse aspeto, porque por ser considerada “imperfeita” devido ao facto de ser portadora de deficiência, pareço procurar a perfeição em quase tudo o que faço, como se isso servisse para “compensar” a deficiência. Tenho vindo a aprender ao longo da vida que a perfeição está em sermos a nossa melhor versão e essa versão de mim, neste momento, está a ganhar. E está perfeita.

Não canto perfeitamente, mas adoro cantar. Nunca ganhei um prémio Pullitzer (ou da Sociedade Portuguesa de Autores), mas adoro escrever. Não tenho fotografias publicadas na National Geographic, mas adoro fotografar. O que me impede de fazer estas atividades mais publicamente? Não ser perfeita? Muito provavelmente. E impedir-me de ser feliz, amplamente feliz a fazer coisas que gosto, não será isso ainda mais terrível do que ter a hipótese de ser imperfeita?

Pegando no exemplo da Really Terrible Orchestra, convido-me a ser terrivelmente imperfeita e feliz a cada dia. E tu? Já te atreveste a ser feliz hoje?

opinião, vida

A cidade e o campo | olhares sobre o mundo

Havia, há muito tempo, um rato do campo e um rato da cidade que eram amigos. Quando o da cidade visitou o do campo, achou tudo muito simplório e abaixo do que ele estava habituado. Por sua vez, quando o rato do campo visitou o da cidade, gostou do que viu, mas não apreciou o facto de ter de se submeter a inúmeros sustos e perigos para poder desfrutar de toda a abundância do primo. A história termina com uma “moral” que defende que é melhor viver pobre e seguro do que rico e com perigos.
Nasci numa cidade que foi crescendo ao longo dos anos e se foi tornando cada vez mais cidade metrópole de Lisboa e menos cidade da província. Os 90 quilómetros que a distanciam da capital passaram a fazer-se em 45 minutos em vez dos 90 quando eu era criança, o que transformou tudo. Muitos lisboetas passaram a viver ali e muitos habitantes da minha cidade passaram a trabalhar em Lisboa. O preço do progresso e o crescimento das oportunidades de trabalho assim o decidiram, supostamente, para o bem de todos. Na minha antiga cidade, gosto da vida nas ruas, no mercado a céu aberto que convida a comprar fruta e legumes frescos todos os dias, do parque imenso que nos faz esquecer que estamos no meio da cidade.
Por razões profissionais, há cerca de quinze anos, vi-me transportada para uma das zonas mais rurais do país, o Alentejo. Primeiro o litoral, de espírito aberto com as inúmeras comunidades de estrangeiros a pontilhar a paisagem e a influenciar as mentes, depois o interior profundo, com comunidades mais envelhecidas e arreigadas nos seus costumes, mas com uma abertura para as artes e para a própria comunidade que me impressionou. Na minha cidade no campo, gosto dos piqueniques na primavera, na possibilidade de caminhar cinco minutos e estar envolvida por campos de papoilas ou montados, de bater à porta de qualquer vizinho e saber que sabem quem sou.
Inicialmente um ratinho de cidade, tornei-me um ratinho de campo, quase de um dia para o outro. No entanto, presentemente considero-me um ratinho de campo cosmopolita – preciso de algumas coisas que a cidade me dá para que a minha vida no campo seja vivida em pleno. Visito, esporadicamente, uma grande cidade, não para as compras – porque felizmente a internet dá-nos imensas oportunidades – mas para beber a vida cosmopolita e inspirar-me para a minha escrita. Não dependo de Lisboa para concertos, porque na minha nova cidade-campo há inúmeros concertos e espetáculos por ano de excepcional qualidade; mas dependo dela para me preencher as veias com o bulício dos turistas a comer pastéis de Belém ou com o belíssimo atendimento de um hotel boutique.

Viver na cidade é bom. Viver no campo é bom. O que é preciso é saber viver e saber florescer no local onde estamos plantados.    
mudança, opinião

Isso incomoda-me | as cinco coisas que me incomodam neste momento

Há umas semanas atrás estava a conversar com o meu marido sobre um assunto qualquer e ele achou imensa piada com a minha resposta ao que ele tinha acabado de dizer. Eu respondi-lhe “isso incomoda-me”. Depois dessa nossa conversa, e de nos termos rido com o meu ar emproado a dizer essa expressão, dei por mim a usá-la com alguma frequência. Possivelmente já a usava antes, mas só desde esse momento tomei mesmo consciência do que me incomoda.
Incomoda-me o facto de quase metade do meu dia ser dedicado ao trabalho. Em primeiro lugar, quero deixar claro que adoro o que faço, adoro a minha profissão e adoro os meus alunos; mas há imensas outras coisas que adoro fazer e para as quais não tenho tempo nem paciência depois de um dia cheio de trabalho. Isso incomoda-me.
Incomoda-me o frio do inverno. Eu sou uma mulher do verão, nascida em julho e com uma paixão pelo sol, pelo mar e pela água que só pode significar que fui sereia quando esses seres habitavam a Terra (!). Sofro com o frio como não sofro com o calor, independentemente de quantas camadas de roupa vista, seguindo os conselhos do SNS. Em cada dedo do pé tenho uma frieira, sendo que um dos dedos parece que levou uma martelada de tão vermelho e brilhante que está. Com o frio não me apetece trabalhar, não me apetece sair para passear, só me apetece estar enrolada numa manta quentinha a beber chá e a ver uma boa série de televisão (ler, não, porque tenho de ter as mãos do lado de fora da manta). Isso incomoda-me.
Incomoda-me o medo. Eu tenho medos, como qualquer ser humano, mas os medos que me incomodam são aqueles que nos insistem em incutir através dos meios de comunicação social. Deixei de ver noticiários, sou agora uma ignorante no que toca a notícias, porque de cada vez que os via, percebia a forma como cultivam os nossos medos: o medo da insegurança, da fome, da morte, do sofrimento, … Fazem com que cada pessoa que encontramos na rua passe a parecer um inimigo, fazendo com que deixemos de confiar. De conhecer pessoas. De nos darmos ao outro. E isso incomoda-me.
Incomoda-me o preço dos livros em Portugal. Desde criança que fui habituada a ler. Liam para mim e quando aprendi comecei a ler para mim própria. Tenho imensos livros, ofereço livros, compro, troco e vendo. Os livros são para mim os Xanax e a cafeína que preciso para funcionar bem. Uma nação que cria Planos Nacionais de Leitura, para promover a leitura desde a mais tenra idade, devia baixar os impostos para que os livros fossem acessíveis a todos. Pais que não lêem não habituam as suas crianças a ler. Crianças que não lêem tornam-se adultos não leitores, com uma perspetiva muito limitada do mundo. E isso incomoda-me muitíssimo.
Incomoda-me sentir-me incomodada. Porquê? Porque isso me impele a agir, a ter que fazer alguma coisa relativamente ao que me incomoda. Isso faz-me sair do meu espaço de segurança, do meu umbigo, e isso é mesmo muito bom. A maior parte das coisas que fiz na minha vida foi em resposta a coisas e pessoas que me incomodavam e graças a isso cresço um pouco todos os dias. Podia escolher não agir, não fazer aquilo que acho certo. Mas isso sim, isso incomodar-me-ia muito, mesmo muito.