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In memoriam



Eu tive uma amiga que acompanhou dez anos da minha vida. Encontrámo-nos quando eu estava prestes a fazer dezanove anos. Acompanhou-me no estudo para os exames de Latim no primeiro ano da Faculdade, tarefa penosa e stressante. Trouxe-me luz na confusão que estava a minha vida. Acolhi-a com amor e uma entrega profunda, que me foi retribuída em cada dia, em cada olhar, em cada beijo ao acordar. Quando me lembro do seu olhar, do seu companheirismo, ainda choro. Às vezes, ainda a sinto por perto e, junto com a tristeza da sua ausência, sorrio e acolho-a.
A Duda era a minha cadela. Morreu envenenada, não sabemos bem como. Esperou eu ir de fim de semana a casa para um último adeus. Ainda lhe fiz reiki, numa tentativa desesperada de salvá-la. Mas ela sabia que não era para ficar, e afastou a minha mão. Morreu alguns dias antes do meu vigésimo nono aniversário.
Tenho saudades da forma como me acolhia quando eu chegava a casa. De como ladrava de felicidade quando a levava a passear de carro. De como adorava café com leite e pão com manteiga. Com ela aprendi a compartilhar, a respeitar, a amar, a cuidar, a assumir responsabilidades. A vida dela marcou dois períodos muito importantes na minha vida: a sua chegada foi durante uma fase de solidão minha, e partiu quando encontrei o Amor. Foi como se soubesse que o seu papel na minha vida estava cumprido. E quando a peça de teatro, que é a vida, termina, há que deixar cair o pano e seguir em frente… para a próxima grande estreia!
Esta semana dissemos adeus à casa onde passei vinte e oito anos da minha vida, dez dos quais com a Duda. Ao despedir-me da casa, despedi-me, igualmente, da sua presença nela, ainda tão forte. Não sei se nos acompanhou para o Alentejo, se ficou para acolher os novos inquilinos ou se, simplesmente, está a brincar no arco-íris até que chegue a hora de nos encontrarmos de novo. Mas o que sei é que a minha vida não seria o que é hoje se ela não tivesse participado nela.

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5 boas razões para adotar um animal de estimação

Ter um animal de estimação é uma enorme responsabilidade, no entanto, muitos compram, adotam, acolhem um cão ou um gato e acreditam que apenas por salvar esse animal de uma situação complicada é o suficiente. Tal como ter um filho, adotar um animal de estimação implica responsabilidades, como registar na Junta de Freguesia, fazer um seguro, levá-lo a consultas no veterinário. Mas implica, igualmente, zelar pela sua segurança e pela segurança de outros animais e humanos. 
Apesar de todas estas questões, adotar um amigo de quatro patas (ou duas, porque pássaros e outros bichos estão para adoção em inúmeros refúgios do país e do mundo) é das melhores coisas do mundo. 
  • está cientificamente provado que as pessoas que têm animais de estimação mostram um maior bem-estar com a vida.
  • quem tem um cão, pelo facto de ter de passeá-lo três vezes por dia, faz mais exercício, contribuindo para a sua saúde.
  • ter um cão diminui os níveis de cortisol, a hormonal do stress, e ajuda em questões de ansiedade e depressão.
  • adotar um animal de um refúgio salva uma vida e melhora as condições de vida dos outros utentes do refúgio, deixando espaço para mais um acolhimento.
  • ganha-se um amigo para a vida.

Neste momento, o meu Brownie está internado num hospital veterinário, por ter sido brutalmente atacado por outro cão cujos donos deixam andar à solta na cidade, sem trela nem ansaime, apesar de já ter atacado outros cães. É um cão adotado que, por agradecimento aos donos, se tornou violentamente territorial perante outros cães. Hoje, durante a visita, encontrei um casal que tinha acabado de perder o seu amigo de 16 anos. A senhora dizia-me “é como se me morresse um filho” e eu não pude fazer mais nada do que abraçá-la para que ela se sentisse acolhida na sua dor. Felizmente, o meu Brownie poderá regressar a casa em breve. Porque vale tanto a pena a vida com ele!