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A Ponte | um livro sobre a Escola que queremos

Tantos dias sem escrever não significa que fossem dias vazios; foram, isso sim, dias muito cheios. Ser professora enche-me a vida, não apenas em termos de horário, mas também de coração, de entrega e de paixão. O começo de um novo ano letivo, numa escola nova (simultaneamente, foi um regresso a casa), trouxe muitas alterações aos meus dias e às minhas noites. Com a entrada neste novo ciclo, deixei-me ser acompanhada por um livro muito especial que me encheu setembro.
O Paulo Morais não é professor. É tantas outras coisas, mas professor não. No entanto, decidiu ir a uma escola que apaixona tanta gente – a Escola da Ponte – para conhecer o projeto e dá-lo a conhecer. Assim, escreveu Voltemos à Escola, um livro que podia ser extremamente aborrecido e teórico, mas que é o relato apaixonante de uma experiência da sua visita e permanência na Escola da Ponte durante alguns meses.
Não estou a mentir quando afirmo que muitas vezes vieram-me as lágrimas aos olhos: porque queria estar na Ponte, porque queria experimentar o modelo ali vivido, porque a história que contava em determinado momento me emocionou, porque queria dizer “Paulo, obrigada por me mostrares como a escola pode ser um espaço tão mais feliz”.
Este foi um livro que não consegui largar. Ao mesmo tempo, houve momentos em que não conseguia ler, porque não queria acabar o livro. Tal como quando o autor descreve que foi constantemente adiando a despedida da escola, também eu fui constantemente adiando o adeus à leitura deste livro, o adeus à Ponte. O adeus a uma vivência da Escola que anseio, que quero promover e que, ao mesmo tempo, por formação e por hábito, tenho algumas reticências em implantar completamente.
Dei por mim, nestas primeiras semanas, a aplicar coisas que aprendi com leitura deste livro como, por exemplo, a também eu, “pedir a palavra” nas aulas. A deixar nas mãos dos alunos as decisões do que fazer em determinados momentos, sendo eu apenas sua orientadora. Algumas destas dinâmicas já me eram familiares, mas senti-me validada após conhecer o trabalho na Ponte. Mesmo que tenha sido apenas um cheirinho. Mas quero mais. Quero mergulhar mais neste mundo de uma educação humanista que respeita o indivíduo no seu todo.
O Voltemos à Escola é de leitura obrigatória para quem é pai, mãe, tio, professor e auxiliar de ação educativa. Mas também para quem é Presidente de Câmara, vereador, Ministro da Educação e para todos aqueles que querem que as nossas crianças e jovens sejam o seu melhor, sejam felizes, sejam participativos na comunidade e sejam autónomos. 
Obrigada, Paulo Morais, pela partilha. E da próxima vez que for à Ponte, leve-me consigo!
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Ainda temos quinze dias…

fotografia de Artur Correia
Setembro acabou de chegar e só se fala no final do verão. Apesar de no calendário oficial o outono só iniciar a 21 de setembro, para a maioria das pessoas o final do mês de agosto e, muitas vezes, das férias, marca o final do verão. Deixamos de ir à praia. Começamos a preparar o regresso às aulas dos filhos (ou dos professores). Acabou-se a boa vida.
É muitas vezes, também, nestes dias que arrumamos um qualquer espaço que já nos incomodava de tanta tralha que tinha. Deitamos fora memórias de coisas tristes e, às vezes, de momentos felizes. Decidimos recomeçar, como se estivéssemos no início de um novo ano; estabelecemos novos objetivos, novas metas, sonhamos sonhos ainda não sonhados ou “re-sonhamos” outros que ainda não concretizámos.
O final do verão é, para mim, um momento de nostalgia, mas também um período de recomeço. Este ano, dupla ou triplamente. As mudanças, por vezes, assustam-me, mas os novos projetos desafiam-me a ir além do que já conheço. É um misto de querer ficar e querer avançar. É uma procura pelo equilíbrio possível quando se sonha tanto e se deseja viver tanto. 
Ainda faltam quinze dias para o final do verão; é tempo de viver ao máximo esta estação e prepararmo-nos para a próxima, sempre conscientes do ritmo fluído que o planeta e a Criação nos imprime. Não vale a pena lutar; é muito mais apaixonante deixarmo-nos ir.
Nota: o Artur Correia é um colega de escola que reencontrei graças ao Facebook e que é um fotógrafo simplesmente fabuloso, para além da sua atividade principal como advogado. Permitiu-me usar esta sua fotografia para o artigo, o que agradeço de coração pois, ao contrário do habitual, hoje foi a fotografia que inspirou o texto. Muito grata.