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Redenção | em busca da fé

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A Catedral de Notre Dame, em Paris, está a arder e o mundo observa, incrédulo, como as chamas devoram o símbola mais importante do Cristianismo em França. Nem Deus parece ter força para parar a destruição. Ou, quem sabe, foi o próprio Deus que permitiu que a destruição contecesse, em pleno período quaresmal, para que das cinzas nasça uma nova visão cristã do mundo, uma nova forma de agir, uma nova forma de sentir Deus.

Estes quarenta dias que precedem o Domingo de Páscoa são dias de profunda transformação, quer nos apercebamos ou não. Há vários anos que faço uma versão do jejum quaresmal – anulando o chocolate ou todos os açúcares da minha dieta, pois sou dependente deles e é um sacrifício enorme largá-los – mas este ano optei por não o fazer. Pelo menos conscientemente. Estes últimos quarenta dias têm sido de profunda transformação na minha vida, mesmo eu não tendo escolhido. Como diz um amigo meu, fazemos (ou não) planos para a vida, mas a vida acontece, e tem acontecido de tudo.

A Quaresma traz-nos redenção e renovação. Redenção, no sentido em que nos libertamos através do sacrifício (nosso ou de outro). Renovação, no sentido em que há um renascimento após este petíodo de redenção, que se devidamente vivido nos permite crescer e desenvolver de forma mais integral.

O incêndio de Notre Dâme destruiu parte do teto e o pináculo da catedral. Já se fazem esboços para a reconstrução. Que o fogo que nos arde dentro do coração e da alma durante estes dias permita que a nossa reconstrução pessoal seja feita de forma consciente e integrada, olhando para o que de positivo esta destruição interna nos traz e as possibilidades de crescimento que nos oferece. Para que possamos, todos em conjunto, ser mais humanos e também mais divinos.

 

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O amor é assim

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Hoje, como todas as segundas feiras, houve aula de Psicologia Positiva na Academia Sénior onde sou professora voluntária. E hoje falámos de amor, porque o mês de fevereiro, goste-se ou não, é um mês onde se fala, respira, compra, vende e só se vê amor por todo o lado.

Uma aluna mostrou o seu desagrado porque atualmente toda a gente fala de amor com a maior naturalidade, chama amor a tudo, enquanto que antigamente o amor era o que um casal sentia um pelo outro. Como o que ela sentia – e ainda sente – pelo homem com quem casou e de quem já se separou.

O amor tem destas coisas. O amor é tudo aquilo que queremos que ele seja: pode ser mau, pode ser bom, pode ser muito mau e pode ser muito bom. Hoje, na aula, falámos de tudo o que o amor nos fez lembrar: dos amigos, dos filhos, dos maridos. Da comida. Sim, porque cozinhar é um ato de amor e quando cozinhamos com amor, esse amor é sentido por quem o come. E se cozinhamos com dor, com aflição, com medo, esse “sabor” vai estar completamente impregnado no prato.

Há uns anos atrás, li um livro e vi um documentário sobre As Mensagens Escondidas na Água, de Masaru Emoto, onde este cientista demonstra que  água exposta a mensagens de amor ou de ódio tem um comportamento diferente, produzindo cristais, quando gelada, que são de uma beleza e brilho fantásticos (com palavras de amor) e que são escuras e baças (quando expostas a palavras de ódio ou raiva). Se o nosso corpo é amplamente composto por água, o que podemos concluir a partir deste estudo?

No seu livro Como Água para Chocolate, Laura Esquível conta uma passagem em que a personagem principal, depois de um desgosto inenarrável, é obrigada a cozinhar para um batalhão de pessoas e fá-lo, mas vertendo lágrimas constantes para a comida. O resultado? Terão que ler o livro, mas prometo que vale a pena e vai fazer-nos repensar o nosso estado de espírito quando cozinhamos. Cada gesto é um ato de amor. E tem que ser visto desta forma, ou acabaremos por perder o contato com a nossa essência e pôr em causa a nossa felicidade e o nosso bem estar.

Amor é isso mesmo. É tudo. É avassalador, é necessário, é essencial para a vida. Fomos feitos, como ser humano, para viver em e com amor. Para amar e ser amado. Cuidar e ser cuidado. Dar e receber. Para viver em comunhão.

O amor é assim. É descobrir, em cada dia da nossa vida, um sinal de amor, uma mostra de amor, uma promessa de amor. E dar, dar muito amor. O amor é daquelas coisas que se multiplica ao ser dado. Sem restrições.

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One Story a Month | O Grito

A STORY A MONTH

Uma vez por mês, publico, no blogue, um conto inédito, escrito por mim. Este foi inspirado numa formação que estou a fazer com a Margarida Fonseca Santos, sobre Escrita Criativa. Peguei num conto de 77 palavras e “cresci-o” para se tornar neste GRITO mudo.

Chegou demasiado tarde. O tempo não esperara por si. Viu-a, com aquele ar de dama imperial, com os cabelos grisalhos esvoaçando ao vento, e sentiu uma dor que não conhecera antes. Perdera-a. Pela quinta vez. Se antes, tinham tido “todo o tempo do mundo”, como reza a canção, agora esse mesmo tempo tinha-se esgotado. Mais uma vez, outro chegara antes dele para aquietar o coração dela. E, mais uma vez, a sua impotência matou-o mais um pouco. Calou o grito que lhe devorava as entranhas e entrou no bar. Iria passar o dia a beber gin com limão, para amargar ainda mais o seu dia e, quem sabe, matar-se de dor. Ainda diziam que o amor faz bem.