Leituras para o novo ano

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Quem me conhece sabe que sou uma leitora ávida. Com o começo do novo ano, porque qualquer desculpa é uma boa desculpa, faço um balanço do que li no ano anterior (com uma belíssima ajuda do GoodReads) e proponho-me a um número (habitualmente louco) de livros que vou ler no ano que se apresenta. Em 2017 propus-me ler 15 livros e li 22. Em 2018 propus-me ler 20 livros e acabei por ler 23. Em 2019 cometi a audácia de me propor a ler 30 livros. O primeiro já está quase no fim.

A escolha de livros para o ano pode ser planeada de várias formas e seguir vários modelos:

Por tema: posso, por exemplo, escolher um tema para cada mês do ano e ler livros que respeitem esse tema. Por exemplo, em fevereiro ter o tema AMOR como mote e ler poesia, romances cor de rosa (ou de outra cor), grandes romances de amor,… Em abril, mês da Páscoa, ler livros mais espirituais, de acordo com o momento que se vive.

Por género: posso atribuir um género a cada mês (poesia, drama, romance, ficção científica, ensaio, crónicas, biografia,…)

Por país de origem: há alguns anos, no Clube de Leitura que dinamizei na Biblioteca, fizemos isto durante alguns meses, lendo obras literárias de países que normalmente não escolhemos (Japão, Suécia, Noruega, Nepal,…)

Por cor: por questões de estética, tenho a minha biblioteca organizada por cores, colocando em cada prateleira os livros de determinada cor. Posso escolher uma cor para cada mês e deixar-me surpreender (descobri que não tenho quase livros nenhuns cor de rosa…)

Intercalar: decidi, este ano, tentar intercalar um livro de ficção com um livro de aprendizagem. A cada mês, um de cada. Ai mãe!

Por autor: posso, també, decidir que, em determinado ano, vou ler toda a obra de um autor. É uma aventura, só devemos fazê-lo se gostarmos mesmo desse autor.

Os clássicos: de acordo com The Western Canon / O Cânone Ocidental (Bloom:1994), há determinados clássicos que todos devemos ler. A sua lista é de 26 autores que, deverão, obrigatoriamente ser lidos por quem ama a literatura.

Seja qual for a opção, o importante é ler. Ler muito. E apreciar a leitura.

May the books be with you!

 

Como ser o meu melhor em 2019

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O início de um novo ano é um momento propício a fazer planos, a desenhar sonhos, a criar possibilidades de futuro. É importante fazê-lo, dar asas a esse processo criativo, mas ainda é mais importante levá-lo a cabo.

A maior parte das pessoas que traça objetivos para um novo ano, desiste antes mesmo de começar. É bom sonhar, mas é necessário saber que as coisas não acontecem só porque as desejamos (ou acontecem, como promete a Ronda Byrne?). É necessário manter o foco e levar a cabo as ações necessárias para que as coisas aconteçam. Eu não vou perder 5kg só porque digo que sim. Não vou ganhar 2 milhões na raspadinha se não comprar uma. Não vou começar uma nova relação (amorosa ou de amizade) se não sair para conhecer pessoas.

Em cada início de ano, devemos almejar a ser o nosso melhor nesse ano. Ser melhores do que fomos no ano anterior. Sem stress. Sem angústias. Com propósito.

  1. arriscar: este ano, arrisco mais, sou mais afoita, saio mais da minha zona de conforto, para poder crescer e ganhar asas.
  2. dizer não: este ano, digo não ao que me fere, ao que não me ajuda a crescer, ao que (e a quem) não contribui para o meu bem estar.
  3. dizer sim: este ano, digo sim a novas experiências, a novas amizades, a novas possibilidades; digo sim a mim e aos que eu amo.
  4. poupar: este ano, poupo mensalmente para poder viajar mais, visitar mais, experimentar mais, viver mais; poupo-me de cansaço, de irritações e de tristezas.
  5. investir: este ano, invisto parte do que poupo para poder gerar um maior bem estar no futuro, para que possa, em qualquer altura, adquirir bens que contribuam para o meu bem estar; invisto, também, em mim, para ser mais feliz.

O meu melhor deste ano inspira-se nos meus melhores momentos de anos anteriores, mas reinventa-se, porque a estagnação pode não matar, mas corrói. O seu melhor deste ano ainda está para vir, por isso, mãos à obra. Vamos construir a melhor versão de nós próprios, rumo a um maior bem estar, a um estado de felicidade maior, mais ligada, mais conectada aos outros e ao nosso verdadeiro propósito neste mundo. Feliz ano novo!

Objetivar o novo ano | listas e mais listas

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Sou uma pessoa de listas. Faço listas de compras, de afazeres diários, de tudo o que possa tornar a minha vida mais fácil e mais objetiva.

Com o início do ano, há o sonho de fazermos coisas novas, de visitarmos lugares nunca antes visitados, de lermos livros sobre os quais ouvimos falar, de ver filmes e séries que nos interessam… Se não registarmos tudo isso, corremos o risco de não fazer nem metade, ou porque nos esquecemos ou porque não dedicámos tempo na nossa agenda para tal (sobre a importância de ter uma agenda, veja este post no Crónicas).

As listas podem ser chatas, mas também podem ser muito interessantes. Podemos tornar algo aborrecido como uma lista de compras numa aventura artística ou, pelo menos, em algo visualmente interessante. E que tipo de listas podemos fazer?

  • Livros que lemos ou que queremos ler

  • Compras (de supermercado)

  • Filmes vistos ou a ver

  • O que nos faz feliz

  • Séries que estamos a seguir ou que queremos ver

  • Viagens a fazer

  • Restaurantes a experimentar

  • Objetivos para o ano, para o mês e para a semana

  • Gratidão

  • Coisas que faria se ganhasse o Euromilhões (esta é inspirada neste livro).

Há muitas listas que podemos fazer, mas a mais importante de todas é a lista daquelas coisas que nos fazem felizes, que nos enchem a alma, e os objetivos de vida e do ano que agora começa. É simples. Só precisamos de papel e canetas, se decidirmos fazer à mão, ou um computador com um processador de texto e/ou um editor gráfico se preferirmos a forma digital. Seja como for, o importante é começar. Se não soubermos como começar, podemos criar a nossa primeira lista: materiais necessários para fazer as minhas listas…

 


a imagem que ilustra este artigo foi retirada do Instragram da Heidi

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One Story a Month | New year, new me, new you

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Acordara naquele dia com vontade de não se levantar. Já tinha lido um livro que a inspirara a fazer algo tão radical como não se levantar da cama durante um ano, mas desistiu da ideia assim que pensou na questão das idas (ou não) à casa de banho. O final do ano deprimia-a. Apetecia-lhe viajar, mas ao mesmo tempo queria ficar em casa. Sonhava estar com os amigos, mas ansiava igualmente pelos momentos solitários no sofá enrolada na manta de pelo sintético. A sua vida era uma canção do António Variações, em que só estava bem onde não estava, e isso não a ajudava a olhar o novo ano que estava quase a chegar com bons augúrios.

Saiu para a rua, vestida numa versão semi fato de treino com alguns apontamentos de casualwear. O dia invernoso convidou-a a parar no café da esquina da rua para beber um chocolate quente com um churro, mil e tal calorias que se lhe alojaram imediatamente na anca calipígias. Olhou de soslaio para o empregado, que coçou a barba comprida com ar guloso enquanto a mirava e tirava um latte fumegante para um qualquer cliente que, com certeza, se aborrecia com a espera e o barulho das conversas dos outros que adornavam o estabelecimento. Era cedo. Mas tão tarde para tanta coisa que gostaria de ter feito nesse ano.

Desceu até ao fundo da rua, onde podia vislumbrar o oceano antracite que ofegava, com as gaivotas que esvoaçavam em círculos, como abutres sobre carne acabada de morrer. Pressentiam a tempestade. Tinha sido um ano duro. Muitas perdas, muitos danos. Dores e dissabores. Amores e paixões sem sentido. Levantou os braços em direção ao céu cinzento debruado com laivos de algodão e gritou. Um grito nú e preenchido com todas as vivências do ano. Detestava o final de ano. Mas decidiu, naquele momento, que o novo ano seria um novo ano, uma nova oportunidade para si e para quem estivesse apto a entrar na sua vida.

Voltou a subir a rua em direção a casa. O barista de barba comprida fumava um cigarro ao lado da porta de serviço do café. Sorriu-lhe. Sorriu-lhe de volta. Feliz Ano Novo.

Este conto encontra-se abrangido por uma licença Creative Commons, ou seja, não pode ser usado sem referência à autora.


A fotografia que inspirou esta história, e que ilustra este post, foi generosamente cedida pelo Artur Correia. Visitem o seu portfólio. Vale a pena.

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Looking back | a agradecer em 2017

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O final do ano é, muitas vezes, uma altura em que nos debruçamos sobre os objetivos para o ano seguinte: o que queremos fazer, o que queremos deixar de fazer, quando queremos ganhar, quem queremos conhecer, para onde sonhamos viajar…

Também acontece olharmos para trás e ver o que correu mal. É habitual ouvir as pessoas dizer: este ano foi terrível porque aconteceu-me isto ou aquilo. Mas dos 365 dias que o ano teve, porque será que nos recordamos mais do que correu mal do que do que correu bem?

É importante neste momento olhar para trás, sem ressentimentos, e contar as bênçãos que tivemos. Para cada coisa que correu menos bem, vamos fazer o possível de nos lembrar de três que correram bem. Por exemplo: não me subiram o ordenado (negativo), mas mantive o meu emprego (positivo), estou efetiva (positivo) e gosto muito dos meus colegas de trabalho (positivo). Há que manter um racio de 3:1 de forma a que consigamos manter-nos positivos.

No final do ano, vamos fazer um exercício. Vamos lembrar – e registar por escrito – 12 coisas que temos a agradecer este ano de 2017. E vamos começar a fazê-lo todos os anos, no nosso diário, num caderno, no computador, onde quer que seja. Mas vamos fazê-lo, para honrar as bênçãos que nos foram dadas neste ano.