Psicologia Positiva, Uncategorized

As palavras que dizemos

FM_as palavras que dizemos

Há alguns dias – não muitos, estava numa aula de Psicologia Positiva com as minhas alunas séniores onde falávamos de amor, de todas as vertentes e demonstrações de amor e sobre o quão importante o amor é para as nossas vidas. Num determinado momento, falávamos sobre como a escolha do que comemos é importante para a nossa saúde e que nem todas as “dietas” são boas para todos, pois há pessoas que conseguem reduzir imenso o peso e outras não. Uma das alunas chamou a atenção que a neurolinguística assenta no valor e na força das palavras no nosso cérebro e que quando dizemos que “perdi 5 quilos” o nosso cérebro vai fazer todos os possíveis para que os voltemos a “encontrar” porque o ser humano parece estar programado para “encontrar” aquilo que “perde”.

Conheço, há bastante tempo, os conceitos da neurolinguística, mas não me lembro de ter pensado nesta questão. Faz todo o sentido, não? Se nos debruçarmos sobre aquilo a que nos referimos como tendo “perdido”, veremos que andamos, ainda, à sua procura: perdi o meu marido (não encontro outro amor, porque ainda procuro aquele), perdi dez quilos (é melhor comer esta fatia de bolo para voltar a encontrá-los), etc. Isto é feito, obviamente, inconscientemente, sem que tenhamos noção do que está a acontecer, mas é importante que estejamos atentos. Essa aluna, por exemplo, quando se refere às oscilações da balança já não diz que perdeu peso (sensação de perda, de sofrimento, pois nascemos para ganhar), mas sim que reduziu, o que já não é tão forte para o nosso cérebro.

Já tinha alterado algumas expressões que usava como “nunca vou ser capaz”, “nunca vou fazer isso” ou “nunca mais”, pois são extremamente limitadoras e vão diminuir as possibilidades de que as coisas boas aconteçam. Agora, vou estar ainda mais atenta ao que digo e como digo. E vou ler sobre o assunto, pois aprender é crescer e ser mais feliz. Assim, é importante ouvir o que dizemos – e como dizemos – para que possamos ampliar ao máximo as possibilidades de felicidade nas nossas vidas. Porque está nas nossas mãos. E nas nossas palavras.

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As princesas também caem

SABES QUE AS PRINCESAS TAMBÉM CAEM_ (1)Quando era criança, por ter algumas dificuldades de equilíbrio e de sustentação ortopédica, caía com muita frequência. Habituei-me a chorar quando caía, porque ficava envergonhada. Não percebia porquê, até que reparei que a minha mãe fazia o mesmo. Ter vergonha de cair deve ser uma das vergonhas mais sem sentido que eu conheço, por isso comecei a trabalhar arduamente para dar cabo dela.

No passado fim de semana fui ao baile de finalistas dos meus alunos de há três anos atrás. Adoro vestir roupas de festa e deslizar pelos salões. Sinto-me empoderada; não porque a roupa seja cara, mas porque me empenhei em estar no meu melhor para mim e para as pessoas que vou homenagear. O convite dos meus antigos alunos deixou-me muito feliz e foi uma grande alegria vestir-me de princesa para celebrar este final de “época” com eles.

Depois de uma noite linda, muito bem passada, estava a sair do espaço (magnificamente decorado pelos alunos e por duas das suas professoras), quando – acreditem! – escorreguei numa folha de alface e caí de cara no chão. Verificações: parti algum dente? Não? Estou a esvair-me em sangue? Não. Sinto o joelho? Não. Help! Fui ajudada por alunos e por mães extremosas e daí a alguns minutos estava no carro, pronta para ir para casa. Estava cheia de dores, mas desta vez não senti vergonha, não chorei (porque não tive vontade) e dediquei a minha energia a cuidar de mim com muito carinho.

Hoje, passados quatro dias, ainda tenho a boca e o queixo roxos, mas já não me dói o joelho e estou feliz. Porquê? Porque não senti vergonha. Porquê? Porque as princesas também caem. E, como dizem os nossos irmãos espanhóis, no passa nada.

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Ser um verdadeiro peregrino

Peregrino

Peregrinação é uma metáfora poderosa para qualquer viagem com o propósito de encontrar algo com significado para o viajante.

Phil Cousineau

Maio é o mês de Fátima. De Maria. Das trovoadas. Maio é um mês estranho. Nem é Verão, nem é Inverno. Assistimos a grandes atrocidades no mundo do desporto, com o ataque “terrorista” à equipa do Sporting, e a uma incongruência brutal na realização de um festival da canção em Portugal que foi uma produção brilhante, mas com uma representação que veio confirmar aquilo que alguns dizem: “depois de uma grande bonança vem uma grande tempestade”.

Durante a primeira metade do mês, muitos foram os portugueses nas estradas do nosso país rumo a Fátima, naquela que é a maior peregrinação em Portugal. Muitos apregoam aos sete ventos que fazem esta peregrinação; muitos outros fazem-na em completo silêncio e recolhimento. Confesso que o acto peregrino como o vejo nesta mostra de devoção me assusta. Assusta-me porque não me vejo a conseguir andar tantos quilómetros. O facto de ser anã faz com que cada passo de um adulto de 1m80m equivalha a dois passos meus; o único exercício que faço são duas sessões de ginásio com PT e uma sessão de cardio e musculação semanais; no fundo, tenho medo.

Acredito que possa estar a perder uma experiência maravilhosa, que me engrandeceria o corpo e a alma; no entanto, encontrei outras formas de peregrinar, seja externa seja internamente. E porque este é o mês das peregrinações, vou partilhar as minhas convosco.

  1. Oração: a oração aproxima-nos de Deus. Deus está em toda a parte e apoia-nos mesmo sem oração, mas quando rezamos estamos em diálogo direto com Ele. As orações podem ser aprendidas, ou podemos preferir criar a nossa própria oração para fazer um diálogo que nos faça mais sentido. Orar é peregrinar rumo a uma maior conexão com a vida, connosco e com o que nos cerca.

  2. Meditação: não consigo meditar durante horas a fio, mas alguns minutos matinais ou de final de dia dedicados à meditação são doses de seratonina e melatonina em dobro que o nosso cérebro recebe e que nos permite apreciar a vida de uma foma mais consciente e aberta.

  3. Silêncio: algumas pessoas gostam de fazer retiros de silêncio na Índia de um mês (conheci uma mulher que quase enlouqueceu nas primeiras semanas pelo choque do contraste que viveu, passando de uma vida onde falava muito para um mês de silêncio completo), mas é mais importante que retiremos alguns momentos do dia para nos silenciarmos: sem falar, sem ouvir, sem ler, sem usar telemóvel nem internet. Simplesmente ser.

  4. Escrita: escrever, para mim, é fazer uma peregrinação pelos caminhos desconhecidos da minha alma. Seja através daquilo a que se chama flow writing, quer seja através da escrita criativa, esta prática leva-nos a lugares nossos nunca dantes navegados e potencia o nosso crescimento enquanto seres humanos.

Como diz Thomas Merton “A peregrinação geográfica é a realização externa de uma viagem interna. A viagem interna é a interpolação dos significados e dos sinais da peregrinação externa. Podemos ter uma sem a outra. Mas é melhor viver as duas.” Enquanto não me aventuro a fazer o Caminho de Santiago – aquele que me chama – faço a minha peregrinação interna de outras formas. Estou a perder alguma coisa? Não sei. Mas estou a encontrar-me a cada novo dia.

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Ser uma Durona |a importância de ser honesta

DURONA

Hoje celebra-se o dia da honestidade. A origem da palavra vem do latim honos, que remete para uma ideia de dignidade e de honra. Ser honesto significa não mentir e não enganar. Pede-se que sejamos honestos, que sejamos verdadeiros com os as outras pessoas. Mas se nos preocupamos muito em ser honestos com os outros, muitas vezes defraudamo-nos a nós mesmos e não somos honestos connosco próprios.

Durante este mês, a minha leitura esteve dedicada quase totalmente ao livro de Jen Sincero, Tu És Uma Durona (You’re a Badass, no original). Não posso afirmar que tudo o que li me era desconhecido; a verdade é que, mais do que tudo, foi-me importante recordar uma série de ensinamentos que tenho recebido ao longo dos últimos quinze anos. E confrontar-me com as minhas dúvidas, os meus receios e as minhas desistências ao longo do Caminho.

Badass fala-nos de Deus, do poder da manifestação, da nossa fera interior, do medo e – pasme-se – da nossa ligação (ou falta dela) ao dinheiro. Numa série de capítulos muito bem estruturados, leva-nos numa viagem que implica um trabalho efetivo daquilo em que vivemos – o Grande Tédio – àquilo que somos na realidade – exploradores do Grande Filão.

A grande aprendizagem ao longo deste desafio é o auto-amor, a auto-aceitação. Sincero lembra-nos disto a cada final de sub capítulo com um “ame-se a si própria” que, se a princípio nos “irrita”, ao longo do livro começa a fazer parte da nossa atividade, mesmo que inconsciente.

Para acompanhar a leitura do Badass, Jen Sincero oferece-nos, na sua página, um guia de como ser uma verdadeira durona, mesmo para quem não leu o livro. É um bom ponto de partida, mas confesso que vale MESMO a pena ler o livro.

Eis algumas pérolas que decidi sublinhar (a cor de rosa!) durante a minha leitura.

  1. Tem de deixar de querer mudar a sua vida e decidir mudar a sua vida: fazer coisas que nunca imaginou fazer, acreditar em coisas que não consegue ver, ultrapassar os seus medos, falhar uma e outra vez e habituar-se a fazer coisas que não se sente confortável a fazer.

  2. Se quer viver uma vida que nunca viveu, tem de fazer coisas que nunca fez.

  3. O Universo responde com as mesmas vibrações que emitimos. E não se pode enganar o Universo.

  4. Todos os seres humanos nascem com a capacidade de cometer erros grandiosos.

  5. Não desperdice o seu tempo precioso a preocupar-se com aquilo que os outros pensam de si (o que elas pensam sobre sim tem a ver com elas, não consigo).

  6. Saber claramente qual é o seu objetivo único pode representar a diferença entre viver uma vida feliz, realizada e cheia de abundância, escolha e expansividade ou viver no curral confinado da sua própria indecisão e das mesmas velhas desculpas.

  7. Deixe de lado as desculpas e a vergonha por querer ser grande e fabulosa.

  8. O seu trabalho não é saber o como, é saber o quê e estar aberta a descobrir e receber o como.

  9. Rodeie-se de pessoas que pensam como quer pensar.

  10. Não há nada tão imparável como um comboio de carga cheio de motivação.

Há tantas outras coisas que podemos ser e fazer e aprender com este livro. Mas não vou contar mais nada. Vou trabalhar em ser fabulosa e badass o máximo possível. E em ser honesta comigo: com a pessoa fabulosa que sou, com os meus medos, as minhas dúvidas e as minhas motivações mais profundas. E fico a aguardar que faça o mesmo. Por si.

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Aquilo que realmente importa

O que importa na vida não é o que te acontece mas aquilo que recordas e como o recordas

Há uns anos atrás estava numa formação em Integridade Emocional com um grupo de pessoas fantásticas e um formador que nos convidava a “come to the dark side: we have cookies!” e que nos levou, em cada módulo de formação, a aprender a ir além dos nossos limites, ao mesmo tempo que aprendíamos a respeitar os nossos limites. Num desses módulos, tivemos que imaginar que íamos – e atuar como se fossemos – morrer durante a noite. Antes de ir deitar, tivemos que pensar naquilo que realmente importava nas nossas vidas e tivemos, inclusivamente, de nos “despedir” da pessoa que mais amávamos.

Sabemos que no momento em que estamos prestes a partir deste mundo, há uma reflexão sobre o que realmente é importante para nós. Existem vários estudos e relatos sobre os remorsos e arrependimentos que as pessoas revelam no momento de morrer. O que é que importa, realmente, para cada um de nós? Será que é necessário esperar pelo momento da morte para sabermos?

Não o convido a fazer o exercício que fiz na formação – implica ter um apoio porque é bastante intenso e as pessoas a quem vai ligar não vão, com certeza, entender a sua “despedida” (pode acabar por ter a polícia ou o INEM à porta de casa se acharem que vai cometer uma desgraça!), mas convido-o a fazer um exercício mais simples. Eu vou fazê-lo, neste momento, consigo, e vou partilhá-lo aqui. Este exercício é baseado nas 5 coisas que as pessoas mais lamentam no leito de morte. Mas lembre-se: é um exercício de vida, para celebrar a vida, para que possa viver ao máximo, com coragem, a melhor versão da sua vida!

Tire um tempo para si. Merece, não? Desligue aparelhos eletrónicos, telemóveis e redes sociais. Pegue num caderno, no seu diário ou numa folha, e prepare-se para fazer uma viagem através do que realmente importa para si. E para mim. Escreva aquilo que sente como mais verdadeiro para cada uma das coragens que se apresentam abaixo.

1. Coragem de viver uma vida verdadeira, não apenas ser e fazer o que os outros pensam ser melhor.

De que é que eu gosto? O que é que eu quero? O que me apetece realmente fazer ou dizer? Quais são os sonhos que não me atrevo a realizar? Onde gostaria mesmo de ir? Em que área sonho trabalhar? O que quero muito experimentar? Há alguém que eu quero ter na minha vida? Há alguém que eu quero retirar da minha vida?

2. Coragem de não trabalhar tanto.

Quantas horas trabalho por dia? Porque é que trabalho tanto? Para quê? Sinto que preciso de trabalhar tanto para sentir que me dão valor? O meu valor vem das horas que trabalho? Eu sou o meu trabalho? De que forma posso reduzir as horas que passo a trabalhar, sem perder o emprego e sem prejudicar a empresa? O que é que eu ganho por trabalhar tantas horas? O que é que eu perco por trabalhar tantas horas? Atenção: não estou a advogar que se despeça, mas reflita nas horas que dedica ao trabalho – serão as necessárias, ou passa mais tempo envolvida com o trabalho do que necessita? Por exemplo, vai para a cama e passa horas a pensar no que vai fazer no dia seguinte, ou no email que tem para enviar, ou no relatório,… Faça uma promessa (e cumpra-a!) de dedicar apenas as horas que deve ao trabalho, nem mais uma. Vai ver que vai ganhar tanto tempo para si e para aquilo que realmente importa.

3. Coragem de dizer o que sinto.

Honestidade emocional é das coisas mais importantes para a nossa saúde emocional e física. Sentimentos não expressos – positivos e negativos – aglomeram-se no nosso corpo e causam bloqueios que podem transformar-se em problemas de saúde física. Já disse ao meu companheiro que gosto dele? Ou que já não gosto e preciso de espaço? Já disse à minha amiga X que tenho saudades de conversar com ela? Já afastei a pessoa Y da minha vida porque me faz mal e não me deixa crescer enquanto pessoa? Reflita sobre este ponto – tão difícil, por vezes – e faça este exercício de integridade emocional.

4. Coragem de estar em contato com os meus amigos.

O grupo de amigos e a família são quem mais importa quando estamos a morrer. E para nós, que estamos a fazer agora este exercício, é bem mais fácil, porque em princípio temos tempo de contactar as pessoas de quem realmente gostamos. Vamos experimentar. Faça uma lista de: 5 pessoas da sua infância que gostaria de reencontrar; 5 amigos (de quem realmente gosta) com quem não fala há mais de um ano; 5 pessoas que só viu uma vez mas que gostaria que fizessem parte da sua vida. Parece fácil, mas não é. Agora que já tem a lista feita, vamos operacionalizar esforços (efetivos!) para entrar em contato com estas pessoas. Escreva tudo: quando vai contatá-las, como o vai fazer (por telefone, Facebook, SMS,…), que tipo de encontro quer (virtual, presencial, viagem, almoço,…) Lembre-se que, mais do que escrever, há que FAZER!

5. Coragem de me atrever a ser mais feliz.

Ser feliz é uma escolha, já está provado por vários exemplos de várias pessoas, e por vários estudos. Muitas vezes optamos por não mudar, por deixar-nos enredar naquela vidinha que conhecemos e que nos é confortável. Deixamo-nos, muitas vezes, adormecer na vida. Há que combater esta tendência tão humana. Reflita. De 1 (muito infeliz) a 7 (extremamente feliz), quão feliz sou eu neste momento? O que me faz feliz agora? O que posso fazer para subir mais um ponto (e ser um pouco mais feliz)? Como posso fazer para trazer essas coisas/experiências para a minha vida? Reflita, escreva e depois faça um plano de ação para a felicidade. Está nas suas mãos.

Agora que já terminou o exercício, arrume tudo. É preciso, também, ter coragem para descansar depois de uma atividade que mexe tanto com o nosso âmago. Mas não esconda num sítio onde nunca mais possa encontrar esta reflexão. Porque daqui a alguns dias, estará na hora de pegar nas suas respostas e começar a agir em conformidade. Com coragem. E muito amor.

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Higher Love | a preto e branco

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Uma imagem pode valer muito mais do que mil palavras, mas também acredito que as palavras podem complementar uma boa imagem e torná-la espetacular.

Há uns dias, uma amiga desafiou-me a participar num desafio no Facebook que consiste em publicar uma imagem a preto e branco por dia sobre a vida diária, sem qualquer comentário, sem retratar pessoas. Algo que parece tão simples, tão sem significado, acaba por revelar-se um profundo mergulho sobre nós, sobre aquilo a que damos importância, sobre a forma como olhamos o mundo.

Há quem passe tanto tempo “escondido” atrás de um telemóvel a tirar fotografias que nem dá pelo que acontece à sua volta. Com este desafio, pelo contrário, senti-me convidada a olhar o meu mundo diário de outra forma. A que é que dou valor? A que presto mais atenção? O que escolho do meu dia para fotografar?

No mês em que se celebra o amor, um desafio que parecia tão simples veio convidar-me a refletir sobre o Amor Maior, sobre tudo aquilo que realmente tem importância na vida. Sobre quem tem importância na minha vida. Sobre a Luz que me guia em cada momento. Através de cada fotografia, acabo por espelhar um pouco da minha alma e do meu coração. Afinal, as redes sociais podem ser uma fonte de introspeção e de crescimento pessoal, after all.

Este mês, os posts serão inspirados em títulos de canções com “love” no título. O de hoje, é inspirado em Higher Love, de Steve Winwood.