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As princesas também caem

SABES QUE AS PRINCESAS TAMBÉM CAEM_ (1)Quando era criança, por ter algumas dificuldades de equilíbrio e de sustentação ortopédica, caía com muita frequência. Habituei-me a chorar quando caía, porque ficava envergonhada. Não percebia porquê, até que reparei que a minha mãe fazia o mesmo. Ter vergonha de cair deve ser uma das vergonhas mais sem sentido que eu conheço, por isso comecei a trabalhar arduamente para dar cabo dela.

No passado fim de semana fui ao baile de finalistas dos meus alunos de há três anos atrás. Adoro vestir roupas de festa e deslizar pelos salões. Sinto-me empoderada; não porque a roupa seja cara, mas porque me empenhei em estar no meu melhor para mim e para as pessoas que vou homenagear. O convite dos meus antigos alunos deixou-me muito feliz e foi uma grande alegria vestir-me de princesa para celebrar este final de “época” com eles.

Depois de uma noite linda, muito bem passada, estava a sair do espaço (magnificamente decorado pelos alunos e por duas das suas professoras), quando – acreditem! – escorreguei numa folha de alface e caí de cara no chão. Verificações: parti algum dente? Não? Estou a esvair-me em sangue? Não. Sinto o joelho? Não. Help! Fui ajudada por alunos e por mães extremosas e daí a alguns minutos estava no carro, pronta para ir para casa. Estava cheia de dores, mas desta vez não senti vergonha, não chorei (porque não tive vontade) e dediquei a minha energia a cuidar de mim com muito carinho.

Hoje, passados quatro dias, ainda tenho a boca e o queixo roxos, mas já não me dói o joelho e estou feliz. Porquê? Porque não senti vergonha. Porquê? Porque as princesas também caem. E, como dizem os nossos irmãos espanhóis, no passa nada.