Abraçar a Dor, Uncategorized

Abraçar@ | as minhas viagens

Quando sonhei escrever o Abraçar a Dor, sonhei, obviamente, apresentá-lo em vários locais. A terra que me viu nascer fazia todo o sentido e a terra que me acolhe atualmente também, até porque há muita história que as une (mas esse será tema para outro artigo aqui no blogue).

Desde que o livro foi publicado, tive a sorte de receber feedback de vários leitores que ou se identificaram comigo porque têm fibromialgia, ou também têm desafios nas suas vidas ou, simplesmente, que gostam de mim e apoiam o meu trabalho. Uma das minhas leitoras, muito querida, até sugeriu algumas revisões de texto, o que muito lhe agradeço, porque desde que sejam construtivas, todas as opiniões são bem recebidas por mim.

Divulgo na minha página, no separador livros, os locais onde estive e/ou onde estarei, os que ainda estão em preparação e os que já estão confirmados. Eis as aventuras de 2018.

ABRAÇAR@ SERPA LOVERS

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Este espaço, em Serpa, é-me muito especial. Pode ter sido, inicialmente, pelo facto da Vera ser mãe de um aluno meu, mas passou a ser porque a Vera é a Vera. É um espçao bonito, acolhedor, elegante, saudável e cheio de histórias e de amor para partilhar. A convite da Vera, foi ali que se deu o pontapé de saída para a tour Abraçar@. Tive o grato prazer de ter alunos, amigos, colegas e até (des)conhecidos comigo numa tertúlia que avançou pela tarde e nos encheu, a todos, os corações. Houve visitas surpresa e muito amor conversado e partilhado. Foi, de coração, o melhor kick-off que poderia ter tido.

ABRAÇAR @ BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SERPA

A Biblioteca Municipal de Serpa é uma casa para mim. Durante alguns anos ajudei a dinamizar um Clube de Leitura e, apesar de não fazer visitas muito frequentes (porque ainda considero que comprar livros me é essencial), continuo a sentir-me em casa quando lá estou, por isso, quando o convite surgiu, aceitei de imediato. Foi uma apresentação com a presença, mais uma vez, de pessoas a quem quero bem e que me querem bem. Mais do que vender livros, quero partilhar histórias e saberes. E sabores. E tem sido isso mesmo que temos feito nas sessões Abraçar@.

2018 foi um ano em grande: cheio de trabalho, mas também cheio de alegrias e de partilhas. Que 2019 seja assim e muito mais! Que os abraços se multipliquem e ajudem a fazer as pessoas felizes!

 

 

 

 

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Uma escola feliz

EscolaFeliz

Quando era criança não gostava da escola. Entrei, cheia de entusismo, com cinco anos para o que se chamava a Escola Primária e lembro-me da primeira coisa que fiz. A professora pediu o lápis preto. Eu procurei nos lápis de cor e mostrei o lápis preto. Não é esse, disse-me, com voz ríspida, é este, e mostrou-me o lápis de carvão. Foi assim que começou um pesadelo de quatro anos.

Quantos de nós não tivemos professores que nos marcaram pela negativa. Eu tive-os, com certeza, mas também tive exemplos que me inspiraram como aluna e também como professora. Lembro-me, principalmente, da professora de Português do sexto ano, que nos incentivou a fazer leitura extensiva, quando na altura ainda não se fazia isso nas escolas. E da professora de Inglês do décimo segundo, que me fez querer muito viajar até Inglaterra e Estados Unidos e – finalmente – inspirou-me a ser professora de Inglês.

A profissão de professor – e a escola – são neste momento alvo de ataques por vezes muito feios. Os professores estão mortos, lia-se na porta da minha escola há uns dias. Os professores estão de férias a maior parte do ano. Os professores têm que. Os professores têm que fazer tudo. A escola tem que fazer tudo. E aqui, pergunto: quem é a escola? Numa reunião escolar há algum tempo atrás, uma representante respondeu a esta pergunta “então, a escola são os professores!”. Resposta errada: a escola somos todos nós.

Há algum tempo falei aqui sobre um livro que revelou um pouco do trabalho que se faz na Escola da Ponte. Esta semana comecei a frequentar uma ação de formação fora do meu horário de trabalho, que foi paga por mim e implica um trabalho sério e profundo, dinamizada por José Pacheco, o professor que “criou” a Escola da Ponte. Em simultâneo, encontro-me a ler um relato sobre a experiência e os projetos de César Bona, um professor espanhol, que foi candidato ao Global Teacher Prize. A escola precisa de mudar, claramente. Mas a escola somos todos nós: os alunos, os professores, o ministério da educação, os pais, os encarregados de educação, os municípios e mesmo toda a comunidade onde cada escola se insere.

A escola onde trabalho – e onde sou feliz – foi convidada a participar num projeto a nível mundial que poderá vir a transformá-la numa comunidade de aprendizagem. Este projeto implica a participação da comunidade – toda a comunidade – em atividades de sala de aula. A tão desejada entrada da comunidade na escola é agora uma realidade, mas que não se concretiza em pleno, porque quando se contactam os voluntários que se ofereceram para participar nas aulas, estes não estão disponíveis. Neste momento, a maioria dos voluntários que se estão a “apresentar ao serviço” são, mais uma vez, os professores, em horas que não estão nos seus horários, para garantir que este projeto, que promete o sucesso educativo, avance em pleno. Porque gostamos dos nossos alunos e queremos que sejam felizes e tenham sucesso escolar.

Os alunos podem gostar da escola e podem ser felizes na escola, é esse o nosso sonho. É para isto que trabalhamos. Acredito que cada um de nós faz o melhor que sabe e de que é capaz em cada momento – digo-o tantas vezes – e, como diz José Pacheco, temos que trabalhar com e não trabalhar contra as pessoas e as instituições para criar uma escola feliz e de sucesso.

Eu sou feliz na escola. Mas acredito que posso ser mais feliz ainda. Por isso, trabalho para isso (ainda há acredite que a felicidade não dá trabalho) e invisto em mim enquanto pessoa e enquanto professora. Porque faço parte da escola. Tal como os meus alunos. Tal como os encarregados de educação dos meus alunos. Tal como o senhor da barbearia e a senhora que me atende no supermercado. Porque todos fazemos parte de algo muito maior. E todos queremos – acredito – que as nossas escolas sejam mais felizes. Mas para isso temos que voltar à escola.