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Coisas para fazer quando está doente

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Este ano começou quase da mesma forma como o anterior acabou: com um surto de gripe em Portugal. Sendo professora e partilhando espaços pequenos, fechados, com ar condicionado, com cerca de vinte adolescentes na flor da idade a cada noventa minutos, muito me admirei de só agora, em finais de janeiro, esta onda de gripe me atacar. Mas fê-lo e de forma exemplar: febres altas, dor de cabeça, ouvidos e garganta, rinite, sinusite e outras “ites”, e uma falta de força e de energia tal que apaga qualquer possibilidade de movimento.

Depois da visita obrigatória ao hospital, onde felizmente a lista de espera era curta, o regresso a casa trouxe-me um dilema: e agora, o que faço? Como (quase) todas as mulheres, a minha vida é dividida entre inúmeras tarefas diárias, obrigatórias, que me ocupam quase todas as horas do dia. Neste estado, no entanto, não estava em condições para fazer uma série delas. Os primeiros dois dias foram passados entre a cama e o sofá e, finalmente, ao terceiro dia, já me foi possível sair da posição horizontal que ameaçava assustadoramente adicionar 100g por dia ao meu peso quase perfeito.

A doença, como diz Louise Hay (e eu própria, no meu livro Abraçar a Dor, que, se ainda não comprou, não entendo do que está à espera para o fazer), tem um propósito. O meu corpo adoece quando está muito cansado e não consegue proteger-se das “ameaças do exterior”, sejam elas doenças ou (e cumulativamente) trabalho excessivo. Assim, esta gripe permitiu-me alterar alguns hábitos, nem que seja por alguns dias.

  1. passar tempo com os meus cães: como verdadeiros pais modernos, quando vamos trabalhar, por vezes deixamos os nossos “filhos” em casa da avó, onde são muito felizes e comem guloseimas o dia todo (não é para isso que as avós existem?); estando doente, tenho-me permitido passar tempo com eles, conversar, ouvi-los, mimá-los. Simplesmente estar com eles.
  2. ler: se nos primeiros dias foi impossível devido à febre elevada e às dores de cabeça, com o avançar dos dias tem sido possível escolher algumas leituras que venham adicionar conhecimento à minha vida. Neste momento estou a ler este livro – Oscar Wilde para Inquietos, de Alan Percy – que me provoca a cada página. Depois deste vou, definitivamente, precisar de algo mais light.
  3. ver filmes e (ou) séries: durante as semanas normais de trabalho, não sou muito TV dependente, mas nestes dias de febre, frio e dores, nada melhor do que uma série em que tudo corre bem ou, pelo contrário, em que tudo corre mal e nos sentimos melhor porque há vidas muito piores do que as nossas. Sei que parece mal dizê-lo, mas é por isso que o ser humano gosta de ver dramas, para se certificar que há coisas muito piores a acontecer a outras pessoas.
  4. dormir: não sei se é da medicação (extremamente rica em Vitamina C, um poderoso estimulante natural), mas tenho tido noites de sono muito curtas, chegando a acordar às 3 da manhã e não conseguir dormir mais. Acordo sem sono, como se já fosse de manhã, mas sem a energia recarregada, pois a gripe ainda está bem acesa em mim. Cada momentinho no sofá é um convite a uma soneca breve, com a minha cadela aos pés e uma manta quentinha a tapar-nos. Heaven, é o que é.
  5. não fazer nada: tem havido momentos esta semana em que, simplesmente, não faço nada. Não durmo, não vejo TV, não leio, não nada. Nada. Quieta. Sossegada. Sem fazer rigorosamente nada. É estranho,a  princípio, mas depois começa a fazer sentido. É disso que o corpo precisa para se regenerar.

É importante que encaremos a doença como um momento de crescimento e de aprendizagem muito importante para a nossa vida. O que fazemos com a doença está nas nossas mãos. Eu escolho crescer. E você?

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Abraçar a dor – abraçar a fibromialgia

ABRAÇAR A DOR

O mês de julho, que agora finda, viu nascer uma série de fenómenos fantásticos. O meu nascimento, no dia 20, o eclipse lunar no dia 27 e, entre um e outro, a publicação do meu primeiro livro: Abraçar a Dor.

Este sonho, de que eu já falei aqui, nasceu há algum tempo, mas só este ano ficou pronto para ver a luz do sol. No fundo, trata-se de uma viagem através dos últimos anos, em que fui conhecendo melhor quem sou, o que a fibromialgia é, e como somos as duas juntas.

Ao contrário de alguns autores, preferi olhar para aquilo que posso fazer, ao invés de passar páginas e páginas a lamuriar-me de quão mau é viver com fibromialgia. Há pessoas sem fibromialgia que vivem bem pior do que eu, porque têm depressão, têm outras doenças crónicas, ou, simplesmente, têm medo de viver.

Em nenhum momento menosprezo o sofrimento alheio – nem o meu. Apenas abro uma porta (ou pelo menos uma janela) para uma outra forma de viver com a fibromialgia, numa perspetiva de poder pessoal. Tenho fibromialgia, quanto a isso não tenho qualquer controlo, mas tenho o poder pessoal para vivê-la da melhor forma possível.

Ora isso implica trabalho. Detesto fazer exercício físico, mas trabalho duro no ginásio três vezes por semana. Adoro comer, mas faço uma alimentação que adequei depois de ampla investigação sobre o tema da alimentação na fibromialgia. Durmo as horas necessárias, mas não passo a vida deitada, apesar de haver dias em que não me apetece sair da cama. Não tomo medicamentos “indicados” para a fibromialgia pela medicina convencional (por opção minha), mas faço uma suplementação adequada que me equilibra e me mantém funcional. É fácil? Não. Mas é eficaz.

Partindo das minhas reflexões, escrevi, então, este livro, que pode (e deve) ser lido por quem tem fibromialgia, mas também por quem tem Lupus, Doença de Crohn, ou qualquer outra doença crónica. Deve ser, inclusivamente lido, por quem não tem doença nenhuma, mas que deseja ser mais feliz. Porque dores todos temos, mesmo que não sejam físicas.

O livro está disponivel nas lojas FNAC, Bertrand (neste momento com 10% de desconto), Chiado e WOOK (com 20% de desconto). Se preferir adquirir diretamente à autora e beneficiar de uma dedicatória individualizada, então entre em contacto comigo. Mas atreva-se a lê-lo e a partilhar as suas experiências.