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Os meus livros também são teus

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Sempre gostei de ler, desde que aprendi as primeiras palavras. E aprendi que os livros são importantes, que são valiosos, que se devem estimar e que não se devem emprestar.

Durante vários anos da minha vida, cumpri esta regra quase religiosamente. Algumas vezes emprestei livros, que me foram devolvidos em bom estado; outras, devolveram-mos em estado de morte eminente, com as lombadas marcadas e a necessitar de uma intervenção cirúrgica; outros houve que nunca me foram devolvidos. A minna experiência com o empréstimo de livros foi, assim, multipolar.

No ano passado conheci uma amante de livros como eu. Onde quer que nos encontremos – Roma, Tonbridge, Londres – trocamos sugestões de locais onde encontrar livros em segunda mão a bom preço ou ideias para novas leituras, novos autores, novas experiências bibliográficas. A Monica inspirou-me a desapegar-me dos livros. Tenho tantos, e raramente releio um livro, que podem e devem ser partilhados com alguém que os aprecie da mesma forma. Acabámos por criar uma espécie de biblioteca partilhada, em que passamos os livros que lemos de uma mão para a outra e vamos partilhando as nossas experiências de leitura. É tão bom quando estamos juntas – apenas nos encontramos três vezes por ano – porque num espaço de meia hora conseguimos falar de tantos assuntos literários e pessoais que, por vezes, não sabemos quando terminam uns e começam os outros.

Aprendi, também, a disponibilizar livros nas feiras do sótão que se realizam na minha terra. Fazem um sucesso, porque acho que tenho bons livros e porque os passo em frente a um valor que é possível para a maioria das pessoas. Também já cheguei a oferecer livros na feira, a quem não pode pagá-los, só porque determinado livro o chamou. E eu sei muito bem que quando um livro nos chama é necessário lê-lo.

Os meus livros também são teus, porque o desapego é importante. Porque quero ler mais livros, quero comprar mais livros, e não tenho espaço nas prateleiras. Há alguns que nunca sairão das minhas estantes (nunca?), mas há tantos que podem fazer outros corações leitores felizes que não tenho o direito de os manter prisioneiros da minha biblioteca pessoal. Partilhar livros é melhor do que beber cerveja juntos numa qualquer esplanada, embora seja ainda melhor se estas duas atividades forem feitas em simultâneo. Partilhar livros é crescer juntos, é amar juntos, é viver juntos. Para sempre.

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Dos livros e das bibliotecas

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Desde muito nova que me lembro de frequentar bibliotecas. Nos anos setenta e oitenta (e também através dos noventa), na minha terra, existia uma grande biblioteca, que estava alojada nuns pavilhões imensos, misteriosos, que existiam no belo parque da cidade, pavilhões esses que ainda existem e que parece que vão ser transformados (e muito bem) num hotel de cinco estrelas. Sempre tive o hábito, incentivada pela minha mãe, a ir à biblioteca buscar livros para ler e lembro-me perfeitamente da dificuldade que tinha em escolher apenas três, pois era esse o limite de requisições. Lia-os a correr para daí a poucos dias ir buscar outros que também despertavam a minha curiosidade. Faz parte da minha vida esta biblioteca, assim como da minha formação enquanto pessoa.

Lembro-me, igualmente, das duas senhoras que estavam nas duas salas da biblioteca: uma mais “pública” e a outra mais recatada, por conter encciclopédias, dicionários e outros materiais de consulta mas que não podiam ser requisitados. Durante vários anos, da escola primária à faculdade, aquele espaço e aquelas senhoras fizeram parte das minhas semanas. A minha formação, enquanto professora, mulher e pessoa, fez-se também através das leituras e a biblioteca municipal tem um lugar especial no meu coração.

Isto tudo vem do facto de eu ter acabado de ler o livro de Salley Vickers, A Bibliotecária (The Librarian, na sua versão original, a que li – pelo que sei, ainda não foi traduzida para português). É um romance que se passa numa cidadezinha inglesa sobre a nova bibliotecária, que vem transformar a pequena cidade através… dos livros. O sonho dela é que todas as crianças da escola leiam, o que me faria também muito feliz, pois em cada turma que tenho apenas cerca de 5% dos alunos leram um livro durante a interrupção da Páscoa.

Ler este livro lembrou-me a importância das bibliotecas na vida de cada um de nós, a sua importância para aquilo que somos e para o que podemos ser. Lembrou-me, também, que um bibliotecário deve ser alguém que gosta de ler (tal como os empregados das livrarias deveriam ser questionados sobre isto), que ama os livros e que adora partilhar leituras com os outros. E que nós, membros das comunidades, não podemos deixar as bibliotecas ao abandono, apenas visitadas pelos idosos que lêem o jornal do dia ou pelos jovens que não têm internet em casa e que passam horas a ver vídeos ou a jogar.

Os livros foram, em tantos momentos, os meus melhores amigos. Tive (e tenho) a sorte de ter bons amigos que gostam de ler e que, como eu, partilham o amor pelos livros. Uns vão, outros vêm, mas os livros, esses… mesmo que os troque, ofereça ou vendam, esses estarão sempre comigo, fazendo já parte do meu ADN. E as bibliotecas, quer seja a da minha cidade de infância quer seja a da terra que me acolhe como sua, essas são as minhas segundas casas. Posso não visitar muito, mas gosto de sabê-la lá e sei que, quando entrar, serei sempre recebida por um sorriso bos bibliotecários e por um suspiro de saudade e alívio dos livros.

 

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Leituras para o novo ano

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Quem me conhece sabe que sou uma leitora ávida. Com o começo do novo ano, porque qualquer desculpa é uma boa desculpa, faço um balanço do que li no ano anterior (com uma belíssima ajuda do GoodReads) e proponho-me a um número (habitualmente louco) de livros que vou ler no ano que se apresenta. Em 2017 propus-me ler 15 livros e li 22. Em 2018 propus-me ler 20 livros e acabei por ler 23. Em 2019 cometi a audácia de me propor a ler 30 livros. O primeiro já está quase no fim.

A escolha de livros para o ano pode ser planeada de várias formas e seguir vários modelos:

Por tema: posso, por exemplo, escolher um tema para cada mês do ano e ler livros que respeitem esse tema. Por exemplo, em fevereiro ter o tema AMOR como mote e ler poesia, romances cor de rosa (ou de outra cor), grandes romances de amor,… Em abril, mês da Páscoa, ler livros mais espirituais, de acordo com o momento que se vive.

Por género: posso atribuir um género a cada mês (poesia, drama, romance, ficção científica, ensaio, crónicas, biografia,…)

Por país de origem: há alguns anos, no Clube de Leitura que dinamizei na Biblioteca, fizemos isto durante alguns meses, lendo obras literárias de países que normalmente não escolhemos (Japão, Suécia, Noruega, Nepal,…)

Por cor: por questões de estética, tenho a minha biblioteca organizada por cores, colocando em cada prateleira os livros de determinada cor. Posso escolher uma cor para cada mês e deixar-me surpreender (descobri que não tenho quase livros nenhuns cor de rosa…)

Intercalar: decidi, este ano, tentar intercalar um livro de ficção com um livro de aprendizagem. A cada mês, um de cada. Ai mãe!

Por autor: posso, també, decidir que, em determinado ano, vou ler toda a obra de um autor. É uma aventura, só devemos fazê-lo se gostarmos mesmo desse autor.

Os clássicos: de acordo com The Western Canon / O Cânone Ocidental (Bloom:1994), há determinados clássicos que todos devemos ler. A sua lista é de 26 autores que, deverão, obrigatoriamente ser lidos por quem ama a literatura.

Seja qual for a opção, o importante é ler. Ler muito. E apreciar a leitura.

May the books be with you!