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Bucket List: desejos a realizar

BUCKET LIST

No ano passado escrevi este texto, que foi publicado no outro blogue que escrevo em colaboração com a minha amiga e colega Nélia. Por estarmos em junho e por ser uma altura que se coaduna com estes temas, decidi repostá-lo aqui.


Uma bucket list não é nada mais nada menos que uma lista das coisas que gostaríamos de fazer antes de “bater as botas” (em inglês, “kick the bucket”). Assim, é habitual criar bucket lists mais gerais, por exemplo de vida, ou mais a curto prazo (por exemplo uma específica para as coisas que queremos fazer durante o verão ou as férias). Podemos incluir coisas tão específicas como “jantar no restaurante do José Avillez”, ou algo mais genérico como “visitar pelo menos um país em cada um dos cinco continentes”. Cada um de nós tem a capacidade de realizar o que deseja e é importante que o que escrevemos nessa lista seja realmente importante. Não devemos incluir algo só porque mais alguém o incluiu na sua lista. Eu, por exemplo, não tenho nenhum interesse em saltar de paraquedas e essa é uma atividade que surge mencionada em centenas – se não milhares – de listas destas. A sua lista deve ser a SUA lista, e de mais ninguém. Foque-se em si e naquilo que realmente o move.

Não se sente inspirada? Veja o filme The Bucket List, com Jack Nicholson e Morgan Freeman, e inspire-se. Mas não copie. O processo de criação da sua própria lista é simples; basta aceder aos seus sonhos mais íntimos.

Sente-se, com papel e caneta (ou uma versão digital) e faça uma tempestade de ideias: o que gostaria de fazer? Que cidade ou país gostaria de visitar? O que gostaria de experimentar? Que comida gostaria de provar? Que pessoa gostaria de conhecer/ver? O que gostaria de aprender? Que experiência radical gostaria de viver? Há imensas fontes de inspiração na internet, como o Pinterest, onde pode ir buscar ideias.

Seja bem específico: visitar o mundo todo não é específico; visitar dois países em cada continente, é.

Liste apenas aquilo que faz mesmo sentido para si. Aquilo tem mesmo a intenção de fazer, não apenas um desejo muito ténue que não o vai impelir a a gir.

Crie uma lista com uma extensão que não o assuste. 100 coisas podem ser assustadoras; 10 são mais possíveis. E lembre-se que a lista é transformável; pode apagar itens e acrescentar outros, à medida que o tempo passa. Há uns anos atrás, ir à Índia era parte da minha lista; neste momento já não é algo que me excite tanto.

Pode criar listas a curto, médio e longo prazo. Eu gosto de fazer uma Bucket List de férias de verão, mas também tenho uma lista a mais longo prazo. Acho que até está no momento de pegar nela e ver o que quero fazer este ano. Podemos criar listas do género “até aos 40”, “até aos 50”, ou, como disse antes, de férias de verão, ou de ano (por exemplo, para 2018).

Inclua coisas grandiosas, mas também coisas mais simples, como ver o nascer do sol numa praia. E evite coisas que sejam mesmo muito difíceis de conseguir, como, por exemplo, jantar com a rainha de Inglaterra – parece-me muito difícil de realizar (e a si?).

Imprima a sua lista, ou se a escreveu à mão (com letra bonita) recolha a folha, e coloque-a num local bem visível, com um quadradinho à frente onde possa colocar um certo quando realizar cada uma das atividades.

Criar sonhos e realizá-los não é impossível. Implica algum esforço, algum trabalho, mas vale bem a pena. Agora comece. E conte-me quais são os primeiros 3 itens da sua lista.

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Ser um verdadeiro peregrino

Peregrino

Peregrinação é uma metáfora poderosa para qualquer viagem com o propósito de encontrar algo com significado para o viajante.

Phil Cousineau

Maio é o mês de Fátima. De Maria. Das trovoadas. Maio é um mês estranho. Nem é Verão, nem é Inverno. Assistimos a grandes atrocidades no mundo do desporto, com o ataque “terrorista” à equipa do Sporting, e a uma incongruência brutal na realização de um festival da canção em Portugal que foi uma produção brilhante, mas com uma representação que veio confirmar aquilo que alguns dizem: “depois de uma grande bonança vem uma grande tempestade”.

Durante a primeira metade do mês, muitos foram os portugueses nas estradas do nosso país rumo a Fátima, naquela que é a maior peregrinação em Portugal. Muitos apregoam aos sete ventos que fazem esta peregrinação; muitos outros fazem-na em completo silêncio e recolhimento. Confesso que o acto peregrino como o vejo nesta mostra de devoção me assusta. Assusta-me porque não me vejo a conseguir andar tantos quilómetros. O facto de ser anã faz com que cada passo de um adulto de 1m80m equivalha a dois passos meus; o único exercício que faço são duas sessões de ginásio com PT e uma sessão de cardio e musculação semanais; no fundo, tenho medo.

Acredito que possa estar a perder uma experiência maravilhosa, que me engrandeceria o corpo e a alma; no entanto, encontrei outras formas de peregrinar, seja externa seja internamente. E porque este é o mês das peregrinações, vou partilhar as minhas convosco.

  1. Oração: a oração aproxima-nos de Deus. Deus está em toda a parte e apoia-nos mesmo sem oração, mas quando rezamos estamos em diálogo direto com Ele. As orações podem ser aprendidas, ou podemos preferir criar a nossa própria oração para fazer um diálogo que nos faça mais sentido. Orar é peregrinar rumo a uma maior conexão com a vida, connosco e com o que nos cerca.

  2. Meditação: não consigo meditar durante horas a fio, mas alguns minutos matinais ou de final de dia dedicados à meditação são doses de seratonina e melatonina em dobro que o nosso cérebro recebe e que nos permite apreciar a vida de uma foma mais consciente e aberta.

  3. Silêncio: algumas pessoas gostam de fazer retiros de silêncio na Índia de um mês (conheci uma mulher que quase enlouqueceu nas primeiras semanas pelo choque do contraste que viveu, passando de uma vida onde falava muito para um mês de silêncio completo), mas é mais importante que retiremos alguns momentos do dia para nos silenciarmos: sem falar, sem ouvir, sem ler, sem usar telemóvel nem internet. Simplesmente ser.

  4. Escrita: escrever, para mim, é fazer uma peregrinação pelos caminhos desconhecidos da minha alma. Seja através daquilo a que se chama flow writing, quer seja através da escrita criativa, esta prática leva-nos a lugares nossos nunca dantes navegados e potencia o nosso crescimento enquanto seres humanos.

Como diz Thomas Merton “A peregrinação geográfica é a realização externa de uma viagem interna. A viagem interna é a interpolação dos significados e dos sinais da peregrinação externa. Podemos ter uma sem a outra. Mas é melhor viver as duas.” Enquanto não me aventuro a fazer o Caminho de Santiago – aquele que me chama – faço a minha peregrinação interna de outras formas. Estou a perder alguma coisa? Não sei. Mas estou a encontrar-me a cada novo dia.

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O descanso da guerreira

O descanso da guerreira

Hoje terminou a interrupção letiva de Páscoa. Os meus alunos tiveram duas semanas gloriosas de férias (alguns ainda vão esta semana para França), enquanto eu ocupei a primeira semana com as reuniões de avaliação e a cuidar de um marido com virose e uma casa que precisava urgentemente da minha mão de fada do lar hiper-organizada-a-dar-para-o-exagero. Para além disso, ainda fiz as sessões habituais de ginásio: duas com o meu PT e uma sessão livre de cardio e musculação.

Como se pode imaginar, não cheguei em forma ao final da segunda semana. O meu corpo ansiava por descanso, o meu cérebro só pedia “por favor, senta-te a ler um livro com uma história simples e positiva” e a minha pele gritava “aaaaaaaiiiiiiiii!”. Com a interrupção a terminar, agora, sim, é que eu estava preparada para descansar como deve de ser.

Está provado que as mulheres são peritas em multitasking – quando sabemos que isso não faz bem a ninguém – e que beneficiariam muito de um período de descanso de pelo menos meia hora todos os dias ao chegar a casa depois do trabalho, antes de começarem a outra parte do seu trabalho diário – o doméstico. Em período de “férias”, tempo era o que supostamente não me faltava, mas com o regresso ao trabalho, foi importante começar a preparar esta nova fase de uma forma equilibrada.

A pele, que andava super reativa (apareceu-me acne!) e super desidratada, relembrou-me a necessidade de regressar a um modo simples de cuidar dela. Dos não sei quantos produtos que uso habitualmente, transformei o meu cuidado de pele diário em apenas três momentos e três produtos: limpar (creme de limpeza), tonificar (água de rosas) e hidratar (hidratante nutritivo para peles sensíveis). Tem sido um descanso, sabe-me muito (mas mesmo muito!) bem e a minha pele está amplamente agradecida.

O cérebro, que ansiava por descanso, tem-se deleitado com as leituras de final do dia à janela da sala. A vista não é bonita (acho que os vizinhos do prédio da frente até podem pensar que agora sou voyeur), mas dá-me luz natural para a leitura, vejo as crianças e os vizinhos a entrar e sair e inspiro-me para as minhas histórias. O facto de assistir ao pôr do sol ajuda, também, a preparar-me para a noite, induzindo o sono de forma natural.

O corpo tem beneficiado de exercício natural, com algumas caminhadas curtas ao sol e com as sessões de treino com o PT que me são possíveis. É importante respeitar o meu ritmo e as minhas possibilidades, aferindo, a cada momento, como me sinto e se o cansaço é real ou apenas uma desculpa para não fazer exercício.

A casa está a ser “minimalizada”. O excesso de peças de mobiliário ou de decoração cansam-me e acredito que há quem possa beneficiar daquilo que já não preciso. Estou a vender algumas, a oferecer outras, e sinto-me muito bem com todo este processo (tirando o facto do site onde preciso comprar uma estante estar constantemente em baixo e não me deixar prosseguir com a compra!). A casa quer-se funcional e equilibrada, que me inspire a criar e que não me leve ao ócio depressivo por excesso de conteúdo. Isto tanto se aplica na nossa vida como na nossa casa…

O regresso às aulas já está preparado. Deu-me imenso gozo preparar as tarefas para as aulas, assim como a primeira aula com a minha direção de turma: vamos celebrar a gastronomia francesa, enquanto os colegas estão em Paris. Oui, il y a des croissants e des pains au chocolat!

Por agora… por agora, vou regressar à janela da sala. Quem sabe as histórias que me vai revelar.


Nenhuma marca patrocionou este post; todas as referências a produtos são feitas por minha exclusiva vontade e os produtos foram adquiridos por mim. Só partilho aquilo em que acredito.

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As tardes de domingo

domingosà tarde

As tardes de domingo podem ser a melhor coisa do mundo ou aquele momento que mais tememos.

Estudos confirmam que o domingo à tarde é a altura da semana em que há mais problemas cardíacos, em que as pessoas ficam mais tristes e deprimidas e em que há mais discussões entre os casais, não por ser domingo, mas porque é véspera de segunda-feira, o primeiro dia de trabalho da semana. Assim, o domingo é bom, porque podemos descansar, mas é menos bom porque no dia seguinte temos que regressar ao trabalho.

Há quem aproveite a tarde de domingo para ir ver um jogo de futebol ao campo da sua localidade, outros preferem dormir uma boa sesta (por vezes a tarde toda!) e outros, ainda, optam por se deitar no sofá a ver as séries ou filmes que estão a passar na televisão. Seja qual for a opção, o importante é que nos faça sentir bem.

Aqui estão dez sugestões para o seu domingo à tarde:

  1. ver um bom filme (no sofá ou no cinema)

  2. dar um passeio pelo campo

  3. ir visitar um lar de idosos

  4. ver um jogo de futebol, de basquetebol, uma corrida,…

  5. participar num evento desportivo

  6. ler um livro completo

  7. ver uma temporada completa de uma série nova

  8. organizar um lanche com amigos

  9. passear com os cães de um amigo ou de um vizinho

  10. arrumar um armário ou uma gaveta que há muito tempo a incomoda

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One Story a Month | New year, new me, new you

ArturCorreia_ChamadoraTempestades

Acordara naquele dia com vontade de não se levantar. Já tinha lido um livro que a inspirara a fazer algo tão radical como não se levantar da cama durante um ano, mas desistiu da ideia assim que pensou na questão das idas (ou não) à casa de banho. O final do ano deprimia-a. Apetecia-lhe viajar, mas ao mesmo tempo queria ficar em casa. Sonhava estar com os amigos, mas ansiava igualmente pelos momentos solitários no sofá enrolada na manta de pelo sintético. A sua vida era uma canção do António Variações, em que só estava bem onde não estava, e isso não a ajudava a olhar o novo ano que estava quase a chegar com bons augúrios.

Saiu para a rua, vestida numa versão semi fato de treino com alguns apontamentos de casualwear. O dia invernoso convidou-a a parar no café da esquina da rua para beber um chocolate quente com um churro, mil e tal calorias que se lhe alojaram imediatamente na anca calipígias. Olhou de soslaio para o empregado, que coçou a barba comprida com ar guloso enquanto a mirava e tirava um latte fumegante para um qualquer cliente que, com certeza, se aborrecia com a espera e o barulho das conversas dos outros que adornavam o estabelecimento. Era cedo. Mas tão tarde para tanta coisa que gostaria de ter feito nesse ano.

Desceu até ao fundo da rua, onde podia vislumbrar o oceano antracite que ofegava, com as gaivotas que esvoaçavam em círculos, como abutres sobre carne acabada de morrer. Pressentiam a tempestade. Tinha sido um ano duro. Muitas perdas, muitos danos. Dores e dissabores. Amores e paixões sem sentido. Levantou os braços em direção ao céu cinzento debruado com laivos de algodão e gritou. Um grito nú e preenchido com todas as vivências do ano. Detestava o final de ano. Mas decidiu, naquele momento, que o novo ano seria um novo ano, uma nova oportunidade para si e para quem estivesse apto a entrar na sua vida.

Voltou a subir a rua em direção a casa. O barista de barba comprida fumava um cigarro ao lado da porta de serviço do café. Sorriu-lhe. Sorriu-lhe de volta. Feliz Ano Novo.

Este conto encontra-se abrangido por uma licença Creative Commons, ou seja, não pode ser usado sem referência à autora.


A fotografia que inspirou esta história, e que ilustra este post, foi generosamente cedida pelo Artur Correia. Visitem o seu portfólio. Vale a pena.

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Memórias de Natais Passados

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Nunca fomos muitos lá em casa. De três passámos a duas pessoas e sempre me lembro do Natal ser passado a ver algum programa na RTP1 – na altura era o que tínhamos de melhor – até às oito da noite, altura em que eu abria as prendas para que pudesse estar na cama no máximo às dez. Recebia muitos presentes, e havia muito amor, mas sentia a falta de algo que me enchesse, não apenas a casa, mas também o coração, de espírito natalício.

Felizmente havia a família Coelho, da minha amiga Sofia. Os Coelho celebravam em grande. E não era pelo facto da comida ser melhor, ou ser mais cara, mas pelo facto de ser mesmo em grande. Em noite de Natal deveriam ser perto de quinze lá em casa e eu adorava toda a azáfama da preparação da Consoada. Todas as vésperas de Natal eu fazia parte da preparação da Consoada deles. Havia rodopio de e para o supermercado, para comprar os ingredientes que a matriarca transformava na cozinha em belos bolos, sobremesas, trouxas de ovos, fatias douradas, bolo inglês,…

As minhas memórias de Natal de infância são pautadas por comida. Não pela comida em si, mas pelo movimento das pessoas ao redor da comida e pela forma como nos aproximava. Quem sabe é por isso que hoje o meu Natal continua a ser com poucas pessoas, mas a comida é um ponto central. A minha família mais próxima não é grande, mas arranjo forma de criar família com os vizinhos, os colegas e os amigos. Porque o Natal é mesmo isso: é a família, seja ela de que formato for. Sempre à volta da mesa.

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Os primeiros passos

 

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Pouco depois de nascer, alguns médicos disseram que eu nunca conseguiria andar pelo meu próprio pé. Depois, que poderia andar, mas nunca conseguiria erguer a cabeça. Agora, não sei se só para contrariar, ando de cabeça bem erguida, de queixo espetado, e tenho uma coleção de sapatos para poder andar por onde e para onde bem me apetecer.

Muitas vezes tendemos a acreditar nas profecias que nos fazem. Frequentemente criamos, nós mesmos, as nossas profecias auto-realizáveis. É preciso mudar o padrão. Criar novas linhas de ação. Inovar e agir, dando passos em direção aos nossos sonhos.

Bom dia. O meu nome é Filomena Afonso Mourinho.