Os meus livros também são teus

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Sempre gostei de ler, desde que aprendi as primeiras palavras. E aprendi que os livros são importantes, que são valiosos, que se devem estimar e que não se devem emprestar.

Durante vários anos da minha vida, cumpri esta regra quase religiosamente. Algumas vezes emprestei livros, que me foram devolvidos em bom estado; outras, devolveram-mos em estado de morte eminente, com as lombadas marcadas e a necessitar de uma intervenção cirúrgica; outros houve que nunca me foram devolvidos. A minna experiência com o empréstimo de livros foi, assim, multipolar.

No ano passado conheci uma amante de livros como eu. Onde quer que nos encontremos – Roma, Tonbridge, Londres – trocamos sugestões de locais onde encontrar livros em segunda mão a bom preço ou ideias para novas leituras, novos autores, novas experiências bibliográficas. A Monica inspirou-me a desapegar-me dos livros. Tenho tantos, e raramente releio um livro, que podem e devem ser partilhados com alguém que os aprecie da mesma forma. Acabámos por criar uma espécie de biblioteca partilhada, em que passamos os livros que lemos de uma mão para a outra e vamos partilhando as nossas experiências de leitura. É tão bom quando estamos juntas – apenas nos encontramos três vezes por ano – porque num espaço de meia hora conseguimos falar de tantos assuntos literários e pessoais que, por vezes, não sabemos quando terminam uns e começam os outros.

Aprendi, também, a disponibilizar livros nas feiras do sótão que se realizam na minha terra. Fazem um sucesso, porque acho que tenho bons livros e porque os passo em frente a um valor que é possível para a maioria das pessoas. Também já cheguei a oferecer livros na feira, a quem não pode pagá-los, só porque determinado livro o chamou. E eu sei muito bem que quando um livro nos chama é necessário lê-lo.

Os meus livros também são teus, porque o desapego é importante. Porque quero ler mais livros, quero comprar mais livros, e não tenho espaço nas prateleiras. Há alguns que nunca sairão das minhas estantes (nunca?), mas há tantos que podem fazer outros corações leitores felizes que não tenho o direito de os manter prisioneiros da minha biblioteca pessoal. Partilhar livros é melhor do que beber cerveja juntos numa qualquer esplanada, embora seja ainda melhor se estas duas atividades forem feitas em simultâneo. Partilhar livros é crescer juntos, é amar juntos, é viver juntos. Para sempre.

Abraçar@ Caldas da Rainha

Abraçar @Caldas

No dia 23 de março, acabadinhos de comemorar cinco anos de casamento, rumámos à minha terra-berço, a tão efervescente Caldas da Rainha, para a apresentação do Abraçar a Dor no Museu do Hospital e das Caldas, a convite do  Clube Soroptimist das Caldas da Rainha, através da minha amiga Isabel Vicente.

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Que bom foi poder rever amigos, conhecer novas pessoas e contar com a presença de um professor tão querido, tão especial, que me marcou tanto no ano de estágio pedagógico e, graças a quem sou professora hoje – o Professor Mário Tavares.

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A conversa sobre o livro estendeu-se e de apresentação passámos a tertúlia, que é o modelo de que gosto particularmente, pois todos temos coisas a acrescentar, a completar, nas histórias uns dos outros.

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Estar em casa foi um presente muito feliz. Foi bom poder regressar a casa com algo para oferecer à minha cidade, aos meus conterrâneos. Saí da minha terra em busca de trabalho e não penso em regressar por agora, porque a vida acontece e a minha vida é em Serpa. As raízes estão, neste momento da minha vida, a penetrar a terra Alentejana e, de tantas formas, o Alentejo já me canta na Alma. Mas o meu nascimento foi – e sempre estará – ligado à minha terra de berço, que amo de coração. E onde regressarei, sempre, para continuarmos a crescer juntas.

 

 

Abraçar@ | as minhas viagens

Quando sonhei escrever o Abraçar a Dor, sonhei, obviamente, apresentá-lo em vários locais. A terra que me viu nascer fazia todo o sentido e a terra que me acolhe atualmente também, até porque há muita história que as une (mas esse será tema para outro artigo aqui no blogue).

Desde que o livro foi publicado, tive a sorte de receber feedback de vários leitores que ou se identificaram comigo porque têm fibromialgia, ou também têm desafios nas suas vidas ou, simplesmente, que gostam de mim e apoiam o meu trabalho. Uma das minhas leitoras, muito querida, até sugeriu algumas revisões de texto, o que muito lhe agradeço, porque desde que sejam construtivas, todas as opiniões são bem recebidas por mim.

Divulgo na minha página, no separador livros, os locais onde estive e/ou onde estarei, os que ainda estão em preparação e os que já estão confirmados. Eis as aventuras de 2018.

ABRAÇAR@ SERPA LOVERS

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Este espaço, em Serpa, é-me muito especial. Pode ter sido, inicialmente, pelo facto da Vera ser mãe de um aluno meu, mas passou a ser porque a Vera é a Vera. É um espçao bonito, acolhedor, elegante, saudável e cheio de histórias e de amor para partilhar. A convite da Vera, foi ali que se deu o pontapé de saída para a tour Abraçar@. Tive o grato prazer de ter alunos, amigos, colegas e até (des)conhecidos comigo numa tertúlia que avançou pela tarde e nos encheu, a todos, os corações. Houve visitas surpresa e muito amor conversado e partilhado. Foi, de coração, o melhor kick-off que poderia ter tido.

ABRAÇAR @ BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SERPA

A Biblioteca Municipal de Serpa é uma casa para mim. Durante alguns anos ajudei a dinamizar um Clube de Leitura e, apesar de não fazer visitas muito frequentes (porque ainda considero que comprar livros me é essencial), continuo a sentir-me em casa quando lá estou, por isso, quando o convite surgiu, aceitei de imediato. Foi uma apresentação com a presença, mais uma vez, de pessoas a quem quero bem e que me querem bem. Mais do que vender livros, quero partilhar histórias e saberes. E sabores. E tem sido isso mesmo que temos feito nas sessões Abraçar@.

2018 foi um ano em grande: cheio de trabalho, mas também cheio de alegrias e de partilhas. Que 2019 seja assim e muito mais! Que os abraços se multipliquem e ajudem a fazer as pessoas felizes!

 

 

 

 

Leituras para o novo ano

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Quem me conhece sabe que sou uma leitora ávida. Com o começo do novo ano, porque qualquer desculpa é uma boa desculpa, faço um balanço do que li no ano anterior (com uma belíssima ajuda do GoodReads) e proponho-me a um número (habitualmente louco) de livros que vou ler no ano que se apresenta. Em 2017 propus-me ler 15 livros e li 22. Em 2018 propus-me ler 20 livros e acabei por ler 23. Em 2019 cometi a audácia de me propor a ler 30 livros. O primeiro já está quase no fim.

A escolha de livros para o ano pode ser planeada de várias formas e seguir vários modelos:

Por tema: posso, por exemplo, escolher um tema para cada mês do ano e ler livros que respeitem esse tema. Por exemplo, em fevereiro ter o tema AMOR como mote e ler poesia, romances cor de rosa (ou de outra cor), grandes romances de amor,… Em abril, mês da Páscoa, ler livros mais espirituais, de acordo com o momento que se vive.

Por género: posso atribuir um género a cada mês (poesia, drama, romance, ficção científica, ensaio, crónicas, biografia,…)

Por país de origem: há alguns anos, no Clube de Leitura que dinamizei na Biblioteca, fizemos isto durante alguns meses, lendo obras literárias de países que normalmente não escolhemos (Japão, Suécia, Noruega, Nepal,…)

Por cor: por questões de estética, tenho a minha biblioteca organizada por cores, colocando em cada prateleira os livros de determinada cor. Posso escolher uma cor para cada mês e deixar-me surpreender (descobri que não tenho quase livros nenhuns cor de rosa…)

Intercalar: decidi, este ano, tentar intercalar um livro de ficção com um livro de aprendizagem. A cada mês, um de cada. Ai mãe!

Por autor: posso, també, decidir que, em determinado ano, vou ler toda a obra de um autor. É uma aventura, só devemos fazê-lo se gostarmos mesmo desse autor.

Os clássicos: de acordo com The Western Canon / O Cânone Ocidental (Bloom:1994), há determinados clássicos que todos devemos ler. A sua lista é de 26 autores que, deverão, obrigatoriamente ser lidos por quem ama a literatura.

Seja qual for a opção, o importante é ler. Ler muito. E apreciar a leitura.

May the books be with you!

 

Um Rasto de Alfazema | Filomena Marona Beja

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Este foi o primeiro livro de Filomena Marona Beja – que partilha o nome comigo – que alguma vez li. Numa ida à Biblioteca Municipal, a capa chamou-me a atenção e o nome da autora, confesso, também: as Filomenas devem ler as Filomenas. Assim, trouxe-o como leitura de férias, pois leio imenso autores estrangeiros e conheço muito pouco do que se escreve (bem) em Portugal.
Confesso que inicialmente, a escrita de Filomena Beja me incomodou. A sua escrita “sincopada, mas firme”, como promete na primeira orelha, deixou-me, inicialmente, desconfortável e a quase desistir da leitura em alguns momentos. Mas a história prendeu-me e o que começou por ser inquietante integrou-se em mim e compreendi que a escrita tinha mesmo que ser assim para contar aquela(s) história(s).
As personagens pegam-se a nós à medida que as vamos descobrindo e que nos vamos envolvendo com elas. As suas perdas são as nossas, os seus enleios são os nossos, as suas (des)aventuras são as nossas.
Filomena Marona Beja conquistou-me. Vou querer ler mais da sua pena.

3 boas razões para escrever um livro

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Quando cheguei aos 40 anos, sabia que queria mais coisas da vida para além do que fazia profissionalmente. Adoro a minha profissão – a minha missão – mas confesso que não consigo fazer apenas uma coisa na vida. Não gosto de ser multitasker, de fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas preciso de algo que complemente a minha vida profissional. Assim, declarei que até aos 45 anos decidiria fazer algo mais.

A decisão de escrever um livro veio durante um processo de trabalho com a minha coach de Career Redesign, Lourdes Monteiro. Durante esse processo percebi o que poderia fazer, o que poderia dar às pessoas. E parte desse caminho, dessa dádiva, era um livro. A escolha do tema foi simples, pelo menos foi assim que o senti, e versou algo que fazia sentido para mim e cujo tema não estava bem tratado em livro em Portugal.

Existem várias razões para se escrever um livro; estas são apenas algumas.

Gostar de escrever

“Há muita gente que escreve, toda a gente agora julga que é escritor”, ouvi duas colegas minhas dizer. Escrever é uma arte, mas também é um processo, e se nem todos podemos ser Saramago, ou Graham Greene ou Sepúlveda, todos temos o direito de nos expressar através da escrita. Se com isso conseguirmos que algumas (de preferência muitas) pessoas leiam o nosso livro, ainda melhor. E se pudermos ganhar dinheiro com isso, é um bónus que não podemos recusar. Quem gosta de escrever tem o direito de escrever. E de publicar, se assim o desejar. A partir daí, é o destino que dita as regras.

Ter algo para partilhar

Quem escreve, mais do que qualquer outra coisa, partilha algo seu. No meu caso, decidi partilhar algo que me diz respeito, uma questão de saúde – a fibromialgia – e a forma como lido com ela. Escrever serve, também, como catarse e é uma forma muito válida para nos conhecermos melhor.

Fazer algo que ainda não foi feito

Em Portugal existe apenas um livro editado sobre o tema da fibromialgia, quando está estimado que cerca de seis por cento da população sofre com esta doença. O livro que li (o único no mercado) debruçava-se profundamente sobre as limitações que esta doença traz, as dores, o que se perde na vida. Sem menosprezar o sofrimento (nem o meu, nem o das outras pessoas com fibromialgia), decido dar uma perspetiva diferente, mais empoderadora, mais ativa. Fiz o que ainda não tinha sido feito.

E é assim que acredito que todos nós temos, pelo menos, um livro dentro de nós, pronto a ser escrito. Este foi o meu, o primeiro. Outros já se encontram a caminho. E o seu, onde está?

 

 

 

Ser uma Durona |a importância de ser honesta

DURONA

Hoje celebra-se o dia da honestidade. A origem da palavra vem do latim honos, que remete para uma ideia de dignidade e de honra. Ser honesto significa não mentir e não enganar. Pede-se que sejamos honestos, que sejamos verdadeiros com os as outras pessoas. Mas se nos preocupamos muito em ser honestos com os outros, muitas vezes defraudamo-nos a nós mesmos e não somos honestos connosco próprios.

Durante este mês, a minha leitura esteve dedicada quase totalmente ao livro de Jen Sincero, Tu És Uma Durona (You’re a Badass, no original). Não posso afirmar que tudo o que li me era desconhecido; a verdade é que, mais do que tudo, foi-me importante recordar uma série de ensinamentos que tenho recebido ao longo dos últimos quinze anos. E confrontar-me com as minhas dúvidas, os meus receios e as minhas desistências ao longo do Caminho.

Badass fala-nos de Deus, do poder da manifestação, da nossa fera interior, do medo e – pasme-se – da nossa ligação (ou falta dela) ao dinheiro. Numa série de capítulos muito bem estruturados, leva-nos numa viagem que implica um trabalho efetivo daquilo em que vivemos – o Grande Tédio – àquilo que somos na realidade – exploradores do Grande Filão.

A grande aprendizagem ao longo deste desafio é o auto-amor, a auto-aceitação. Sincero lembra-nos disto a cada final de sub capítulo com um “ame-se a si própria” que, se a princípio nos “irrita”, ao longo do livro começa a fazer parte da nossa atividade, mesmo que inconsciente.

Para acompanhar a leitura do Badass, Jen Sincero oferece-nos, na sua página, um guia de como ser uma verdadeira durona, mesmo para quem não leu o livro. É um bom ponto de partida, mas confesso que vale MESMO a pena ler o livro.

Eis algumas pérolas que decidi sublinhar (a cor de rosa!) durante a minha leitura.

  1. Tem de deixar de querer mudar a sua vida e decidir mudar a sua vida: fazer coisas que nunca imaginou fazer, acreditar em coisas que não consegue ver, ultrapassar os seus medos, falhar uma e outra vez e habituar-se a fazer coisas que não se sente confortável a fazer.

  2. Se quer viver uma vida que nunca viveu, tem de fazer coisas que nunca fez.

  3. O Universo responde com as mesmas vibrações que emitimos. E não se pode enganar o Universo.

  4. Todos os seres humanos nascem com a capacidade de cometer erros grandiosos.

  5. Não desperdice o seu tempo precioso a preocupar-se com aquilo que os outros pensam de si (o que elas pensam sobre sim tem a ver com elas, não consigo).

  6. Saber claramente qual é o seu objetivo único pode representar a diferença entre viver uma vida feliz, realizada e cheia de abundância, escolha e expansividade ou viver no curral confinado da sua própria indecisão e das mesmas velhas desculpas.

  7. Deixe de lado as desculpas e a vergonha por querer ser grande e fabulosa.

  8. O seu trabalho não é saber o como, é saber o quê e estar aberta a descobrir e receber o como.

  9. Rodeie-se de pessoas que pensam como quer pensar.

  10. Não há nada tão imparável como um comboio de carga cheio de motivação.

Há tantas outras coisas que podemos ser e fazer e aprender com este livro. Mas não vou contar mais nada. Vou trabalhar em ser fabulosa e badass o máximo possível. E em ser honesta comigo: com a pessoa fabulosa que sou, com os meus medos, as minhas dúvidas e as minhas motivações mais profundas. E fico a aguardar que faça o mesmo. Por si.