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O verdadeiro significado do Natal

Quando era criança, ao entrar para a escola primária, comecei, também, a frequentar a catequese. Pouco a pouco fui aprendendo mais sobre uma história que já tinha começado a aprender em casa, pela voz da minha mãe. Uma história que falava de Amor, de Renovação e de Alegria.

O Natal é uma época do ano em que somos convidados ao recolhimento, a uma reflexão profunda sobre o verdadeiro sentido da vida. Colocado, no calendário, mesmo ao virar do solstício de Inverno, este momento oferece-nos uma nova oportunidade, um novo nascimento para a Vida. No entanto, muitas vezes ficamos ofuscados pelas luzes de Natal, pelos cheiros, pela gula, pelo medo da solidão e acabamos por dedicar-nos ao desperdício, à ostentação e a compras desenfreadas na tentativa de enchermos os outros (e nós próprios) de amor.

O meu Natal este ano foi uma experiência de profundo crescimento. Como tantas outras pessoas, perdi-me nas compras. Exagerei. Deixei-me ofuscar pelas luzes. Fiquei desiludida porque os presentes que recebi não correspondiam às minhas expetativas. Pensei que algumas pessoas não me conhecem verdadeiramente. Que eu não conheço verdadeiramente as pessoas. E isso trouxe uma profunda tristeza ao meu coração. Não pelos presentes, mas pela importância que lhes estava a dar. Aos presentes e não às pessoas. E chorei.

O verdadeiro significado do Natal é o nascimento da salvação, o nascimento de uma esperança renovada que está nas nossas mãos, nos nossos corações. Acreditemos em Deus ou não, este é o momento certo – é o verdadeiro momento – em que nos podemos virar para o nosso coração e finalmente ouvi-lo. Ouvi-Lo. E este é o momento certo para preparar um novo ano com mais sentido, com mais significado, fazendo com que, realmente, possa ser Natal todos os dias.

Feliz Natal, e que o novo ano possa trazer muito mais significado às nossas vidas.

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Baby, it’s cold outside

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Com as tardes de frio, o mês de dezembro convida a um recolhimento, muito ao género hibernação, para que possamos sobreviver às intempéries do inverno.

Nestes momentos em que me aconchego a uma manta quentinha, com uma chávena de chá ou de cacau numa mão, um livro na outra e os meus cães aninhados aos meus pés, lembro-me daqueles que estão lá fora ao frio, sem ninguém que os acolha. Os sem abrigo. Os animais abandonados. Os dependentes de  substâncias que procuram algo que lhes dê força para darem mais um passo nas suas vidas destruídas. Os condutores profissionais que não podem escolher não ir trabalhar só porque está frio ou a chover torrencialmente. Os trabalhadores rurais, para quem não há inverno nem verão. Os homens do lixo que, para que possamos viver em condições de higiene, têm que literalmente mexer no nosso lixo para o tratar.

Baby, it’s cold outside. E se para mim é romântico, para muitos outros é um dia difícil. As minhas preces estão com eles.

 

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Memórias de Natais Passados

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Nunca fomos muitos lá em casa. De três passámos a duas pessoas e sempre me lembro do Natal ser passado a ver algum programa na RTP1 – na altura era o que tínhamos de melhor – até às oito da noite, altura em que eu abria as prendas para que pudesse estar na cama no máximo às dez. Recebia muitos presentes, e havia muito amor, mas sentia a falta de algo que me enchesse, não apenas a casa, mas também o coração, de espírito natalício.

Felizmente havia a família Coelho, da minha amiga Sofia. Os Coelho celebravam em grande. E não era pelo facto da comida ser melhor, ou ser mais cara, mas pelo facto de ser mesmo em grande. Em noite de Natal deveriam ser perto de quinze lá em casa e eu adorava toda a azáfama da preparação da Consoada. Todas as vésperas de Natal eu fazia parte da preparação da Consoada deles. Havia rodopio de e para o supermercado, para comprar os ingredientes que a matriarca transformava na cozinha em belos bolos, sobremesas, trouxas de ovos, fatias douradas, bolo inglês,…

As minhas memórias de Natal de infância são pautadas por comida. Não pela comida em si, mas pelo movimento das pessoas ao redor da comida e pela forma como nos aproximava. Quem sabe é por isso que hoje o meu Natal continua a ser com poucas pessoas, mas a comida é um ponto central. A minha família mais próxima não é grande, mas arranjo forma de criar família com os vizinhos, os colegas e os amigos. Porque o Natal é mesmo isso: é a família, seja ela de que formato for. Sempre à volta da mesa.