Psicologia Positiva, Uncategorized

a importância de permitir-se flutuar em águas agitadas

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Este final de ano (escolar) tem sido um desafio constante à resiliência, à paciência, à mindfulness, à compreensão e à humildade. Não é fácil. Num momento em que todos estão prestes a ferver como água para café, cada desafio, cada novo pedido, cada frase dita com um tom menos doce é suficiente para que a cafeteira ferva e deite por fora. É importante resistir a essa explosão, mas é necessário que este sentimento de explosão eminente esteja bem claro em nós, para que possamos lidar com ele de forma saudável.

Há uns anos atrás, quando fazia um retiro, a pessoa que o dirigia disse algo deste género: quando estamos vivendo uma situação que se assemelha a um furacão, o melhor é entrar de cabeça para dentro dele, pois no meio do furacão – no olho do furacão – tudo está quieto. Esta imagem sempre me tocou, porque me sinto, muitas vezes revolta por furacões que a vida me coloca para eu crescer enquanto pessoa. Saber isto não evita os furacões, mas evita sofrimentos maiores.

Com o passar do tempo, a imagem do furacão foi-se transformando numa imagem mais relacionada com a água: os ventos desorientam-me e a água é o meu elemento quase natural, pois o meu signo solar é um signo de água. Quando as águas estão agitadas, e estamos a nadar, ou num barco, tentamos, furiosamente, escapar dali, lutar contra as marés e contra as correntes. Mas, por vezes, a vida convida-nos a fazer outra coisa. Flutuar. Deixar-se ir à deriva (será que é mesmo à deriva ou haverá um destino maior?).

Neste momento, em que tanta coisa na minha vida profissional me perturba, escolho ir flutuando. Calmamente, ou fervorosamente, ao sabor da corrente. Deixar de lutar, porque não posso evitar o que os outros fazem ou dizem. Mas posso decidir o que eu vou fazer e como o vou fazer. Essa decisão está nas minhas mãos e não abdico dela.

Assim, o meu convite esta semana é que flutuemos; sem raiva, com algum medo natural, mas com a certeza de que essa escolha é da nossa responsabilidade e pode alterar, completamente, o rumo que levávamos antes. E essa é uma aventura incrível!

 

 

Life & other bits, Uncategorized

Quando a vida te dá limões

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A primavera chegou há quase um mês, mas nem sempre os dias têm sido primaveris. Entrecortados por dias de sol, a chuva continua a marcar a sua presença lá fora, o que pode ser desagradável para quem quem desfrutar de um passeio ao sol, mas é muito positivo para a agricultura e para que todo o ecossistema funcione da forma que deve funcionar. Os limoeiros dos meus vizinhos têm andado carregados de lindos e sumarentos limões e à minha porta têm aparecido sacos cheios daqueles belos frutos amarelos, gritando para que eu os use de formas criativas e deliciosas.

Tal como a natureza, a vida acontece assim: dias muito bons, entrecortados por dias menos bons, dias que preferíamos que não acontecessem. Também cá em casa tem sido assim: num momento de final de período letivo em que estamos assoberbados de trabalho burocrático relacionado com a atribuição de classificações aos alunos, acresceu uma doença inesperada da minha mãe que nos deixou a todos com um sabor amargo na boca. A vida tem destas coisas, mas acredito que as coisas acontecem com uma determinada razão e temos que ser humildes para tentar compreender qual a mensagem que estes acontecimentos nos trazem.

Há a expressão muito comum que diz “quando a vida te dá limões, faz limonada”. Tenho aproveitado esta doença inesperada da minha mãe para passar mais tempo com ela, cozinhar para ela, cuidar dela. Não sou mãe dela, nem o quero ser, nem ela precisa que eu o seja. Preciso apenas de estar mais próxima. Por vezes, com o excesso de trabalho e o acumular de tantas atividades, perdemos o rumo do que realmente importa. É preciso parar e verificar – decidir! – o que realmente importa para nós.

Neste momento, importa-nos que a mãe recupere, que se cuide melhor, que se respeite nos seus limites. Que se ame e se deixe amar pelo que é e não pelo que faz. Que decida o que realmente é importante na sua vida e que deite fora o que já não lhe interessa. Que se permita crescer na sua maior plenitude. E que seja feliz!

Nesta Quaresma, quando a vida me trouxe estes limões, eu fiz limonada. E fui bebê-la com a minha mãe. E vou fazer bolo be limão. E vou comê-lo com os amigos. E vou espremê-los e adicionar gin e tónica. E vou bebê-lo com o meu marido. Porque os limões podem ser azedos, mas, se bem aproveitados, ensinam-nos a tornar a vida melhor.

Abraçar a Dor, Uncategorized

Abraçar@ | as minhas viagens

Quando sonhei escrever o Abraçar a Dor, sonhei, obviamente, apresentá-lo em vários locais. A terra que me viu nascer fazia todo o sentido e a terra que me acolhe atualmente também, até porque há muita história que as une (mas esse será tema para outro artigo aqui no blogue).

Desde que o livro foi publicado, tive a sorte de receber feedback de vários leitores que ou se identificaram comigo porque têm fibromialgia, ou também têm desafios nas suas vidas ou, simplesmente, que gostam de mim e apoiam o meu trabalho. Uma das minhas leitoras, muito querida, até sugeriu algumas revisões de texto, o que muito lhe agradeço, porque desde que sejam construtivas, todas as opiniões são bem recebidas por mim.

Divulgo na minha página, no separador livros, os locais onde estive e/ou onde estarei, os que ainda estão em preparação e os que já estão confirmados. Eis as aventuras de 2018.

ABRAÇAR@ SERPA LOVERS

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Este espaço, em Serpa, é-me muito especial. Pode ter sido, inicialmente, pelo facto da Vera ser mãe de um aluno meu, mas passou a ser porque a Vera é a Vera. É um espçao bonito, acolhedor, elegante, saudável e cheio de histórias e de amor para partilhar. A convite da Vera, foi ali que se deu o pontapé de saída para a tour Abraçar@. Tive o grato prazer de ter alunos, amigos, colegas e até (des)conhecidos comigo numa tertúlia que avançou pela tarde e nos encheu, a todos, os corações. Houve visitas surpresa e muito amor conversado e partilhado. Foi, de coração, o melhor kick-off que poderia ter tido.

ABRAÇAR @ BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SERPA

A Biblioteca Municipal de Serpa é uma casa para mim. Durante alguns anos ajudei a dinamizar um Clube de Leitura e, apesar de não fazer visitas muito frequentes (porque ainda considero que comprar livros me é essencial), continuo a sentir-me em casa quando lá estou, por isso, quando o convite surgiu, aceitei de imediato. Foi uma apresentação com a presença, mais uma vez, de pessoas a quem quero bem e que me querem bem. Mais do que vender livros, quero partilhar histórias e saberes. E sabores. E tem sido isso mesmo que temos feito nas sessões Abraçar@.

2018 foi um ano em grande: cheio de trabalho, mas também cheio de alegrias e de partilhas. Que 2019 seja assim e muito mais! Que os abraços se multipliquem e ajudem a fazer as pessoas felizes!

 

 

 

 

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o poder do medo

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O medo é uma coisa terrível. É inacreditável como algo não palpável, não visível, pode controlar de tal forma a vida de um indivíduo. Como pode afastar a possibilidade de felicidade.

Todos nós começámos a sentir medo na infância, o que é perfeitamente normal. Tivemos medo do escuro, medo das pessoas estranhas, medo de barulhos desconhecidos. Esses medos fazem parte do nosso desenvolvimento e, com o tempo, hopefully, desaparecerão. Também há quem tenha medo de palhaços, de aves ou de insetos e estas fobias podem ser deveras limitadoras nas nossas vidas.

Lembro-me, quando era muito nova, de ter um medo terrível de cães. Nunca fora mordida nem atacada por nenhum, mas como era muito pequena, cada cão parecia-me quase um cavalo e isso assustava-me porque me fazia sentir vulnerável, que poderia ser derrubada ou atacada. Essa sensação de possibilidade de perigo é que me causava medo, não era propriamente o cão.

O medo é algo que se sente quando nos sentimos em perigo. Nem sempre quando sentimos medo estamos, realmente, numa situação de perigo; no entanto, essa é a sensação que temos. Este sentimento é transportado por nós para a vida adulta e pode, por vezes, limitar grandemente a nossa capacidade de crescer e ser feliz.

Há indivíduos que têm sonhos, que desejam ser e fazer uma série de coisas que nunca fazem, nem são, por medo. Há quem sonhe ser cantor, mas nunca vai a um casting por medo de ser rejeitado. Há quem queira mudar de emprego, mas não o faz por medo de não conseguir sustentar-se financeiramente. Há quem queira viajar mas não o faz porque tem medo de andar de avião.

Todos os medos que assolam a humanidade se resumem a dois: medo de ser rejeitado (de não ser amado) e medo de morrer (ou de perder o controlo da vida). Quando o medo se apodera de nós, pode tornar os nossos sonhos impossíveis de alcançar. Mas nós podemos alterar essa perspetiva. Ao analisarmos cada situação a fundo, podemos perceber se o medo é real (se a situação é realmente perigosa) ou se é uma situação que nos coloca “a jeito” de ser rejeitado ou de perder o controlo da vida. Falar em público é mesmo perigoso, ou pode colocar-me em risco de rejeição? Escrever um livro é perigoso, ou apenas coloca a possibilidade de ninguém o comprar e eu me sentir rejeitado?

No livro Feel the Fear and Do It Anyway, Susan Jeffers ensina-nos a reeducar a mente e a assumir uma perspetiva diferente de situações que nos causem medo. Em A Return to Love, Marianne Williamson diz que do que nós temos medo, mesmo, não é de não sermos “adequados”, mas sim de sermos poderosos. Temos medo da nossa luz. Assim, criamos uma “sombra” que nos controla.

Num momento em que o filme Birdcage relata de forma tão visceral o medo do que não se vê, convido cada um de nós a sentir o medo, a reconhecer a sua importância, a medir a sua razão de ser (a sua necessidade) e a agir, apesar dele. O medo já me travou em muitos momentos, mas também já me fez avançar tantas vezes que acredito, piamente, que é realmente poderoso. Basta decidir é qual é o poder que lhe damos.

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Fazer refresh | quando é preciso agir em grande

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Há uns anos atrás, ao sair do Mestrado Executivo em Psicologia Positiva, do ISCSP-UL, criei um projeto dirigido aos cerca de 400 portadores de nanismo em Portugal. Chamava-se Agir em Grande e pretendia criar uma fonte de informação e de troca de partilhas entre as pessoas que, como eu, vivem com o facto de ser de baixa estatura.

Nessa altura, ao tentar contactar o máximo de pessoas possível com esta característica física, deparei-me com o triste facto que apenas 8 pessoas, das tantas contactadas diretamente, acederam a responder ao inquérito. O projeto, que tinha como objetivo servir esta comunidade, morreu à nascença. Percebi que havia pessoas que não queriam encontrar-se com outras iguais a si. Que não queriam crescer e evoluir. As respostas ao questionário que apliquei eram, na sua maioria, de alguém que não se sentia bem no seu isolamento mas que também não estava a querer sair daquele espaço.

Acredito que todos temos uma missão, um propósito. Cada um de nós carrega, em si, o dom de ser feliz, como diz a canção. Li, em tempos, uma frase, quando buscava incessantemente o meu propósito de vida, que dizia que mais importante do que andar constantemente (e cansativamente) em busca de um propósito de vida, o que é realmente importante é viver uma vida com propósito. Acredito que trago comigo o propósito de incentivar ao bem-estar e à felicidade. Em cada dia, em cada espaço onde entro, com todas as pessoas com quem me relaciono.

O projeto Agir em Grande, da forma como nasceu, transformou-se. Carreguei no botão refresh e tornei a expressão que dava nome ao projeto um lema de vida. Apesar de ser de baixa estatura, só acredito em fazer as coisas em grande. Não ando a brincar de viver. Prefiro viver e brincar.

Hoje, recomeça o meu projeto, o projeto Filomena Mourinho. Quem eu sou. A pessoa, a professora, a formadora, a voluntária, a atriz amadora, a aprendiz de cantora, a autora, a leitora voraz. E recomeça em grande. Porque a vida é uma bênção demasiado valiosa para ser vivida em versão mini.

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Um Rasto de Alfazema | Filomena Marona Beja

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Este foi o primeiro livro de Filomena Marona Beja – que partilha o nome comigo – que alguma vez li. Numa ida à Biblioteca Municipal, a capa chamou-me a atenção e o nome da autora, confesso, também: as Filomenas devem ler as Filomenas. Assim, trouxe-o como leitura de férias, pois leio imenso autores estrangeiros e conheço muito pouco do que se escreve (bem) em Portugal.
Confesso que inicialmente, a escrita de Filomena Beja me incomodou. A sua escrita “sincopada, mas firme”, como promete na primeira orelha, deixou-me, inicialmente, desconfortável e a quase desistir da leitura em alguns momentos. Mas a história prendeu-me e o que começou por ser inquietante integrou-se em mim e compreendi que a escrita tinha mesmo que ser assim para contar aquela(s) história(s).
As personagens pegam-se a nós à medida que as vamos descobrindo e que nos vamos envolvendo com elas. As suas perdas são as nossas, os seus enleios são os nossos, as suas (des)aventuras são as nossas.
Filomena Marona Beja conquistou-me. Vou querer ler mais da sua pena.

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A luz de Amsterdão: inspirações de uma viajante

A luz de Amsterdão (1)

Amsterdão fica tão perto de minha casa como o Porto. Sim. Para ir ao Porto, faço cerca de dez horas de viagem de automóvel (cinco para cada lado) por estrada nacional e autoestrada, com uma ou duas paragens para descanso e um snack. Em três horas, um vôo da TAP deixou-me em Amsterdão, depois de uma viagem de duas horas de automóvel até Lisboa. Valeu a pena. Viajar vale muito a pena, e é a única coisa que podemos comprar que nos torna, efetivamente, mais ricos.

Até há alguns anos, nunca tinha sonhado visitar os países nórdicos, mas uma visita pedagógica à Suécia num Projeto Comenius da escola onde lecionava deu-me uma perspetiva nova destes países e aguçou-me a vontade de conhecer mais. A Holanda entrou na minha lista logo em primeiro lugar devido às imagens que conhecia de revistas de viagens e da televisão.

A preparação da viagem foi quase nula. Tirando a marcação de vôos, de hotel, de táxi de e para o aeroporto, não preparei mais nada. Não quis saber o que visitar, exceto alguns museus. Com o passar do tempo, tenho-me habituado a deixar que as cidades se desvendem, me mostrem o que querem que eu visite e quero, essencialmente, deixar-me deslumbrar.

O facto de não ter procurado imagens do que poderia visitar fez com que cada encontro, cada visita, cada mudança de rua fosse, nesta viagem, uma oportunidade de me deixar encantar por uma cidade muito cosmopolita, muito aberta, muito acolhedora e que aceita a diferença. Não é uma cidade tolerante: tolerar significa “aguentar” (eu tolero-te, mas não quer dizer que gosto de ti). Amsterdão é uma cidade onde nos sentimos completamente integrados, sejamos quem formos, sejamos como formos. Chegámos logo após à Gay Pride Week e os arco-íris ainda iluminavam as ruas da cidade, assim como uma animação e um fervilhar de gente nas ruas. Mas Amsterdão fervilha sempre, em qualquer altura. E apesar da quantidade de visitantes, nunca me senti assoberbada, ou com um sentimento de claustrofobia, porque não havia excesso de pessoas. Foi perfeito.

Em cinco dias, tive bastante tempo para visitar a cidade velha a fundo e deixar-me apaixonar pelas ruas, os canais e o Amstel, o rio que dá nome à cidade. Deixei-me desconstruir no Museu de Arte Moderna, admirei Rembrandt no Rijksmuseum e absorvi as cores e a loucura de Van Gogh no museu com o seu nome. Conheci a cidade por terra e rio, a pé e de barco Hop On Hop Off, experimentei a gastronomia internacional em cafés, bares e restaurantes que nos apareciam pelo caminho e tive no dedo anelar um anel com diamantes no valor de quatro mil e quinhentos euros (no Museu do Diamante). Enfim, vivi Amsterdão em pleno.

As pessoas de Amsterdão – muitas delas não são autóctones – são acolhedoras e fazem-nos sentir especiais, mas sem falsidade. Tratam bem os turistas. Por duas vezes, fui abordada na rua para me cumprimentarem pelos meus vestidos, de uma forma educada, sorridente, simpática, sem segundas intenções. Só porque sim. E apaixonei-me, ah sim, apaixonei-me pela cidade que sinto como o local ideal para se viver. Terá os seus defeitos, como todas as cidades, mas é um local onde todos somos iguais e temos os mesmos direitos.

Um amigo meu diz que se não vivesse na sua aldeia natal (a qual recusa abandonar, mesmo de férias), o único sítio onde se imaginaria a viver era em Sevilha. Pois eu, se algum dia decidir sair de Portugal, será muito provavelmente em Amsterdão que me vejo a viver. Quem sabe…